A vitória da etapa mais longa do Tour de France 2026 teve dois vitoriosos, ambos integrantes de uma grande fuga onde estavam 57 ciclistas e que subiram com força e desceram com muita determinação o mítico Ballon d’Alsace. Se por um lado Mauro Schmid levou a etapa, Tom Pidcock saltou do 10º lugar na CG para o 4º e já é seu melhor desempenho na classificação geral em todas suas participações no Tour até hoje

Era uma etapa desenhada para a fuga, com a mítica subida do Ballon d’Alsace como principal obstáculo do dia, e dois ciclistas souberam aproveitá-la melhor do que ninguém. O suíço Mauro Schmid (Jayco AlUla) coroou uma poderosa escapada de 57 corredores ao superar, no sprint mano a mano, pelas ruas de Belfort, o colombiano Harold Tejada (XDS Astana). O resultado representa o melhor desempenho de um colombiano em uma etapa do Tour de France desde Fernando Gaviria, vencedor da terceira etapa da edição de dois anos atrás, em Turim.
Porém, outro grande vencedor, foi o terceiro colocado, Tom Pidcock (Pinarello Q36.5), que conquistou mais de sete minutos e meio de vantagem sobre o pelotão principal e saltou para a quarta colocação na classificação geral provisória, a 4min15s do líder Tadej Pogacar (UAE Team Emirates XRG). Na CG nada muda, o esloveno administrou a etapa com tranquilidade e segue na camisa amarela, com 3min36s de vantagem sobre Jonas Vingegaard (Visma | Lease a Bike) e 4min06s sobre Remco Evenepoel (Red Bull-Bora-Hansgrohe).
Longa batalha até formar a fuga
A para a etapa mais longa desta edição com 205,8 quilômetros entre Dole e Belfort, um pelotão que largou com as baixas de Fernando Gaviria (Caja Rural-Seguros RGA), Jenno Berckmoes (Lotto Intermarché) e Frits Biesterbos (Picnic-PostNL) que saíram com lesões na clavícula após a queda no sprint do dia anterior e reduzindo a 171 ciclistas que teriam pela frente um percurso predominantemente plano em seus dois primeiros terços, mas reservava a tradicional subida do Ballon d’Alsace (1ª categoria, km 175,9) para a parte final.

Seguindo as previsões a jornada era propicia para as fugas, e a disputa para integrar o grupo escapado foi intensa e marcada por inúmeras tentativas. Em determinado momento, a UAE Team Emirates XRG tentou permitir a consolidação de um grupo com Alex Kirsch, Georg Zimmermann, Kasper Asgreen, Louis Vervaeke e Michael Kwiatkowski, mas a iniciativa acabou neutralizada.
Uma fuga com 33% do pelotão
Foram necessários 33 quilômetros até que se formasse um primeiro grupo de 37 escapados, reunindo nomes como Brandon McNulty, Tim Wellens, Victor Campenaerts, Per Strand Hagenes, Maxim Van Gils, Ben Healy, Matej Mohoric, Kévin Vauquelin, Jasper Philipsen, Mauro Schmid, Tom Pidcock, Quinten Hermans, Julian Alaphilippe, Marc Hirschi, entre outros.
As equipes que ficaram de fora da fuga, especialmente Lidl-Trek e Uno-X Mobility, recusaram-se a aceitar a situação. Após forte perseguição, no quilômetro 55 surgiu um segundo grupo com 20 ciclistas, incluindo Mads Pedersen, Harold Tejada, Josh Tarling, Ben O’Connor, Michael Matthews, Luke Plapp, Magnus Cort, Biniam Girmay e José Félix Parra.
Depois de uma perseguição longa e intensa, os dois grupos se uniram no quilômetro 114, restando 92 quilômetros para a chegada.
Pidcock na luta por um pódio na CG
Jasper Philipsen venceu o sprint intermediário de Mélisey (km 137,8), cidade natal de Thibaut Pinot, superando Mads Pedersen e Biniam Girmay na disputa pela classificação por pontos.

Nesse momento, o pelotão cruzou o sprint com 7min35s de atraso. A Bahrain Victorious assumiu o comando do grupo principal, substituindo a UAE Team Emirates XRG na tentativa de defender a posição de Lenny Martinez na classificação geral diante da ameaça representada por Tom Pidcock, que iniciou a etapa em décimo lugar, a 11min49s do líder.
Ao passar na frente pelo Col des Croix (3ª categoria, km 157,4), após trabalho de seu companheiro Quinten Hermans, Pidcock aparecia virtualmente no pódio da classificação geral, beneficiado por uma vantagem superior a oito minutos sobre o pelotão. A partir daí, a UAE voltou a colaborar na perseguição, provavelmente para proteger a posição de Isaac del Toro.
Schmid supera Tejada em Belfort
Na aproximação ao Ballon d’Alsace, Rick Pluimers iniciou os ataques e Kévin Vauquelin lançou uma forte aceleração, seguida por Maxim Van Gils, reduzindo o grupo de ponta a apenas oito corredores: McNulty, Plapp, Schmid, Pidcock, Clément Braz Afonso, Jordan Jegat, Van Gils e Vauquelin.
Antes do topo, Harold Tejada conseguiu alcançar os líderes, e logo após o início da descida foi a vez de Tim Wellens juntar-se ao grupo, formando um seleto pelotão de dez ciclistas na disputa pela vitória.
Tom Pidcock cruzou o topo do Ballon d’Alsace na primeira posição, com 8min15s de vantagem sobre o pelotão, onde Lidl-Trek e Red Bull-Bora-Hansgrohe trabalhavam para limitar as perdas.
Terminada a descida, uma sequência de ataques fragmentou novamente o grupo dianteiro.
A 16 quilômetros da chegada, Harold Tejada e Mauro Schmid abriram vantagem decisiva. Com 23 segundos de margem a cinco quilômetros da linha de chegada, os dois disputaram a vitória no sprint final, vencido pelo suíço.
Poucos segundos depois chegou o grupo perseguidor, liderado por Tom Pidcock, que ainda foi eleito o corredor mais combativo da etapa.
O pelotão cruzou a linha de chegada 7min32s atrás do vencedor, cedendo um tempo precioso que impulsionou significativamente as ambições de Pidcock na classificação geral.
Os candidatos em busca de lugar de destaque na classificação geral terão um desafio muito mais exigente neste sábado, na 14ª etapa do Tour, com 155,3 quilômetros entre Mulhouse e Le Markstein-Fellering, incluindo as ascensões ao Grand Ballon, novamente ao Ballon d’Alsace e ao Col du Haag.
Tour de France 2026
13ª Etapa – Dole>Belfort – 205,8 km – 📈 2.400m altimetria acumulada
1- Mauro Schmid 🇨🇭 – Team Jayco AlUla -4h06m58s
2- Harold Tejada 🇨🇴 – XDS AstanaTeam – m.t.
3- Tom Pidcock 🇬🇧 – Pinarello-Q36.5 Pro Cycling Team +2s
Mundo Bici Mundo Bici – Por George Panara