O Tour de France 2026 terminou exatamente como merecia: com espetáculo. Tadej Pogacar conquistou seu quinto título na maior prova do ciclismo mundial, igualando o recorde de cinco lendas da modalidade, mas recusou o papel de mero vencedor em desfile pelas ruas de Paris. Vestindo a camisa amarela, atacou ao lado de Mathieu van der Poel na última subida de Montmartre e transformou a etapa final em uma autêntica clássica. A vitória ficou com o neerlandês no sprint dos Champs-Élysées, à frente de Jasper Philipsen, e com o camisa verde, Mads Pedersen em 3º confirmando sua extraordinária campanha

A tradicional etapa final do Tour de France nos Champs-Élysées, renovada com três passagens pela icônica subida de Montmartre, entre o Moulin Rouge e a Basílica de Sacré-Cœur, perdeu aquele jeitão de desfile de domingo pelas ruas de Paris, decidido com um sprint. Desta vez tivemos um final inesquecível. Raramente um cenário e seus protagonistas se engrandecem de forma tão harmoniosa quanto Paris e dois dos maiores nomes do ciclismo mundial: Tadej Pogacar (UAE Team Emirates-XRG) e Mathieu van der Poel (Alpecin-Deceuninck) em um duelo que remeteu à decisão de alguma das grandes clássicas.
Vestindo a camisa amarela e pedalando rumo ao seu quinto triunfo na classificação geral — igualando o recorde histórico —, Tadej Pogacar (UAE Emirates XRG) protagonizou uma série de ataques na subida da Côte de la Butte Montmartre. Após a terceira e última ascensão, apenas Mathieu Van der Poel (Alpecin-Premier Tech) permanecia com ele na liderança. A dupla trabalhou em conjunto para conter o pelotão em um final emocionante. Quando Pogacar perdeu o fôlego, e finalmente deu sinal de cansaço, Van der Poel percorreu os últimos 600 metros sozinho, resistindo por uma margem mínima à investida dos velocistas — liderados por seu companheiro de equipe Jasper Philipsen — na linha de chegada, com o vencedor da classificação por pontos, Mads Pedersen (Lidl-Trek) na terceira posição
Para Pogacar, o desempenho coroou a conquista de seu quinto título do Tour de France (2020. 2021, 2024, 2025, 2026), igualando o recorde histórico de Jacques Anquetil (1957, 1961, 1962, 1963,1964), Eddy Merckx (1969, 1970, 1971, 1972,1974), Bernard Hinault (1978, 1979, 1981, 1982,1985) e Miguel Indurain (1991, 1992, 1993, 1994,1995) , únicos ciclistas a vencerem cinco vezes a Grande Volta francesa.
Na classificação geral, Remco Evenepoel (Red Bull-Bora-Hansgrohe) garantiu o segundo lugar, a 6min26s, enquanto o mexicano Isaac del Toro (UAE Team Emirates-XRG) terminou em terceiro, a 9min42s, após travar uma disputa equilibrada pelo pódio com Paul Seixas (Decathlon CMA CGM), quarto colocado e uma das grandes revelações desta 113ª edição do Tour. Os dois jovens ainda se destacam por ser esta sua primeira participação no Tour e completarem a prova com tamanho destaque.
O equatoriano Richard Carapaz (EF Education-EasyPost) conquistou a camisa de bolinhas como Rei da Montanha e também recebeu o prêmio de Supercombativo da competição. Já Quinn Simmons foi eleito o melhor gregário da prova, coroando o excelente desempenho coletivo da Lidl-Trek, vencedora da classificação por equipes.
Etapa mais curta, mas cheia de emoção
A última etapa – que deveria sair de Thoiry – acabou encurtada por motivo dos grandes incêndios que vem castigando a França – como as forças públicas foram deslocadas para as áreas em risco, a organização em acordo com as autoridades optou por levar a largada para o circuito parisiense em percorrer 88,7 km

O roteiro previa sete voltas no tradicional circuito dos Champs-Élysées, com 6,8 km cada, seguidas por três voltas em um traçado de 12 km que incluía a subida de Montmartre, transformada em símbolo dos Jogos Olímpicos de Paris 2024 e também palco do espetáculo protagonizado por Tadej Pogacar e Wout van Aert na edição anterior do Tour.
Após duas voltas iniciais com a tradicional sessão de fotos em movimento do campeão e seus companheiros e das equipes, a disputa começou efetivamente na terceira volta, quando Baptiste Veistroffer (Lotto Intermarché) atacou e pedalou alguns minutos isolado na liderança, tornando-se o primeiro a passar pelo sprint intermediário, localizado na quinta passagem pelos Champs-Élysées (km 27,9).
Azparren à frente na primeira subida a Montmartre
Na sétima volta, Xabier Mikel Azparren (Pinarello-Q36.5) e Thibault Guernalec (TotalEnergies) abriram vantagem e chegaram a cerca de 30 segundos no momento em que foi registrada a passagem válida para a classificação geral. A dupla iniciou na frente a primeira escalada da Côte de la Butte Montmartre (4ª categoria, com 1 km a 6,4%).
Foi justamente nessa subida que Mads Pedersen (Lidl-Trek) lançou um forte ataque, fragmentando o pelotão e reduzindo o grupo principal para pouco menos de uma centena de ciclistas.

Na segunda passagem por Montmartre (km 62,4), Tadej Pogacar desferiu um ataque devastador que teve resposta apenas de Mathieu van der Poel (Alpecin-Premier Tech). Pouco depois, Remco Evenepoel (Red Bull-Bora-Hansgrohe) e o próprio Pedersen conseguiram alcançar a dupla, formando um forte grupo de ponta.
Apesar do excelente entendimento entre os líderes, foram alcançados a 19,5 km da chegada, graças ao trabalho do pelotão comandado pela Decathlon CMA CGM, que apostava em um sprint para Olav Kooij.
Como em uma clássica: duelo entre Pogacar e Van der Poel
Um pelotão ainda numeroso iniciou unido a volta final. Na terceira e decisiva ascensão à Côte de la Butte Montmartre (km 78,4), foi Van der Poel quem iniciou as hostilidades, e apenas Pogacar teve forças para acompanhá-lo, e partiram em dupla – como se estivessem definindo uma clássica monumento.
Enquanto isso, Matteo Jorgenson, Per Strand Hagenes (Visma | Lease a Bike), Ben Healy (EF Education-EasyPost), Jonas Abrahamsen (Uno-X Mobility), Matej Mohoric (Bahrain Victorious) e Jasper Stuyven (Soudal Quick-Step) organizaram um grupo perseguidor. No entanto, eles acabaram absorvidos por um reduzido pelotão de cerca de 40 ciclistas, conduzido novamente pela Decathlon CMA CGM, que reduziu a diferença para apenas 20 segundos quando restavam 5 quilômetros para a chegada.

Mathieu van der Poel rodava com mais consistência, quando Pogacar viu o grupo se aproximar não teve forças para prosseguir. Os dois gigantes foram alcançados dentro do último quilômetro. Van der Poel lançou seu sprint a 600 metros da linha de chegada e, finalizou lançando sua bicicleta à frente com o clássico ‘golpe de rins’, vencendo diante de seu companheiro Jasper Philipsen. O incansável Mads Pedersen, dono da camisa verde, completou o pódio da etapa que encerrou em grande estilo o Tour de France 2026.
Tour de France 2026
21ª Etapa – Paris – Champs-Élysées > Paris – Champs-Élysées – 88,7 km – 📈 680 mm altimetria acumulada
1- Mathieu Van Der Poel 🇳🇱 – Alpecin-Premier Tech
2- Jasper Philipsen 🇧🇪 – Alpecin-Premier Tech – m.t.
3- Mads Pedersen 🇩🇰 – Lidl-Trek – m.t.
Classificação Geral final – após 21 etapas
1-Tadej Pogacar 🇸🇮 – UAE Team Emirates XRG – 73h56’26”
2- Remco Evenepoel – Red Bull – Bora – Hansgrohe +6m26s
3- Isaac Del Toro🇲🇽 – UAE Team Emirates XRG +9m42s

Camisa Amarela – Tadej Pogacar 🇸🇮 – UAE Team Emirates XRG
Camisa Verde – Mads Pedersen 🇩🇰 – Lidl-Trek
Camisa de bolinhas – Richard Carapaz 🇪🇨 – EF Education – Easypost
Camisa Branca – Isaac Del Toro🇲🇽 – UAE Team Emirates XRG
Mundo Bici Mundo Bici – Por George Panara