MUNDIAL DE CRI: EVENEPOEL AMPLIA O DOMÍNIO E É CAMPEÃO PELA QUARTA VEZ CONSECUTIVA; REUSSER REVALIDA O TÍTULO

Cinquenta e dois anos depois, o Campeonato Mundial voltou ao Canadá, e Montreal foi palco de mais uma demonstração de domínio de Remco Evenepoel e Marlen Reusser. O belga conquistou o quarto título mundial consecutivo no contrarrelógio individual, igualando o recorde de quatro vitórias de Fabian Cancellara e Tony Martin, enquanto a suíça revalidou o título feminino. Filippo Ganna e Zoe Bäckstedt ficaram com a prata, e o francês Paul Seixas, de apenas 19 anos, completou o pódio masculino.

Evenepoel é o melhor no desafio contra o cronômetro – vencendo quatro mundiais consecutivos – foto: Dario Belingheri/GettyImages

Remco Evenepoel e Marlen Reusser mantiveram o domínio no contrarrelógio do Campeonato Mundial de Ciclismo de Montreal. O belga conquistou pelo quarto ano consecutivo o título mundial masculino, feito inédito na especialidade, enquanto a suíça confirmou o segundo arco-íris consecutivo entre as mulheres. Evenepoel venceu os 39,2 km com 57 segundos de vantagem sobre o italiano  Filippo Ganna, enquanto o francês Paul Seixas, de apenas 19 anos, surpreendeu e completou o pódio. Entre as mulheres, Reusser superou a britânica Zoe Bäckstedt por 40 segundos e a alemã Franziska Koch por 45 segundos.

EVENEPOEL DOMINA DO INÍCIO AO FIM

O percurso de Montreal, com quase 40 quilômetros predominantemente planos e uma parte final concentrando boa parte do desnível, favorecia os especialistas capazes de combinar potência, aerodinâmica e velocidade constante.

Evenepoel, porém, transformou a disputa pelo ouro em uma demonstração de força. O belga foi o mais rápido em todos os pontos de cronometragem e começou a construir a vitória ainda no primeiro setor.

No km 10,7, registrou 12min17s e já tinha aberto 22 segundos sobre Ganna. A diferença para o sueco Jakob Söderqvist, que vinha sendo uma das surpresas da prova, era de dez segundos.

No segundo ponto intermediário, no km 21,9, Evenepoel passou em 24min50s, aumentando a vantagem para 35 segundos sobre Söderqvist e 40 segundos sobre Seixas. Ganna havia recuperado terreno na disputa pela prata, mas continuava distante do belga.

A diferença chegou a 48 segundos no km 29,8. A partir daquele momento, a principal dúvida passou a ser a disputa pelas outras medalhas. Evenepoel completou os 39,2 km em 44min53s, com Ganna em segundo, 57 segundos atrás. Foi o único adversário a terminar a menos de um minuto do campeão mundial.

Mias forte e dominador no contrarrelógio, Remco vestirá a camisa arco-íris por mais um ano – foto: Tim de Waele/Getty Images

O resultado coloca Evenepoel em uma posição inédita no histórico do contrarrelógio masculino. Depois dos títulos em Glasgow 2023, Zurique 2024 e Kigali 2025, o belga chegou à quarta camisa arco-íris consecutiva e tornou-se o primeiro ciclista a alcançar essa sequência na especialidade. Aos 26 anos, ele também chegou aos quatro títulos mundiais no contrarrelógio, igualando o total de Fabian Cancellara e Tony Martin, que até então dividiam o topo do palmarés histórico.

SEIXAS, DE 19 ANOS, SURPREENDE E FICA COM O BRONZE

A grande surpresa da prova masculina foi Paul Seixas. Aos 19 anos, o francês fez uma corrida consistente e terminou com a medalha de bronze em seu segundo Mundial de Contrarrelógio na categoria Elite.

Filippo Ganna ficou com  a prata, 15 segundos à frente de Seixas. O italiano, que buscava o terceiro título mundial, começou abaixo do ritmo dos principais adversários, mas recuperou posições ao longo da prova e consolidou o segundo lugar.

Seixas surpreende com o 3º lugar – foto: Dario Belingheri/GettyImages

Jakob Söderqvist também esteve na briga pelo pódio. O sueco aparecia entre os primeiros nos intermediários, mas perdeu suas chances de medalha ao cair em uma curva durante um trecho de descida. Conseguiu continuar e terminou em quinto, apenas 13 segundos atrás de Seixas.

Brandon McNulty foi o quarto colocado, a 1min25s. Isaac del Toro confirmou o bom momento após a vitória no GP de Montréal e terminou em sexto, a 1min38s. Stefan Küng, vencedor do contrarrelógio da Vuelta, ficou em sétimo, a 1min44s.

Kasper Asgreen foi oitavo, enquanto Daan Hoole e Callum Thornley completaram o Top 10, ambos a 2min02s.

O campeão brasileiro da especialidade, Henrique Avancini, em seu primeiro mundial de contrarrelógio cumpriu com as expectativas, foi o segundo melhor sul-americano, terminou em 39º lugar – 40s44 atrás do especialista colombiano Walter Vargas que foi o 37º.

Campeão brasileiro de CRI , Avancini fez o 39º tempo – foto: Dario Belingheri/GettyImages

REUSSER REAGE E CONFIRMA O SEGUNDO TÍTULO

Entre as mulheres, Marlen Reusser precisou fazer uma corrida de recuperação antes de assumir o controle da disputa. A suíça, que defendia o título conquistado em Kigali em 2025 e completava 35 anos neste domingo, encontrou Zoe Backstedt em grande ritmo no primeiro setor.

No km 10,7, a britânica marcou 13min36s e abriu dez segundos sobre Reusser, que ocupava apenas a quinta posição naquele momento. Bäckstedt continuou na frente no segundo intermediário, no km 21,9, mas a vantagem havia praticamente desaparecido: apenas 2,78 segundos separavam as duas. Franziska Koch também permanecia próxima, pouco mais de seis segundos atrás da líder. Foi a partir daí que Reusser começou a impor seu ritmo. No km 29,8, a campeã mundial já havia assumido a liderança, com 13 segundos sobre Bäckstedt e 22 sobre Koch.

A suíça ainda protagonizou uma das imagens da prova ao alcançar e ultrapassar Demi Vollering, que havia largado 1min30s antes. Vollering terminou apenas na oitava posição, a 1min49s. Reusser ampliou a vantagem nos quilômetros finais e cruzou a linha de chegada em 50min24s44, garantindo o segundo título mundial consecutivo.

Bäckstedt confirmou a prata, 40 segundos atrás, enquanto Koch completou o pódio a 45 segundos. A britânica, de 21 anos, conquistou sua primeira medalha mundial na categoria Elite depois de optar por não defender o título Sub-23.

A disputa pelo bronze foi apertada. Koch terminou apenas cinco segundos à frente da italiana Elisa Longo Borghini, quarta colocada, a 50 segundos da campeã. Cédrine Kerbaol foi quinta, a 1min10s; Lotte Kopecky, sexta, a 1min47s; e Antonia Niedermaier, sétima, a 1min49s, mesmo tempo de Vollering. Dominika Wlodarczyk e Vittoria Guazzini fecharam o Top 10.

UM BI COM UM DADO HISTÓRICO

Com a vitória em Montreal, Reusser soma agora os títulos de Kigali 2025 e Montreal 2026, repetindo a conquista de Karin Thürig (Bardolino’2024 e Madrid’2025), que havia sido a única suíça campeã mundial no contrarrelógio feminino antes da atual sequência.

Marlen Reusser bicampeã no dia do seu aniversário – foto: Tim de Waele/Getty Images

Reusser também entrou para uma lista bastante particular do Mundial: tornou-se a primeira mulher a conquistar o título mundial de contrarrelógio no dia do próprio aniversário na categoria Elite.

Depois de uma prova em que começou atrás de Bäckstedt, a suíça terminou com uma vantagem de 40 segundos sobre a principal adversária e confirmou que vestirá, nas provas de contrarrelógio, a camisa arco-íris por mais um ano.

Campeonatos Mundiais de Ciclismo – Montreal 🇨🇦

Contrarrelógio Individual

Elite Masculina CRI 39,2 km – 61 ciclistas de 39 países

🥇Remco EVENEPOEL🇧🇪 – 44m52s13 – vel. média 52.400 km/h

🥈Filippo GANNA🇮🇹 +57m31s

🥉Paul SEIXAS🇫🇷 – 1m13s04

39- Henrique AVANCINI🇧🇷 +4m29m05s

Elite Feminina CRI 39,2 km – 48 ciclistas de 34 países

🥇Marlen REUSSER 🇨🇭 – 50m24s44 – vel. média 46.660 km/h

🥈Zoe BÄCKESTED 🇬🇧 +40s11

🥉Franziska KOCH 🇩🇪 +45s54

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