VOLTA A PORTUGAL: RUI OLIVEIRA VENCE EM CASA, GUÉRIN CONFIRMA A CG NOS ALIADOS

Português conquista sua primeira vitória profissional justamente no Porto, diante da família e do seu público; Guérin confirma o título e se torna o primeiro francês a vencer a Volta a Portugal

Primeira vitória de Rui Oliveira chegou em casa, diante de sua torcida – foto:

Rui Oliveira esperou até a última etapa, diante de sua gente, para finalmente conquistar a primeira vitória como profissional no ciclismo de estrada. O português da UAE Team Emirates XRG venceu neste domingo a 10ª e última etapa da 87ª Volta a Portugal, em uma chegada emocionante na Avenida dos Aliados, no coração do Porto. No mesmo cenário, Alexis Guérin confirmou a conquista da Camisola Amarela e entrou para a história como o primeiro francês campeão da Grandíssima.

Aos 29 anos, Rui Oliveira cruzou os últimos metros dos Aliados de braços erguidos, depois de superar o espanhol David Cavia (Burgos-BH) no sprint. Francisco Campos (Tavfer) terminou em terceiro.

Mais do que uma vitória de etapa, foi o momento que o português perseguia havia anos e que parecia ainda mais especial por acontecer praticamente ao lado de sua casa, em Gaia.

“Não havia melhor maneira de conseguir a minha primeira vitória profissional. Ganhar em casa, no Porto, em Gaia… não tenho palavras”, afirmou Rui Oliveira, ainda tomado pela emoção após a chegada.

O português revelou que a vitória nos Aliados já estava em seus planos desde que tomou conhecimento do percurso da Volta.

“A partir do dia em que soube que a Volta ia acabar no Porto, falei com a minha equipe e eles me deram muita confiança. Esta etapa era a que eu tinha em mente. Concretizá-la diante de toda a gente que me apoia e que me ama é incrível. Estou vivendo um sonho.”

E o sonho veio acompanhado de mais uma conquista: Rui também terminou a Volta como vencedor da Camisa Laranja da classificação por pontos.

“Queria lutar pela vitória hoje aqui, na minha casa, para dedicar ao público português e a toda a minha família, aos meus amigos. Está todo mundo aqui, eu vivo aqui ao lado. Se me dissessem que ia ser a minha primeira vitória profissional assim, não acreditaria. E, para mais, com a camisola laranja, que também ganhei.”

A UAE trabalhou para Rui

A última etapa, com cerca de 96 quilômetros entre a Maia e o Porto, ganhou intensidade na entrada do circuito final, desenhado entre Porto e Vila Nova de Gaia, onde o pelotão daria mais três voltas para totalizar os 136,9 km. A Avenida dos Aliados, que voltou a receber a chegada decisiva da Volta pela primeira vez desde 2019, seria palco da consagração dos campeões.

Uma fuga de cinco ciclistas animou boa parte da jornada: Adam Lewis (APS Pro Cycling by Team Cadence Cyclery), César Martingil (Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua), Viacheslav Ivanov (Feirense-Beeceler), Gaspar Gonçalves (GI Group Holding-Simoldes-UDO) e Eduardo Pérez Landaluce (Óbidos Cycling Team).

O quinteto chegou a abrir pouco mais de dois minutos, mas o pelotão manteve os escapados sob controle. Com a aproximação do circuito final, o ritmo aumentou e a fuga começou a se desfazer.

Fuga de cinco ciclistas durou até a entrada no circuito Gaia-Porto – foto:

Pérez Landaluce e Gaspar Gonçalves ainda insistiram na frente, mas foram alcançados. Depois, Diogo Narciso (Credibom/LA Alumínios/Marcos Car) tentou uma última cartada e chegou a se isolar na parte final da primeira volta, a cerca de 25 quilômetros da chegada.

A Anicolor/Campicarn assumiu a perseguição, pensando em uma possível vitória de Artem Nych. O russo, porém, novamente não encontrou forças para disputar o triunfo, depois de também ter ficado sem a vitória na véspera, na chegada ao Alto de Nossa Senhora da Graça.

Foi então que a UAE Team Emirates XRG passou a trabalhar para Rui Oliveira.

Adrià Pericas, que já havia sido um dos destaques da Volta e terminaria como vencedor da classificação da juventude, assumiu a responsabilidade de neutralizar novas tentativas de ataque na volta final, porém mais uma vez foi vítima de um furo, desta vez nos momentos decisivos da última volta. O trabalho da equipe abriu caminho para que Rui chegasse ao sprint em condições de disputar a vitória.

E o português não desperdiçou a oportunidade. No trecho inclinado de paralelepípedos dos Aliados, Rui Oliveira foi mais rápido que Cavia e finalmente ergueu os braços.

“Se me contassem, não acreditaria”

A emoção tomou conta do português depois da chegada. Cercado por familiares, amigos e pelo público que o acompanhou durante toda a prova, Rui não escondeu o significado daquele momento.

“Se me dissessem que ia ser a minha primeira vitória profissional assim, não acreditaria.”

Depois de uma Volta em que esteve próximo do triunfo em diferentes momentos, o português teve de esperar até o último dia para escrever seu nome na história da prova.

“Queria lutar pela vitória hoje aqui, na minha casa, para dedicar ao público português e a toda a minha família, aos meus amigos. Está toda a gente aqui.”

A vitória também teve um significado especial pelo momento vivido pelo pelotão após a morte de Finlay Tarling, jovem ciclista britânico da NSN Development, vítima de um acidente durante a oitava etapa.

“Têm sido dias muito duros para todos”, afirmou Rui, antes de dedicar o triunfo à família de Tarling e elogiar o esforço de todos os ciclistas que seguiram em competição. “Obviamente que dedico a vitória à família do Finlay Tarling. Foi um dia muito duro para todos. Parabéns a todos os atletas que lutaram estes dois dias.”, concluiu

Guérin é o primeiro francês a vencer na Volta

Enquanto Rui Oliveira comemorava a vitória de etapa, Alexis Guérin cruzava a linha de chegada na oitava posição, mas já tinha a certeza de que o principal objetivo estava alcançado.

Aos 34 anos, o francês confirmou a liderança da classificação geral e conquistou a 87ª Volta a Portugal, com 1min02s de vantagem sobre seu companheiro de equipe Artem Nych. Pedro Silva (Feira dos Sofás-Boavista) completou o pódio final.

Com a vitória na 4ª etapa na subida ao Alto da Torrre – Guérin assumiu a amarela e a sustentou até o último dia – foto:Rodrigo Rodrigues / FPC

Guérin sustentou sua liderança principalmente nas etapas decisivas de montanha, com vitórias na Serra da Estrela e no Alto de Nossa Senhora da Graça. Também levou para casa a Camisa Azul , da classificação de montanha.

“É um sonho concretizado. Ainda não estou em mim, é impressionante. Era o objetivo da equipe, o meu objetivo. Estou muito contente”, declarou o francês.

A conquista tem um peso histórico: Guérin é o primeiro francês a vencer a Volta a Portugal em 87 edições da competição.

Além disso, a Anicolor/Campicarn completou uma sequência impressionante de três títulos consecutivos. Antes de Guérin, Artem Nych havia conquistado as duas edições anteriores.

Pericas confirma a juventude

Outro destaque da UAE  foi Adrià Pericas. Apesar de ter sofrido novamente um furo na parte decisiva da corrida — problema que já havia enfrentado na etapa anterior, na Senhora da Graça —, o jovem espanhol, de 20 anos,  confirmou seu potencial e conquistou a Camisa Branca, da classificação da juventude.

O melhor desempenho dos ciclistas equipe brasileira Localiza Meoo/Swift Pro Cycling  ficou por conta de Pedro Leme, que terminou em 21º na CG – a 33m do vencedor, e Henrique Avancini em 22º a 39 minutos de Guérin, em uma prova dura e de elevada intensidade com ritmo muito acima do que estão acostumados,  o saldo é bem positivo.

Assim, a 87ª Volta a Portugal terminou com três histórias distintas, mas igualmente marcantes: Alexis Guérin entrou para a história como o primeiro francês campeão da Grandíssima; a Anicolor/Campicarn consolidou seu domínio com o terceiro título consecutivo; e Rui Oliveira finalmente encontrou a vitória profissional que perseguia justamente em casa, diante de sua família e de seu público.

Uma celebração que, inevitavelmente, também carregou a memória de Finlay Tarling, lembrado pelos ciclistas no encerramento de uma Volta marcada tanto por grandes conquistas esportivas quanto por um momento de profunda tristeza para todo o pelotão.

Volta a Portugal

10ª Etapa –  Maia>Porto – 136,9 km – 📈 1.894 m ganho de elevação

1- Rui Oliveira 🇵🇹 – UAE Team Emirates – 3h06m35s – vel. média 44.023 km/h

2- Daniel Cavia 🇪🇸 – Burgos Burpellet BH – m.t.

3- Francisco Campos 🇵🇹 -Tavira/Crédito Agrícola – m.t.

25- Henrique Avancini 🇧🇷 – Localiza Meoo/Swift Pro Cycling +35s

34 – Pedro Leme 🇧🇷 – Localiza Meoo/Swift Pro Cycling +1m48s

42 – Bruno Lemes 🇧🇷 – Localiza Meoo/Swift Pro Cycling +4m15s

62 – Gabriel Silva 🇧🇷 – Localiza Meoo/Swift Pro Cycling +7m55s

63 – Edson Rezende 🇧🇷 – Localiza Meoo/Swift Pro Cycling +7m55s

Classificação após 10 etapas

🥇 Alexis Guerin 🇫🇷 – Anicolor/Campicarn – 30h21m07s

🥈 Artem Nych🏳 – Anicolor/Campicarn +1m02s

🥉Pedro Silva 🇵🇹 – Feira dos Sofás-Boa Vista +4m37s

21- Pedro Leme 🇧🇷 – Localiza Meoo/Swift Pro Cycling +33m14s

22 – Henrique Avancini 🇧🇷 – Localiza Meoo/Swift Pro Cycling +39m18s

56 – Bruno Lemes 🇧🇷 – Localiza Meoo/Swift Pro Cycling +1h30m35s

67 – Edson Rezende 🇧🇷 – Localiza Meoo/Swift Pro Cycling +1h50m17s

72- Gabriel Silva 🇧🇷 – Localiza Meoo/Swift Pro Cycling +1h58m06s

Camisa Amarela🟡 – Alexis Guerin 🇫🇷 – Anicolor/Campicarn

Camisa Laranja 🟠(pontos) – Rui Oliveira 🇵🇹 – UAE Team Emirates

Camisa Azul 🔵 (montanha) – Alexis Guerin 🇫🇷 – Anicolor/Campicarn

Camisa Branca⚪️ (jovem) – Adrià Pericas 🇪🇸 – UAE Team Emirates -XRG 

Classificação por Equipes – Anicolor/Campicarn 🇵🇹

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