GIRO DO VALLE D’AOSTA: DUELO SULAMERICANO

Henrique Bravo e Mateo Ramirez deram ritmo latino à terceira etapa.  De comum acordo, colocaram emoção na corrida:  caçaram a fuga, trocaram de caramanhola no caminho e foram para a definição nos metros finais. Etapa para o equatoriano, Bravo em segundo, segue líder

Ramírez foi o mais forte nos últimos metros e levou a 3ª etapa – foto: Giro della Valle d’Aosta – Alexis Courthoud

Hoje foi dia dos sul-americanos dominarem o Vale d’Aosta com o equatoriano Mateo Pablo Ramírez (UAE Team Emirates Gen Z) e o brasileiro Henrique Bravo (Soudal Quick-Step Devo Team), mostrando toda sua técnica, respeito em um emocionante duelo.

O equatoriano chegou com mais força na exigente chegada de Saint-Christophe, com rampas em dois dígitos de inclinação, levou a etapa, mas  Henrique Bravo voltou a confirmar o talento que vem demonstrando na atual temporada mantendo a camisa amarela de líder da classificação geral, com 26 segundos de vantagem.

A terceira etapa disputada foi disputada em um percurso saindo de Saint-Christophe percorrendo 154,9 km e retornando à cidade, para uma chegada duríssima.

A primeira subida categorizada foi o GPM de Doues, com 3,2 km de extensão, inclinação média de 7,9% e trechos de até 11,8%. A passagem foi vencida por Giacomo Rosato (Bahrain Victorious), trabalhando em favor de seu companheiro Kasper Borremans, líder da classificação de montanha. O francês Gustave Blanc (Red Bull) manteve a camisa branca de melhor jovem (nascidos em 2007).

Na fuga do dia, formada por volta do km 35 ,  não estavam principais candidatos à classificação geral, e reuniu 17 ciclistas: Wouter Toussaint (Lotto Groupe Wanty), Bálint Feldhoffer (Bahrain Victorious Development Team), Finn O’Brien (Development Team Picnic PostNL), David Gaffney (Hagens Berman Jayco), Liam O’Brien (Lidl Trek Future Racing), Emil Nielsen (NSN Development Team), Ben Morin (NSN Development Team), Anatol Friedl (Red Bull Bora Hansgrohe Rookies), Gauthier Servranckx (Soudal Quick-Step Devo Team), Ugo Fabries (UAE Team Emirates Gen Z), Mark Lightfoot (AVC Aix en Provence), Daniel Lima (Bourg en Bresse Ain), Cristian Remelli (General Store Essegibi F.lli Curia), Ryan Gal (Metec Solarwatt p/b Mantel), Stefano Masciarelli (Padovani Polo Cherry Bank), Baptiste Derouault (Team 74 Haute Savoie) e Melk Zumstein (Velo Club Mendrisio).

No GPM de Verrogne(km 51,1 ) , o grupo do líder com a  camisa amarela tinha atraso de 2min05s,  o húngaro Bálint Feldhoffer foi o primeiro a cruzar o topo da subida. Depois que Melk Zumstein perdeu contato com o grupo, os 16 remanescentes passaram pela meta volante de Saint-Christophe (km 99,9), na primeira passagem pela linha de chegada, com 1min30s de vantagem sobre o pelotão, conduzido pela Red Bull Bora Hansgrohe Rookies.

A meta volante de Saint-Christophe foi vencida por Liam O’Brien (Lidl Trek Future Racing), à frente de Cristian Remelli (General Store) e Finn O’Brien (Development Team Picnic PostNL). Sob calor intenso, O’Brien decidiu atacar sozinho. A iniciativa parecia quase suicida diante das condições extremas, mas o irlandês resistiu por muitos quilômetros.

A partir daí, a corrida entrou em sua fase decisiva. Restavam duas grandes dificuldades montanhosas: Jeanceyaz, com quase seis quilômetros de subida e média de 8%, chegando a 13,2%, e, principalmente, Saint-Barthélemy, uma longa ascensão de 17,2 quilômetros, com rampas de até 11,8%.

O irlandês acelerou nas rampas de Jeanceyaz (km 105,6), abrindo vantagem sobre seus companheiros de fuga. Atrás dele, Finn O’Brien, Emil Nielsen, Anatol Friedl, Gauthier Servranckx, Ugo Fabries, Mark Lightfoot e Cristian Remelli tentaram reagir, mas foram alcançados pelo grupo da camisa amarela no início da subida para Saint-Barthélemy (km 128,2), quando o pelotão já estava reduzido a cerca de 20 corredores

Enquanto isso, a fuga inicial era neutralizada e a Soudal Quick-Step Devo Team assumia o controle do pelotão. O ritmo era comandado pelo mexicano Said Cisneiros, representante de San Marino.

O forte calor não parecia segurar O’Brien, que rodava com mais de um minuto de vantagem quando, a seis quilômetros do topo, começou o esperado duelo entre Henrique Bravo e Pablo Ramírez. Separados por apenas 28 segundos na classificação geral, os dois aceleraram forte e, a três quilômetros da chegada ao cume, alcançaram e ultrapassaram o irlandês.

Bravo venceu o GPM de Saint-Barthélemy. Logo atrás perseguiam o alemão Max Bock (Red Bull Bora Hansgrohe Rookies), vice-líder da classificação geral, e o britânico Huw Buck Jones (Bourg en Bresse Ain).

Na descida, O’Brien mostrou toda a sua habilidade, chegando a atingir cerca de 90 km/h para voltar à roda de Bravo e Ramírez, reconectando-se com os ponteiros.

Apesar da disputa ente o brasileiro e o equatoriano, os dois debaixo de um forte calor repetiram o gesto de Bartali e Coppi , quando ainda na descida, numa curva,  Ramírez passou uma caramanhola para Henrique Bravo.

A descida terminou na cidade de Nus, a dez quilômetros da chegada, enquanto Bock e Buck apareciam 1min18s atrás.

Bravo, Ramírez e O’Brien chegaram juntos para disputar a vitória na dura rampa final de Saint-Christophe, o sprint começou a cerca de 200 metros da linha de chegada .

Giro della Valle d’Aosta – Alexis Courthoud

O irlandês entrou na última curva em primeiro, tentando surpreender os rivais, mas, a apenas 50 metros da linha de chegada, Mateo Ramírez encontrou espaço pela direita e arrancou com força para o triunfo, além de descontar dois segundos importantes na classificação geral.

Henrique Bravo cruzou a linha de chegada na segunda colocação e manteve a liderança da classificação geral, agora com 26 segundos de vantagem sobre Ramírez. Liam O’Brien completou o pódio da etapa.

Ao final da etapa, Ramírez comentou a dureza enfrentada no dia, mas acredita que ainda possa reverter o resultado na dura etapa final: “Estou muito feliz por conquistar a vitória em uma etapa tão difícil e disputada sob muito calor. Tentei de várias maneiras ganhar tempo sobre Henrique, mas ele foi muito forte e conseguiu resistir. A subida final de amanhã é muito longa e farei de tudo para tentar virar a classificação.”, comentou o equatoriano, que no ano passado terminou na 2ª posição no CG e neste ano tem como desafiante o brasileiro.

Com 28 segundos de vantagem e vestindo por mais um dia a camisa de líder, Henrique Bravo comentou: “Enfrentamos uma etapa realmente muito dura e, mais uma vez, a equipe fez um trabalho excelente, por isso só tenho a agradecer a todos. Quando Mateo Pablo atacou, consegui acompanhá-lo e me senti bem, mas ele foi mais forte no final. Ainda tenho vantagem na classificação geral e vou fazer de tudo para vencer esta corrida.”

O brasileiro conhece bem seu principal adversário, e sabe que a duríssima última etapa, com quatro montanhas categorizadas – em especial a Champlong (1ª categoria – 14,6 km – 1.599m – 6,3% a 11,9%) na sequência o Col Saint Pantaléon (3ª cat.  2,1 km – 1. 664m – 8,5% a 11,5%) e no final a Breuil Cervina (1ª cat. 17,4 km – 1.988m 5,5% a 14,3%) – é terreno propício para um ataque do equatoriano, um dia que exigirá cuidado e de muito trabalho da equipe em uma jornada decisiva.

62º Giro Ciclistico della Valle d’Aosta – Mont Blanc

3ª Etapa – Saint Christophe >Saint Christophe – 154.9 km

1- Mateo Ramirez 🇪🇨 – Uae Team Emirates Gen Z  – 4h20m31s – vel média 35.675 km/h
2- Henrique Bravo🇧🇷 – Soudal Quick Step Devo Team +2s

3- Liam O’Brien 🇮🇪 – Lidl Trek Future Racing + 2s

4- Huw Buck Jones 🇬🇧 – Bourg en Bresse Ain Cyclisme +48s

5- Max Bock🇩🇪 – RedBull Bora-hansgrohe Rookies +48s

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