Dois dias depois do título na contrarrelógio, espanhol Benjamín Noval ataca no seletivo circuito de Montreal, abre vantagem de 42 segundos sobre Simon Defrance e completa uma semana perfeita conquistando mais uma medalha de ouro; Brasileiro Dimas Mota termina como melhor sul-americano em 54º

Dario Belingheri/Getty Images
O espanhol Benjamín Noval confirmou na prova de estrada que o título mundial de contrarrelógio, conquistado dois dias antes, não foi acaso. Aos 17 anos, o asturiano venceu em solitário a prova júnior masculina do Mundial de Montreal e conquistou seu segundo arco-íris em apenas 48 horas, depois de superar um circuito extremamente seletivo e uma corrida marcada por ataques e sucessivas mudanças na composição dos grupos.
Noval cruzou a linha de chegada após 3h23min35s, com 42 segundos de vantagem sobre o francês Simon Defrance, medalha de prata. O sueco Elias Wändel venceu o sprint do grupo perseguidor e ficou com o bronze, a 2min12s do campeão.
O resultado confirma a superioridade demonstrada pelo espanhol ao longo da semana. Na terça-feira, Noval já havia conquistado o título mundial júnior do contrarrelógio, superando o belga Vic De Smet por seis segundos. Na estrada, porém, precisou transformar a força individual em uma sucessão de ataques até encontrar o momento decisivo.
CIRCUITO FEZ A SELEÇÃO
A prova de 134 quilômetros, disputada em dez voltas pelo exigente circuito de Montreal, começou em ritmo agressivo, com diversos movimentos tentando escapar do controle do pelotão. A seleção foi acontecendo gradualmente, com grupos se formando e sendo novamente modificados ao longo da corrida.
A Espanha teve presença constante nas ações da frente, enquanto Noval permaneceu atento no grupo principal. A aproximadamente 45 quilômetros da chegada, o campeão mundial da contrarrelógio passou a assumir um papel ainda mais ofensivo, participando dos movimentos que começavam a reduzir o grupo de candidatos à vitória.
A corrida entrou nos quilômetros finais completamente fragmentada. Noval conseguiu chegar ao grupo da frente junto com alguns dos principais adversários e, quando parecia que a decisão poderia acontecer nas últimas voltas, guardou ainda uma última aceleração.
O ATAQUE DECISIVO
A pouco menos de 27 quilômetros da chegada, praticamente na passagem pela linha de meta para iniciar uma das últimas voltas, Noval atacou novamente. Desta vez, ninguém conseguiu acompanhá-lo.
O espanhol abriu espaço e passou a enfrentar sozinho os quilômetros finais, incluindo a subida de Camillien-Houde, enquanto atrás dele os franceses Simon Defrance e Lancelot Gayant tentavam organizar a perseguição.

Defrance conseguiu se destacar dos demais perseguidores e chegou a reduzir parte da diferença, mas Noval manteve o ritmo e entrou na última volta com cerca de 30 segundos de vantagem. Restavam ainda 13,4 quilômetros, mas o espanhol conseguiu sustentar o esforço até a chegada.
A vitória confirmou a estratégia agressiva construída ao longo da prova. Noval não esperou a chegada para decidir o Mundial: foi ele quem provocou a seleção e abriu a diferença que lhe permitiu conquistar o título em solitário, cruzando a linha 42 segundos à frente de Defrance. O francês, ao assumir o risco de perseguir o líder, também se destacou dos demais e chegou isolado, com 1min30s de vantagem sobre o grupo de três ciclistas que disputava o bronze. Na briga pelo terceiro lugar, o sueco Elias Wandel mostrou um pouco mais de força para superar o alemão Kings Owen e o austríaco Michael Hettegger e garantir a medalha de bronze.

UM ANO DEPOIS DE KIGALI
Em Montreal, Noval também teve a oportunidade de completar aquilo que a queda havia interrompido no Mundial de 2025, em Kigali, Ruanda. Naquela prova, o espanhol estava entre os protagonistas e disputava diretamente as primeiras posições quando, a cerca de 3,5 quilômetros da chegada, sofreu uma forte queda na parte final do percurso.
O acidente destruiu suas chances de disputar a vitória. Mesmo conseguindo completar a prova, Noval terminou apenas na 36ª posição, depois de ter estado entre os candidatos ao título até os quilômetros finais.
Um ano depois, em Montreal, a história foi completamente diferente. Dois dias depois de conquistar o título mundial da contrarrelógio, o espanhol não deixou a decisão para os últimos quilômetros. Atacou a quase 27 quilômetros da chegada, abriu vantagem sobre os adversários e sustentou sozinho o esforço até a meta, encerrando de maneira contundente, a história que havia ficado interrompida em Kigali.

O resultado completa uma semana perfeita para Noval em Montreal: duas provas disputadas e duas medalhas de ouro, com o espanhol campeão mundial júnior da contrarrelógio e da prova de estrada e repete o feito de Remco Evenepoel em Innsbruck’2018 quando conquistou as duas camisas arco-íris.
O título na estrada tem ainda um peso histórico para a Espanha. É o primeiro campeonato mundial júnior masculino de estrada conquistado pelo país desde Miguel Morras, em 1994, encerrando um intervalo de 32 anos sem um campeão espanhol na categoria.
Aos 17 anos, Noval deixa Montreal com dois arco-íris e uma das atuações mais marcantes de um ciclista espanhol em um Mundial Júnior. A partir de 2027, o asturiano dará o próximo passo na carreira, integrando a equipe Netcompany-INEOS.
BRASIL EM MONTREAL
O Brasil largou com dois ciclistas na prova. Bruno Octávio da Silva não completou a competição, enquanto Dimas Mota terminou na 54ª posição, sendo o melhor representante sul-americano na classificação final.
A dureza da prova aparece também no número de abandonos: dos 156 ciclistas que largaram, apenas 85 completaram os 134 quilômetros, enquanto 72 ficaram pelo caminho.

Campeonatos Mundiais de Ciclismo – Montreal🇨🇦
Prova de estrada Junior Masculina – 156 ciclistas de 64 países – circuito 13.4 km x 10 voltas = 134 km – 📈 2.690 m. de altimetria acumulada
🥇Benjamin NOVAL🇪🇸 – 3h23m35s – vel. média 39.492 km/h
🥈Simon DEFRANCE 🇫🇷 +42s
🥉Elias WANDEL 🇸🇪+2m12
54. Dimas MOTA 🇧🇷 +6m38
Bruno Octávio da SILVA 🇧🇷 – DNF – não completou
Mundo Bici Mundo Bici – Por George Panara