Em uma demonstração de força desde o início da prova, o estadunidense Ashlin Barry sustentou uma fuga por cerca de 130 km, ficou sozinho a 30 km da chegada e resistiu à reação dos favoritos para conquistar o título mundial Sub-23 em Montreal, justamente no dia em que completou 19 anos. Héctor Álvarez foi prata, Jesper Stiansen bronze e Henrique Bravo terminou em 19º

Ashlin Barry escolheu uma maneira incomum de comemorar seus 19 anos: passou cerca de 130 quilômetros em fuga, ficou sozinho a 30 km da chegada e resistiu à reação dos principais favoritos para conquistar o título mundial Sub-23 de estrada em Montreal.
O estadunidense, nascido em Girona, na Espanha, e com dupla nacionalidade (também é canadense), completou os 174,2 km em 4h17m35s, com 53 segundos de vantagem sobre o espanhol Héctor Álvarez em segundo e sobre o o norueguês Jesper Stiansen em terceiro.
Barry, que defende a equipe Visma | Lease a Bike Development e tem contrato até 2029, já havia chamado atenção no Mundial de Montreal ao terminar em quarto na contrarrelógio Sub-23, dois anos antes, como junior, ficou em 4º no Mundial de Zurique’2024.
Na prova de estrada de Montreal, porém, o estadunidense foi muito além: entrou em uma das primeiras fugas e esteve na frente durante aproximadamente 130 km, antes de transformar a longa escapada em uma das grandes surpresas do campeonato.

A corrida começou movimentada, com um primeiro ataque envolvendo 15 ciclistas, mas o grupo foi rapidamente neutralizado. Após pouco mais de 40 km percorridos, uma nova fuga ganhou espaço com Matthew Dodd, da Grã-Bretanha, Kristian Egholm, da Dinamarca, William Heffernan, da Austrália, Samuel Novák, da Eslováquia, e Barry. A vantagem chegou a aproximadamente dois minutos, enquanto o pelotão era conduzido principalmente pelos ciclistas da Irlanda.
Quando o trabalho de perseguição perdeu força, a corrida entrou em sua fase decisiva. Novos ataques começaram a partir do pelotão, enquanto Barry e Egholm se separaram dos demais integrantes da fuga. Os movimentos dos perseguidores obrigaram alguns dos principais nomes da prova a reagir, entre eles Aubin Sparfel, Henrique Bravo, Jarne Van Kerckhove e Ramses Driesen.
BARRY EM OUTRA MARCHA
A aproximadamente 30 km da chegada, o Barry ficou sozinho na frente e iniciou uma longa perseguição contra o próprio limite. Atrás, os ataques se sucediam. Matteo Scalco foi um dos mais ativos e, a partir de uma de suas acelerações, formou-se um grupo de cinco perseguidores com Héctor Álvarez, Aubin Sparfel, Ramses Driesen e Jesper Stiansen.

O quinteto conseguiu organizar a perseguição, mas Barry não cedeu. Mesmo enfrentando os últimos quilômetros sozinho, o americano manteve uma vantagem suficiente para cruzar a linha de chegada em solitário e conquistar seu primeiro título mundial de estrada na categoria Sub-23.
A disputa pelas outras medalhas foi decidida no sprint do grupo perseguidor. Álvarez foi o mais rápido e garantiu a prata, à frente de Stiansen que ficou com o bronze, seguido por Sparfel, Driesen e Scalco, que terminou na sexta posição.
BRAVO CRESCE NA SEGUNDA METADE
Henrique Bravo adotou uma estratégia mais discreta na primeira parte da prova. O brasileiro, listando entre os favoritos, optou por permanecer protegido no pelotão, sem se expor nos primeiros movimentos da corrida. A partir da décima volta, porém, passou a ganhar presença e permaneceu no grupo principal durante a fase decisiva.
O problema para o brasileiro foi que o pelotão não conseguiu se organizar de maneira suficientemente efetiva para neutralizar os ciclistas que estavam à frente. Com Barry já isolado e o grupo de cinco perseguidores disputando as medalhas, Bravo terminou em 19º lugar, a 1m19s do campeão mundial.

A prova masculina Sub-23 reuniu 176 ciclistas de 69 países e foi disputada em 13 voltas de um circuito de 13,4 km, totalizando 174,2 km e 3.497 metros de desnível acumulado.
O circuito em torno do Mont-Royal concentrou várias dificuldades: a Côte Camillien-Houde, com 1,8 km a 8%; a Côte de Polytechnique, de 780 metros a 6%, incluindo um trecho de 200 metros a 11%; além da Avenue Pagnuelo e do trecho final da Avenue du Parc.
Para Barry, as subidas de Montreal foram apenas parte do desafio. A principal dificuldade foi sustentar sozinho, durante os últimos 30 quilômetros, a perseguição de um grupo formado pelos principais candidatos ao título. No dia em que completou 19 anos, o estadunidense, filho dos ciclistas Deirdre “Dede” Demet Barry, medalhista de prata na contrarrelógio dos Jogos Olímpicos de Atenas 2004, e Michael Barry, que teve passagens por equipes como US Postal, Discovery Channel e Sky, transformou uma fuga de longa distância em título mundial.

Campeonatos Mundiais de Ciclismo – Montreal 🇨🇦
Prova de estrada Sub23 Masculina – 176 ciclistas de 69 países – circuito 13.4 km x 13 voltas = 174.2 km – 📈 3.497 m. de altimetria acumulada
🥇Ashlin BARRY – 4h17m35s – vel. média 40.577 km/h
🥈Hector ALVAREZ🇪🇸 +53s
🥉Jesper STIANSEN 🇳🇴 +53s
19. Henrique BRAVO🇧🇷 +1m19S
Mundo Bici Mundo Bici – Por George Panara