MONTREAL’2026: CHLADONOVÁ VENCE NO SPRINT E HOLMGREN, DO MTB À ESTRADA, FICA COM A PRATA

Eslovaca Viktória Chladonová supera Isabella Holmgren em duelo pelo título mundial Sub-23 de estrada em Montreal; Fleur Moors fica com o bronze após uma prova de 134 km. Bicampeã mundial de MTB em 2024/25, a canadense confirma também na estrada seu lugar entre os grandes nomes da nova geração

Após a prata em Kigali, no ano passado, em Montreal Viktória Chladonová conquista o ouro – foto: Dario Belingheri/GettyImages

A eslovaca Viktória Chladonová é a nova campeã mundial Sub-23 de estrada. Em uma chegada decidida no sprint entre duas ciclistas, a eslovaca superou a canadense Isabella Holmgren, que corria diante de sua  torcida em Montreal, e conquistou a camisa arco-íris depois de 134 km de uma prova marcada por ataques, seleções e um percurso extremamente exigente. A belga Fleur Moors, que também integrou a fuga decisiva, terminou com a medalha de bronze, 33 segundos atrás.

A prova feminina Sub-23 abriu as disputas de estrada do Mundial de Montreal, com 112 ciclistas de 41 países enfrentando dez voltas pelo circuito canadense. O percurso reunia as subidas da Côte Camillien-Houde, Côte de Polytechnique e Pagnuelo, além de uma chegada em ascensão, acumulando um cenário favorável às ciclistas mais fortes nas escaladas.

A primeira metade da corrida foi marcada por diversas tentativas de fuga. Depois de dois giros, Wilma Aintila, da Finlândia, e Sofia Ungerová, da Eslováquia, conseguiram abrir vantagem, enquanto a tcheca Eliška Kvasničková chegou posteriormente às duas e formou o primeiro movimento consistente da prova.

Felicity Wilson-Haffenden, campeã mundial de CRI dias atrás assume o comando do pelotão – foto: SWPix-UCI

O grupo australiano assumiu boa parte do trabalho de perseguição e Felicity Wilson-Haffenden, campeã mundial Sub-23 de contrarrelógio em Montreal, chegou a acelerar levando consigo um grupo de perseguidoras. A movimentação, entretanto, não prosperou e o pelotão voltou a se compactar.

Com quatro voltas para o final, a fuga ainda mantinha cerca de 30 segundos, mas o ritmo imposto por Canadá e Austrália reduziu progressivamente a diferença. Foi então que Ava Holmgren, irmã gêmea de Isabella, acelerou e ajudou a recolocar o pelotão nas líderes.

A partir dos últimos 30 quilômetros, as principais candidatas passaram a assumir o protagonismo. Isabella Holmgren, Fleur Moors e Viktória Chladonová formaram o grupo que conseguiu se destacar na frente, enquanto o pelotão perdia algumas das ciclistas apontadas entre as favoritas, como a holandesa Nienke Vinke, prejudicada por um problema mecânico.

HOLMGREN TENTA DECIDIR

Correndo diante de sua torcida, a canadense foi especialmente agressiva na parte final. A cerca de 12 quilômetros da chegada, Holmgren aumentou o ritmo e conseguiu deixar Moors para trás, permanecendo na frente apenas com Chladonová.

A disputa pelo título ficou então reduzida a Canadá e Eslováquia.

Nos quatro quilômetros finais, Holmgren voltou a atacar, mas Chladonová permaneceu atenta e não permitiu que a canadense abrisse distância. As duas chegaram juntas ao trecho final, com Holmgren tomando a iniciativa e lançando primeiro o sprint.

Viktória, Isabella e Fleur – foto: Zac Williams – Pool/GettyImages

Chladonová, entretanto, respondeu imediatamente, passou pela canadense e abriu vantagem suficiente para cruzar a linha de chegada em 3h49min10s, conquistando o título mundial Sub-23. Holmgren terminou com o mesmo tempo e ficou com a prata.

Aos 19 anos, Chladonová transforma em ouro a prata conquistada no Mundial de 2025, em Kigali. Para a Eslováquia, é mais um passo importante de uma ciclista que já vinha se destacando entre as melhores da nova geração.

Moors venceu o sprint do grupo perseguidor e garantiu o bronze, 33 segundos atrás da campeã, à frente de Mara Winter e Talia Appleton. A belga Lore De Schepper foi sexta, a 39 segundos. O Brasil não teve representantes nesta prova

HOLMGREN, DO MTB À ESTRADA

A medalha de prata ganha dimensão ainda maior quando colocada no contexto da trajetória recente de Isabella Holmgren. A canadense, de 21 anos, construiu boa parte de sua projeção internacional no mountain bike. É bicampeã Mundial de Mountain Bike – Valais’2025 e Pal Arinsal’2024 tanto no XCC quanto no XCO. Nesta temporada, passou à Elite no MTB e continuou competindo entre as principais ciclistas do mundo.

Isabella Holmgren – foto: Zac Williams – Pool/Getty Images

Ao mesmo tempo, Holmgren consolidou uma impressionante temporada na estrada. Antes do Mundial de Montreal, havia terminado o Giro d’Italia Women em 7º lugar na classificação geral, conquistando a camisa branca de melhor jovem, e depois foi 8ª no Tour de France Femmes. Também terminou em 9º na Flèche Wallonne.

A prata conquistada em Montreal representa mais do que um grande resultado diante do público canadense: confirma a evolução de uma ciclista que vem transitando com sucesso entre o mountain bike e a estrada, e que já ocupa um espaço importante entre os grandes nomes da nova geração do ciclismo feminino.

Holmgren, Chladonova e Moors – foto: SWPix-UCI

Campeonatos Mundiais de Ciclismo – Montreal 🇨🇦

Prova de estrada Sub23 Feminina – 113 ciclistas de 41 países – circuito 13.4 km x 10 voltas = 134 km – 2.690 m. de altimetria acumulada

🥇Viktória CHLADONOVA 🇸🇰 – 3h49m10s – vel. média 35.084 km/h

🥈Isabella HOLMGREN 🇨🇦 – m.t.

🥉Fleur MOORS 🇧🇪 +33s

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