LA VUELTA: LANDA RESSURGE E MAS FICA A UM PASSO DA VITÓRIA

Após um jejum de 11 anos, Mikel Landa reacende o pavio do Landismo com uma espetacular vitória no Collado del Alguacil, enquanto Enric Mas controla os ataques de Roglic, Carapaz e Gall e mantém a camisa vermelha na véspera da chegada em Granada; espanhol está prestes a conquistar o título que o país não celebra desde 2014, com Alberto Contador

Landa ressurge na etapa Rainha da Vuelta, vencendo com superioridade – foto: Cxciling/Toni Baixauli

Aos 36 anos Mikel Landa (Soudal Quick-Step) reencontrou a vitória na Vuelta no momento mais importante de sua temporada. O espanhol venceu sozinho no Collado del Alguacil, depois de uma etapa marcada por ataques desde os primeiros quilômetros e cinco subidas categorizadas, para conquistar seu segundo triunfo na prova, 11 anos depois da primeira vitória, em Cortals d’Encamp, em 2015.

Na disputa pela classificação geral, Enric Mas (Movistar) resistiu a todas as tentativas de seus principais rivais e chega à última etapa com a camisa vermelha praticamente assegurada. O espanhol está prestes a se tornar o primeiro vencedor espanhol da Vuelta desde 2014, com Alberto Contador.

A etapa, de 186,8 km entre La Calahorra e Collado del Alguacil, reunia quase 5.000 metros de desnível acumulado e cinco subidas categorizadas, com o Puerto de El Purche sendo o principal cenário para a primeira grande ofensiva da classificação geral.

Fuga se forma após largada explosiva

Wout van Aert (Visma-Lease a Bike), de camisa verde, atacou assim que a bandeira foi baixada e levou Ivo Oliveira (UAE Emirates XRG) com ele. A movimentação provocou uma série de cortes no pelotão, com Enric Mas chegando a ficar momentaneamente para trás, mas a Movistar reagiu rapidamente e fechou o espaço.

A Uno-X Mobility assumiu então o controle da ofensiva, lançando vários ciclistas para alcançar Van Aert e Oliveira. Magnus Cort, Simon Dalby, Tobias Johannessen, Andreas Kron e Andreas Leknessund participaram da movimentação, que ganhou novos integrantes até formar uma fuga de 14 ciclistas no km 26.

Atrás, um grupo de 55 perseguidores também se organizou, com Guillaume Martin-Guyonnet (Groupama-FDJ United), 12º colocado na geral, 18min19s atrás de Mas, como principal ameaça à classificação.

Santiago Buitrago (Bahrain Victorious) e Eddie Dunbar (Pinarello Q36.5) também voltaram a se movimentar, enquanto EF Education-EasyPost, Visma-Lease a Bike e Movistar colocavam vários ciclistas na perseguição.

Kuss e Carapaz atacam de longe

A Uno-X continuou ditando o ritmo na frente, enquanto Van Aert somava pontos nas subidas do Puerto de Blancares e nas duas passagens pelo Puerto de El Purche.

Com a fuga abrindo quase dez minutos, Sepp Kuss (Visma-Lease a Bike) atacou na primeira subida do El Purche, quando ainda faltavam cerca de 100 km para a chegada.

Richard Carapaz (EF Education-EasyPost) também partiu para o ataque na subida. O equatoriano rapidamente alcançou Kuss e obrigou Felix Gall (Decathlon CMA CGM) a iniciar a perseguição. O austríaco conseguiu fechar o espaço no alto da montanha, enquanto apenas, Mas e Primoz Roglic (Red Bull-Bora-Hansgrohe) permaneciam junto aos principais candidatos.

Carapaz e Kuss – forçaram o ritmo entre os favoritos, para o estadunidense a etapa foi positiva, subiu 6 posições na CG, indo ao 5º lugar – foto: Cxciling/Toni Baixauli

Carapaz tentou novamente na segunda passagem pelo El Purche, mas desta vez não obteve sucesso na tentativa de se distanciar de Mas, Gall e Roglic.

No sprint intermediário de Güejar Sierra, no km 144, Van Aert passou em primeiro e praticamente assegurou a camisa verde na véspera da chegada em Granada.

Landa aparece e ataca a montanha para a vitória

Na descida seguinte, Mikel Landa conseguiu alcançar o grupo da frente. Ramses Debruyne (Alpecin-Premier Tech) também chegou à fuga na base do Puerto de El Duque e imediatamente acelerou. Apenas Landa e Tobias Johannessen conseguiram acompanhar o belga, formando o trio que seguiria para a subida final.

Atrás, Kuss voltou a atacar no grupo da classificação geral e conseguiu se distanciar. Carapaz foi insistente em seus ataques para abrir espaço, em alguns com a colaboração de seu jovem Juan Felipe Rodríguez (uma das revelações desta Vuelta). Foram seis ataques, porém não conseguiu abrir uma brecha diante de seus rivais.

Landa, Debruyne e Johannessen -foto: Cxciling/Toni Baixauli

Na frente, o trio chegou à última subida, o Collado del Alguacil, com 8,3 km de extensão, média de 9,8% e rampas de até 22%. A sete quilômetros da chegada, Landa acelerou e deixou Johannessen para trás. O espanhol abriu vantagem rapidamente e seguiu sozinho até a chegada, conquistando sua segunda vitória na Vuelta, 11 anos depois do triunfo em Cortals d’Encamp. Kuss, com o apoio de Van Aert e posteriormente de Jørgen Nordhagen, terminou em oitavo, a 4min35s de Landa.

Mas resiste e praticamente garante a camisa vermelha

Na luta pela geral, Gall foi o mais forte nos dois quilômetros finais e conseguiu abrir vantagem sobre os rivais. O austríaco ganhou 17 segundos sobre Mas, 55 segundos sobre Roglic e 1min54s sobre Carapaz que foi para o tudo ou nada na etapa, afundou na subida ao Collado del Alguacil – assim como Roglic, terminando a 8m31s de Landa

Apesar de ceder algum tempo para seu compatriota, Landa, vencedor da etapa, Mas manteve a liderança e os quatro primeiros lugares da classificação geral permaneceram inalterados. O espanhol segue na frente de Roglic e Gall e chega a Granada em posição privilegiada para conquistar a Vuelta.

A grande mudança foi a ascensão de Kuss ao quinto lugar, enquanto Oscar Onley (Netcompany Ineos) caiu para sexto. O britânico, no entanto, praticamente assegurou a camisa branca, de melhor jovem, diante de Jakob Omrzel (Bahrain Victorious).

Mikel Landa: “Pensei nos meus filhos – não poderia voltar para casa daquele jeito”

“Eu não esperava, mas vinha sonhando com isso. Hoje era minha última chance e eu não queria deixá-la escapar. Pensei nos meus filhos – não poderia voltar para casa daquele jeito. E, se um dia eles virem isso e entenderem, quero que saibam que nunca se deve desistir.

A equipe também acreditou em mim. Eles me apoiaram durante toda a Vuelta, cuidaram de mim e demonstraram carinho, e tudo isso é graças a eles. Com o ano difícil que tive – na verdade, os anos difíceis –, sofri muito. Hoje, tudo faz sentido.”

Santiago Buitrago: “Cheguei completamente esgotado”

“Foi um dia brutal. Desde o início da etapa eu não fazia ideia de como a corrida estava se desenrolando, porque estava tudo fragmentado. Hoje cheguei completamente esgotado. Também tínhamos Jakob (Omrzel), que havia ficado com Onley, e eles me fizeram parar. Foi uma corrida muito louca, uma etapa muito dura. Eu só queria chegar à linha de chegada. Sem dúvida, Wout (van Aert) era uma ameaça. Se alguém poderia tirar a camisa de mim, era ele. Por isso eu sempre disse que os pontos nunca eram suficientes. Hoje, isso realmente me assustou.”, destacou o colombiano, líder da classificação de montanha.

Mas sustentou a camisa ‘roja’ por 15 dias com força e correndo de forma inteligente – foto: Cxciling/Angel Camarena

Enric Mas: “Eu só estava contando os quilômetros”

“É a primeira vez na minha vida que me sinto assim. Estou feliz. Para ser sincero, eu só estava contando os quilômetros. Minha sensação foi ótima. A equipe fez novamente um trabalho excelente. Eu venci porque a equipe fez tudo por mim. Obrigado.”

Vuelta a España

20ª Etapa – La Calahorra>Collado del Alguacil  186,8 km  – 📈 4.890m ganho de elevação

1. Mikel Landa🇪🇸 – Soudal Quick-Step – 4h58m01s – vel. média 37.609 km/h

2. Tobias Johannessen🇳🇴  – Uno-X Mobility +47s

3. Ramses Debruyne🇧🇪 Alpecin-Premier Tech +1m27s

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