Tobias Johannessen vence a última etapa da La Vuelta 26 em uma chegada explosiva em Granada, enquanto Enric Mas confirma o título e, aos 31 anos, finalmente chega ao topo depois de quatro pódios e oito anos de perseguição; espanhol encerra jejum de 12 anos do país na prova, desde Alberto Contador, em 2014

Granada encerrou a 81ª edição da La Vuelta com dois protagonistas. Tobias Johannessen (Uno-X Mobility) foi o mais forte no explosivo circuito ao redor da Alhambra e conquistou sua primeira vitória em uma Grande Volta. Atrás dele, Enric Mas cruzou a linha ao lado dos companheiros da Movistar para confirmar a maior conquista de sua carreira.
Aos 31 anos, Mas tornou-se o 64º campeão da Vuelta e o 25º espanhol a vencer a prova. O título também encerra um jejum de 12 anos do ciclismo espanhol, que não celebrava um vencedor desde Alberto Contador, em 2014.
Os tempos da classificação geral foram neutralizados na passagem pela linha de chegada a 9,8 km do final. A partir dali, a disputa ficou exclusivamente pela vitória da etapa, enquanto Mas e os demais líderes podiam celebrar suas conquistas.
Johannessen fecha a Vuelta com vitória
Após uma largada tranquila e das celebrações de Mas e da Movistar, e das sessões de fotos das equipes o ritmo aumentou nos 50 quilômetros finais. O circuito levou o pelotão por sucessivas passagens pela Alhambra, com ataques e acelerações dos puncheurs.
Bastien Tronchon (Groupama-FDJ United), vencedor em Elche de la Sierra, atacou a 28 km da chegada. Johannessen e Matthew Brennan (Visma-Lease a Bike) reagiram rapidamente, mas o grupo acabou neutralizado.
Na última subida, Pau Miquel impôs um ritmo forte para lançar Pello Bilbao (Bahrain Victorious), que disputava sua última etapa em um Grand Tour antes da aposentadoria. O basco abriu vantagem, mas Axel Laurance (Netcompany Ineos) respondeu e, nos quilômetros finais, um grupo de 12 ciclistas voltou a se reunir.
Todos tentavam eliminar Brennan, vencedor de cinco etapas nesta Vuelta. No quilômetro final, Ramses Debruyne (Alpecin-Premier Tech), Johannessen e Alessandro Romele (XDS Astana) abriram uma pequena vantagem.
Segundo colocado no dia anterior, no Collado del Alguacil, Johannessen finalmente conquistou sua primeira vitória em um Grand Tour. O norueguês superou Romele no sprint e encerrou um jejum de mais de três anos sem vitórias.
“Tenho procurado essa vitória há muito tempo. Estou tão feliz. Não sei nem o que dizer.” — Tobias Johannessen
Oito anos até o topo
Para Mas, Granada representa o fechamento de um ciclo iniciado em 2018. Aos 23 anos, o espanhol venceu na Collada de la Gallina e terminou sua primeira Vuelta em segundo lugar, sendo imediatamente apontado como uma das grandes esperanças do ciclismo espanhol.
Desde então, a vitória em uma grande volta permaneceu como o principal objetivo de sua carreira. Na Vuelta, voltou a terminar em segundo em 2021 e 2022, além de conquistar o terceiro lugar em 2024. Foram quatro pódios antes de finalmente alcançar o degrau mais alto.

A regularidade também apareceu no Tour de France, com o quinto lugar em 2020 e o sexto em 2021. Em 2020, a Movistar o contratou para ser sua principal referência nas grandes voltas. O caminho, porém, teve interrupções. Em 2025, uma tromboflebite na perna esquerda, diagnosticada após o Tour, encerrou prematuramente sua temporada e o afastou da competição durante meses.
Mas voltou em 2026 sem o mesmo ruído das temporadas anteriores. Na Vuelta, encontrou sua versão mais completa. Depois do abandono de Tadej Pogacar, vestiu a camisa vermelha, mas não se limitou a defendê-la: venceu no Alto de Aitana, sua primeira vitória na prova desde 2018, e mostrou força na decisiva contrarrelógio de Jerez, quando perdeu apenas 33 segundos para Primoz Roglic. A mudança também foi mental. Depois de anos convivendo com a pressão de ser o espanhol destinado a suceder uma geração de campeões, Mas passou a correr com mais maturidade e a desfrutar do próprio sofrimento.
A conquista que faltava
O título também encerra uma conta pendente com a Movistar. Em 2025, ao renovar seu contrato até 2029, Mas admitiu que carregava a frustração de tantos pódios e queria devolver à equipe uma vitória em uma grande volta. Em Granada, conseguiu. E o triunfo também recoloca a Movistar no topo da Vuelta dez anos depois de Nairo Quintana, em 2016.

Granada fechou o círculo. O ciclista de Artà que apareceu em 2018 como uma promessa do ciclismo espanhol, venceu na Collada de la Gallina e terminou sua primeira Vuelta em segundo lugar precisou de oito anos para alcançar o degrau que sempre perseguiu.
“Foi uma longa espera e um longo caminho até chegar a este dia. Mas, para ser sincero, as edições da Vuelta sempre foram especiais, e acho que esta é a mais especial de todas.” – comentou como em tom de desabafo, afinal Enric Mas já não é a promessa, nem o eterno candidato. É, finalmente, campeão da La Vuelta e leva a camisa roja para casa.
As demais camisas
Wout van Aert (Visma-Lease a Bike) confirmou a camisa verde e tornou-se o 13º belga a vencer a classificação por pontos da Vuelta. Para o belga, a conquista teve um significado especial depois da frustração de 2024, quando abandonou a prova justamente vestindo a camisa verde após uma queda.
“Depois de quase conseguir há dois anos e da grave lesão que tive depois, foi uma grande decepção. Isso torna ainda mais especial chegar até o fim e vestir esta bela camisa.” — Wout van Aert
Santiago Buitrago (Bahrain Victorious) confirmou a camisa de montanha e tornou-se o quinto colombiano a conquistar essa classificação na Vuelta. O ciclista destacou o esforço das três semanas e a força da equipe.
“Estou orgulhoso de levar esta camisa para casa. Sofri bastante, mas vou embora com muitas coisas positivas das batalhas diárias e da equipe incrível que tivemos nesta Vuelta.” — Santiago Buitrago

Entre os jovens, Oscar Onley (Netcompany Ineos) conquistou a classificação e tornou-se o primeiro britânico a vencer a camisa branca. Depois de uma Vuelta marcada por doença e quedas, o resultado teve um peso ainda maior para o ciclista.
“Acho justo dizer que esta não foi uma grande temporada para mim. Por isso, terminar a Vuelta já é um sucesso. Estar em um bom nível durante as três semanas também é muito positivo e me dá muita motivação e confiança para seguir em frente.” — Oscar Onley
Assim, com o encerramento da 81ª edição da Vuelta em Granada, tivemos Enric Mas finalmente no topo, oito anos depois de seu primeiro pódio na prova. Ao lado do espanhol, Johannessen celebrou sua primeira vitória em um Grand Tour, Van Aert confirmou a camisa verde, Buitrago conquistou a montanha e Onley tornou-se o primeiro britânico a vencer a classificação de jovens. Um final que reuniu em Granada tanto a consagração de quem esperou anos pelo título quanto a afirmação de novos protagonistas da Vuelta.
Vuelta a España
21ª Etapa – Carrefour Granada>Granada 112km – 📈 1.217m ganho de elevação
1- Tobias Johannessen🇳🇴 Uno-X Mobility – 2h54m08s
2- Alessandro Romele🇮🇹 – XDS Astana – m.t.
3- Ramses Debruyne🇧🇪 – Alpecin-Premier Tech – m.t.
Classificação Geral final
🥇 Enric Mas🇪🇸 – Movistar 73h52m55s
🥈 Primoz Roglic🇸🇮 – Red Bull-Bora-Hansgrohe +2m15s
🥉Felix Gall🇦🇹 Decathlon CMA CGM +2m44s
4- Richad Carapaz🇪🇨 – EF Education – Easy Post +6m54s
5- Sepp Kuss🇺🇸 – Visma-Lease a Bike +8m45s
Camisa Vermelha – CG – Enric Mas🇪🇸 – Movistar
Camisa Verde – pontos – Wout Van Aert🇧🇪 – Visma-Lease a Bike
Camisa de bolinhas – montanha – Santiago Buitrago🇨🇴 – Bahrain Victorious
Camisa Branca – jovem – Oscar Onley🇬🇧 – Netcompany Ineos
Melhor Equipe – Decathlon CMA CGM
Mundo Bici Mundo Bici – Por George Panara