TOUR DE FRANCE: WAERENSKJOLD À TODA FORÇA, MESMO COM DORES

Na etapa mais rápida da história do Tour de France, com um pelotão rodando os 163,1 km planos a uma velocidade média de 50,9 km/h, não seria o dia das fugas.  Era dia para velocistas! E foi assim com  Soren Waerenskjold mostrando sua força bruta em um longo sprint de 350m conquistando sua primeira vitória em uma etapa do Tour, um dia depois de ter sofrido uma queda

Soren Waerenskjold arrancou a 350m da chegada, tomou a dianteira e foi até o final – foto: A.S.O./Charly Lopez

A 11ª etapa do Tour – entre Vichy e Nevers confirmou que os aventureiros das fugas, ou como são conhecidos na França os baroudeurs, sempre que podem vão arriscar e tentar até o último momento e nem por isso se deve descartar um velocista, independentemente se este sofreu uma queda no dia anterior.

Soren Waerenskjold (Uno-X Mobility que na etapa anterior havia sofrido uma queda e terminou na última posição na chegada a Le Lioran, começou o dia com uma grande dúvida: se resistiria até o final da jornada. Durante a etapa, chamou o médico da prova para tratar uma lesão na mão direita. No final, conquistou sua primeira vitória em uma etapa do Tour, aproveitando ao máximo sua potência bruta para iniciar o sprint a 350 metros da linha de chegada e superar Olav Kooij(Decathlon CMA CGM) e Jasper Philipsen (Alpecin-Premier Tech), que a princípio havia sido rebaixado da 3ª para a 119ª posição, e horas mais tarde a decisão do júri foi revertida recuperando seu lugar no pódio da etapa e Milan Fretin (Cofidis) voltando à 4ª colocação.

A fuga do dia foi formada por quatro ciclistas: Julian Alaphilippe (Tudor), Anthon Charmig (Uno-X Mobility), Nelson Oliveira (Movistar Team) e Mathis Le Berre (TotalEnergies). A exceção do ídolo francês, Alaphilippe, os outros resistiram à frente do pelotão até os derradeiros seis quilômetros para a chegada, quando foram alcançados quando as equipes se preparavam para o sprint final. A classificação geral, não sofreu alterações importantes. Tadej Pogačar (UAE Team Emirates XRG) segue na liderança da prova, enquanto Juan Ayuso (Lidl-Trek) continua vestindo a camisa branca de melhor jovem.

Pelotão rodando a mais de 50 km/h de média

Primeiro dia que uma chuva leve refrescou o pelotão, mas durou pouco e nem serviu para esfriar os 174 ciclistas que saíram de Vichy para enfrentar um percurso praticamente plano até Nevers, sob um sol radiante

Mathieu van der Poel (Alpecin-Premier Tech) foi o primeiro a atacar em uma jornada marcada por uma intensa disputa pela formação da fuga. Somente após 13 quilômetros consolidou-se o grupo de escapados, formado por Anthon Charmig (Uno-X Mobility), Nelson Oliveira (Movistar Team), Mathis Le Berre (TotalEnergies) e um bastante ativo Julian Alaphilippe (Tudor).

Etapa curta, vento de ‘cauda’, tudo para colocar o pelotão rodando forte – ao final 50,91 km/h de média – a mais alta da história do TdF – foto: A.S.O./Charly Lopez

Liam Slock (Lotto Intermarché) ainda tentou fazer a ponte para alcançar a fuga, mas desistiu após a passagem pelo sprint intermediário de Saint-Pourçain-sur-Sioule (SI, km 27,8), vencido por Le Berre. Naquele momento, os escapados mantinham 1min30s de vantagem sobre o pelotão, liderado por Jasper Philipsen (Alpecin-Premier Tech) com grande interesse no final da etapa. Charmig foi o primeiro a passar no alto da Côte de Billonnière (4ª categoria, km 32,9), enquanto XDS Astana, trabalhando para Max Kanter, a Soudal Quick-Step, de Tim Merlier, e a NSN, de Biniam Girmay, comandavam a perseguição para controlar a vantagem da fuga

Trio é neutralizado a 6km da chegada

A vantagem máxima dos escapados chegou a 1min40s no quilômetro 89, mas caiu para 1min10s no topo da Côte de Billy-Chevannes (4ª categoria, km 123,4). Foi justamente nessa subida que Julian Alaphilippe perdeu contato com os companheiros, enquanto Charmig passou na frente de Nelson Oliveira e Mathis Le Berre.

O trio remanescente resistiu ao forte ritmo do pelotão — que também contava com o trabalho da Picnic PostNL e da Alpecin-Premier Tech — até restarem apenas seis quilômetros para a chegada.

Le Berre, Charming e Oliveira resistiram até os 6 km finais, depois foram engolidos pelo pelotão – foto: A.S.O./Charly Lopez

Na longa reta final, Cees Bol (Decathlon CMA CGM) chegou a abrir alguns metros de vantagem enquanto preparava o sprint para Olav Kooij. Oportunista,  o norueguês Soren Waerenskjold aproveitou a situação para lançar um sprint longo, a 350 metros da linha de chegada, ultrapassar o holandês cerca de 250 metros depois e resistir ao último impulso dos adversários para superar o próprio Kooij e Jasper Philipsen (Alpecin-Premier Tech), que segue sem conseguir vencer nesta edição da Grande Boucle.

Na classificação geral, não houve alterações.

Os velocistas terão uma nova oportunidade nesta quinta-feira, quando será disputada a 12ª etapa, com 179,1 quilômetros de percurso praticamente plano entre o Circuito de Magny-Cours e Chalon-sur-Saône.

Tour de France 2027

11ª etapa – Vichy > Nevers – 161,3 km 📈 1.400m de altimetria acumulada

1- Soren Waenskjold 🇳🇴 – Uno-X Mobility- 3h10’06”

2- Olav Kooij 🇳🇱 – Decathlon CMA CGM Team – m.t.

3- Jasper Philipsen 🇧🇪 – Alpecin-Premier Tech) – m.t.

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