Pauline Ferrand-Prévot, Demi Vollering e Katarzyna Niewiadoma lideram um pelotão de estrelas em nove etapas por 1.174,7 km, quase 19 mil metros de altimetria e desafios que vão de um contrarrelógio em Dijon ao mítico Mont Ventoux, 147 ciclistas iniciam na Suíça a batalha pelo Maillot Jaune. E no pelotão mais uma vez a brasileira Tota Magalhães

A elite do ciclismo feminino mundial está reunida na Suíça para uma das disputas mais aguardadas da temporada. O Tour de France Femmes avec Zwift 2026 começa neste sábado, 1º de agosto, com a Grand Dèpart, em Lausanne, e terá nove etapas até a chegada a Nice, no dia 9.
No caminho, as 147 participantes enfrentarão 1.174,7 quilômetros de competição e 18.775 metros de ganho acumulado de elevação, em um percurso desenhado para produzir diferentes cenários de corrida e manter aberta a disputa pela Maillot Jaune até os últimos quilômetros.
Entre as principais candidatas ao título estão três ciclistas que já conhecem o sabor da vitória no Tour. A atual campeã, Pauline Ferrand-Prévot, defenderá o título conquistado em 2025. A polonesa Katarzyna Niewiadoma-Phinney, vencedora em 2024, também chega como uma das referências da prova, enquanto Demi Vollering, número 1 do ranking mundial da UCI, completa o trio de grandes favoritas.
A disputa, porém, está longe de se limitar às três campeãs. Anna van der Breggen e Marlen Reusser aparecem entre as principais ameaças, em uma lista que ainda reúne especialistas em diferentes terrenos e ciclistas capazes de aproveitar as oportunidades oferecidas pelo percurso.

A brasileira Ana Vitória Tota Magalhães, participará pela segunda vez da Grande Volta Feminina, no ano passado ela terminou na 74ª colocação. Neste ano ela vem de disputar o Giro d’Italia, onde terminou em 33º e a Vuelta a España onde ficou em 66ª. E é a primeira brasileira a disputar as três Grandes Voltas.
Disputa do Maillot Jaune começa na Suíça
A largada acontece em Lausanne, onde a primeira etapa já coloca a classificação geral em jogo. O trecho final será disputado em subida, com chegada no alto da Côte Saint-François, cenário que promete uma primeira seleção entre as candidatas à liderança.
A Holanda chega com duas armas importantes: Marianne Vos e Lorena Wiebes. A francesa Célia Gery, campeã nacional, é apontada como uma das possíveis surpresas, enquanto a torcida suíça terá suas esperanças concentradas em Noemi Rüegg, que poderá buscar uma vitória histórica justamente no Dia Nacional da Suíça, em 1º de agosto. O percurso da primeira etapa também traz uma referência recente do Tour masculino. Foi na Côte Saint-François que Wout van Aert venceu uma etapa do Tour de France de 2022.
Montanhas, ataques e uma contrarrelógio decisiva
Após a abertura em Lausanne, a segunda etapa, entre Aigle – cidade sede da UCI – e Genebra, deverá favorecer as velocistas. A passagem pela Suíça termina na terceira etapa, quando o pelotão deixará Genebra rumo a Poligny, atravessando a cadeia do Jura.
Será o primeiro grande teste de montanha da competição e uma oportunidade para as chamadas baroudeuses — ciclistas agressivas e especialistas em ataques e fugas.

“Começamos subindo a primeira verdadeira montanha deste Tour de France Femmes avec Zwift. Por isso, diria que esta é uma etapa para as ‘baroudeuses’”, explica Marion Rousse, diretora da prova.
Na quarta etapa, o cenário muda completamente. As especialistas contra o relógio terão 21 quilômetros entre Gévrey-Chambertin e Dijon para estabelecer diferenças importantes na classificação geral.
O desafio contra o tempo poderá ser um dos pontos de inflexão da competição. Segundo Rousse, algumas ciclistas poderão ser obrigadas a assumir uma postura mais agressiva nas etapas seguintes para recuperar o tempo perdido.
Um percurso para ciclistas agressivas
A quinta etapa, com chegada em Belleville-en-Beaujolais, apresenta características próximas às das clássicas e deverá favorecer novamente ataques e movimentos ofensivos. É um terreno que poderá beneficiar ciclistas capazes de se posicionar bem e aproveitar momentos de indecisão do pelotão.
Mas o grande confronto entre as candidatas à classificação geral deverá acontecer na sétima etapa, com a chegada no alto do Mont Ventoux.
A montanha, um dos maiores símbolos do ciclismo mundial, representa um dos grandes desafios desta edição do Tour de France Femmes.
“É difícil encontrar um lugar melhor para uma prova de ciclismo, seja pelo mito que envolve esta montanha ou pelo desafio que ela representa”, destaca Marion Rousse.
A subida deverá estabelecer diferenças importantes entre as candidatas e pode ser determinante para definir quem chegará às etapas finais vestindo o Maillot Jaune.
Nice pode mudar tudo
Mesmo depois do Mont Ventoux, a corrida estará longe de estar decidida. A nona e última etapa, em Nice, na Côte d’Azur, no sul da França, foi desenhada justamente para oferecer uma última oportunidade de alterar a classificação geral.
O percurso prevê quatro voltas pelo Col d’Èze, com a última passagem incluindo a subida pelo Chemin du Vinaigrier.
“Com quatro voltas pelo Col d’Èze, incluindo a subida pelo Chemin du Vinaigrier na última passagem, haverá terreno suficiente para transformar a classificação naquele dia”, afirma Rousse.
A combinação de montanhas, descidas e trechos técnicos poderá proporcionar uma última batalha entre as candidatas, deixando aberta a possibilidade de mudanças na classificação até a chegada.
Uma edição aberta e imprevisível
O Tour de France Femmes avec Zwift 2026 reúne praticamente todos os ingredientes para uma disputa de alto nível: 147 ciclistas, nove etapas, 1.174,7 quilômetros, 18.775 metros de altimetria e uma sucessão de terrenos capazes de favorecer diferentes estilos de corredoras.

Pauline Ferrand-Prévot chega como a mulher a ser batida. Vollering busca recuperar o protagonismo e transformar sua liderança no ranking mundial em vitória no Tour. Niewiadoma-Phinney tenta repetir o triunfo de 2024. E nomes como Van der Breggen, Reusser, Vos e Wiebes podem alterar o roteiro da prova.
A resposta começa a ser construída em Lausanne. A definição, porém, só deverá acontecer depois de nove dias de ataques, montanhas, velocidade e estratégia — com Nice como palco da última batalha pelo Maillot Jaune.
Mundo Bici Mundo Bici – Por George Panara