Demi Vollering sobrevive a uma prova de desgaste, marcada por ataques e perseguições, supera Kasia Niewiadoma nos metros finais e Elisa Longo Borghini fica com o bronze, Ana Vitória Magalhães é a 37ª

Demi Vollering é campeã mundial. A neerlandesa venceu Kasia Niewiadoma no sprint após 180 km de uma prova marcada por ataques, perseguições e uma definição que permaneceu aberta até os últimos metros. A persistente Elisa Longo Borghini completou o pódio, apenas quatro segundos atrás, enquanto Ana Vitória Magalhães foi a 37ª colocada e única brasileira na prova.
A conquista completa uma temporada excepcional para Vollering, que já havia vencido o Giro d’Italia Women e o Tour de France Femmes. Em Montreal, porém, o título esteve longe de ser uma vitória construída de forma tranquila. A neerlandesa – que teve um forte apoio de suas companheiras de seleção – atacou a 38 km da chegada, abriu pouco mais de 20 segundos e precisou sustentar durante vários quilômetros a perseguição de um grupo formado pelas principais candidatas ao título.
A FUGA E A QUEDA QUE MUDOU A CORRIDA
Os primeiros movimentos foram protagonizados por Rotem Gafinovitz, de Israel, e Argiro Milaki, da Grécia. Por volta do km 20, Marte Berg Edseth, Natalie Quinn, Beatriz Roxo e Gergana Stoyanova formaram a primeira fuga consistente e chegaram a abrir cerca de 4min30.

A vantagem começou a diminuir e, por volta dos 60 km, Roxo e Stoyanova perderam contato, deixando Edseth e Quinn na frente.
Quando faltavam aproximadamente 95 km, uma queda envolvendo várias ciclistas provocou uma nova seleção. Entre as envolvidas estavam Kate Courtney, Paula Blasi, Marta Jaskulska, Magdeleine Vallières, Erica Magnaldi e Monica Trinca Colonel. A sueca Caroline Andersson ficou entre as que sofreram as maiores consequências e recebeu atendimento médico ainda durante a prova.
A queda também fragmentou o pelotão. Paula Blasi acabou abandonando, assim como a campeã mundial de 2025, Magdeleine Vallières, que não conseguiu retornar à disputa pelo título em casa.
VOLLERING PARTE PARA O ATAQUE
Com cerca de 50 km para a chegada, a francesa Maeva Squiban atacou e conseguiu abrir uma pequena vantagem. A ação, porém, foi neutralizada quando Puck Pieterse acelerou e, na sequência, Vollering assumiu o movimento decisivo – um trabalho de equipe perfeito.
A neerlandesa atacou a aproximadamente 38 km da meta e rapidamente abriu uma diferença que chegou a pouco mais de 20 segundos. Atrás dela, a perseguição reuniu Elisa Longo Borghini, Kasia Niewiadoma, Marlen Reusser, Dominika Włodarczyk, Juliette Berthet, Célia Gery e Maeva Squiban e ainda a neerlandesa Puck Pieterse trabalhando mais para atrapalhar a busca da escapada.
A vantagem de Vollering, entretanto, nunca se transformou em uma margem confortável. Durante vários quilômetros, oscilou entre aproximadamente 15 e 22 segundos, enquanto Longo Borghini e Niewiadoma assumiam a perseguição. A 15 km da chegada, a italiana e a polonesa conseguiram finalmente alcançar Vollering. Juliette Berthet voltou pouco depois, formando um quarteto na frente.
LONGO BORGHINI NÃO SE ENTREGA E TENTA
Na passagem para a última volta, Longo Borghini aproveitou a hesitação entre as adversárias e atacou. A italiana abriu alguns segundos, obrigando Vollering e Niewiadoma a reagirem.

A situação voltou a mudar nas rampas de Camillien-Houde. Vollering assumiu o ritmo e primeiro eliminou Berthet da disputa direta. Depois, junto com Niewiadoma, alcançou novamente Longo Borghini. A italiana ainda tentou permanecer na disputa, mas Vollering voltou a acelerar e conseguiu se destacar ao lado de Niewiadoma. Longo Borghini passou então a perseguir as duas, mantendo-se próxima o suficiente para ainda ameaçar a decisão.
A cerca de 4 km da chegada, ficou claro que o título seria decidido entre Vollering e Niewiadoma. A polonesa tentou pressionar a neerlandesa com uma nova aceleração, mas não conseguiu abrir vantagem.
VOLLERING DECIDE NO SPRINT
Nos últimos quilômetros, Niewiadoma procurou colocar Vollering à frente e deixou para a neerlandesa a maior parte do trabalho. Depois de 180 km de corrida, as duas chegaram juntas ao último quilômetro.
A polonesa lançou o sprint e tentou surpreender Vollering, mas a neerlandesa respondeu. Nos metros finais, Niewiadoma ainda sentiu uma cãibra e levou a mão à perna, como registrado durante a transmissão da prova, enquanto Vollering manteve a aceleração até a linha de chegada.

Demi Vollering cruzou em primeiro e conquistou, pela primeira vez, a camisa arco-íris na categoria Elite. Niewiadoma terminou com o mesmo tempo, enquanto Elisa Longo Borghini garantiu a medalha de bronze, quatro segundos atrás.
Marlen Reusser terminou em quarto, a oito segundos, e Juliette Berthet fechou o Top 5, 39 segundos depois da campeã.
ANA VITÓRIA TERMINA EM 37º
Única brasileira na prova Elite Feminina, Ana Vitória Magalhães terminou na 37ª posição, a 14min21 de Vollering. A brasileira permaneceu durante boa parte da corrida no pelotão principal e acompanhou a seleção até as voltas decisivas. Na fase final, porém, perdeu contato com o grupo principal e passou a integrar um pequeno grupo de quatro ciclistas, concluindo a prova em 37º lugar.

Ao todo, 138 ciclistas largaram em Brossard, mas apenas 49 terminaram a prova, em um dos Mundiais mais seletivos dos últimos anos.
Campeonatos Mundiais de Ciclismo – Montreal🇨🇦

Prova de estrada Elite Feminina – 138 ciclistas de 57 países – 73,2 km + circuito 13.4 km x 8 voltas = 180.4 km – 📈 2.570 m. de altimetria acumulada
🥇Demi VOLLERING🇳🇱 – 4h45m09s – vel. média 37.896 km/h
🥈Kasia NIEWIADOMA-PHINNEY🇵🇱 – m.t.
🥉Elisa LONGO BORGHINI🇮🇹 +4s
37- Ana Vitória MAGALHÃES 🇧🇷 +14m21s
Mundo Bici Mundo Bici – Por George Panara