Mais uma vez os fãs do ciclismo e os cidadãos cariocas acordaram com a notícia de que o teto do velódromo olímpico queimava. É muito azar um raio cair no mesmo lugar duas vezes, mas caiu três: balões ou um curto-circuito e o equipamento mais uma vez em risco

30 de julho de 2017
26 de novembro de 2017
8 de abril de 2026
Essas datas têm em comum o fogo no Velódromo Olímpico do Rio de Janeiro, localizado no Parque Olímpico da Barra. Se em 2017 o motivo oficial foram os balões que caíram sobre a cobertura, agora pelos relatos recebidos pela grande imprensa o fogo poderia teria começado em uma sala imersiva do Museu Olímpico, em uma área de aproximadamente 1.700 metros quadrados. O espaço reúne um acervo de cerca de 1 mil peças, distribuídas em 13 áreas temáticas, e poderia ter se alastrado para o teto feito de lã de cerâmica revestida com uma manta de TPO (Poliolefina Termoplástica) e um impermeabilizante para retardar o fogo.
Para controlar as chamas foram necessárias seis unidades do Corpo de Bombeiros, com cerca de 80 militares e 20 viaturas, que trabalharam no combate ao fogo , cerca das 9h30 o incêndio estava controlado, restrito à lona da cobertura, mas novas nuvens de fumaça reapareceram no fim da manhã. Não há vitimas.

– A gente, obviamente, quando olha para essa área, chama atenção. Não dá para afirmar que o incêndio começou ali. Ele pode ter começado ali, com a labareda aumentando, a força do fogo vai elevando e atingindo pontos mais altos. Pode ter atingido a lona ou o contrário. A gente pode ter o início na lona e essas partes que foram projetadas para baixo vieram a atingir o museu. Então, são possibilidades que isso vai ser investigado muito bem, obviamente, pela Polícia Civil, pela perícia, para a gente tentar descobrir realmente de onde veio., declarou o tenente-coronel Fabio Contreiras, ao site informativo Lance.
As imagens feitas do alto, são preocupantes, porém em declarações à imprensa, o prefeito Eduardo Cavaliere garantiu que tanto o Velódromo quanto o Museu Olímpico não foram danificados em suas estruturas principais, permanecendo preservados. A pista de ciclismo está intacta, segundo avaliação preliminar.
Difícil de acreditar que a pista de pinho siberiano não tenha sido impactada, a madeira ‘trabalha’ com as mudanças de temperatura ou mesmo com o excesso de água, e caso isso não tivesse afetado temos a fuligem da queima da cobertura que deve ter se espalhado por boa parte da pista, como de fato aconteceu em um dos incêndios de 2017 que exigiu uma profunda limpeza da parte mais importante do recinto.

Porém é preciso voltar no tempo e verificar que em 2017, após o incêndio no Velódromo do Parque Olímpico veio a público a informação de que a instalação não atendia às exigências do Corpo de Bombeiros para funcionar.
A época da sua inauguração, foi divulgado que as obras custaram cerca de R$ 137 milhões e foram marcadas pelo atraso, incluindo na entrega. Inaugurado em 26 de junho de 2016, com seis meses de atraso, foi o único equipamento dos Jogos Olímpicos de 2016 que não passou por um evento-teste.
Outra marca importante do velódromo é sua subutilização para a sua atividade fim: o ciclismo de pista. Para uma pista considerada pelos resultados apresentados pelos ciclistas uma das mais rápidas do mundo, com uma estrutura cara e de alto desempenho são poucas às vezes que as bicicletas rodam pelo piso de madeira.
Se as bicicletas não dominam o espaço, a prefeitura do Rio oferece atividades esportivas e culturais gratuitas para a população. Ao todo, aproximadamente 4.280 pessoas, a partir dos seis anos de idade, são atendidas em 33 modalidades esportivas e de lazer, como vôlei, basquete, ginástica, ciclismo, jiu-jitsu, judô, beach tennis e handebol. Outras modalidades esportivas usam a área interna para treinamentos de seleções ou competições, como o judô, o levantamento de peso ou a esgrima, além da federação de ginástica do Rio de Janeiro.
Porém as bicicletas desfilaram muito pouco pela pista. Além das Olimpíadas’2016 foram realizados os Mundiais de Paraciclismo em 2018, 2024 e 2025, e desde sua inauguração apenas um (1) campeonato brasileiro foi realizado por lá – em maio 2022 – com a Confederação, alegando altos custos para usar a estrutura (outro motivo em conversas mantidas alguns anos atrás quando abordamos o assunto seriam os preços mais altos para a hospedagem dos ciclistas em comparação aos praticados em cidades menores) e por isso acaba optando pelos velódromos de Maringá e Indaiatuba.
Neste ano, revertendo um pouco essa condição de pouco uso do espaço pela elite do ciclismo brasileiro, a CBC – Confederação Brasileira de Ciclismo, havia programado para o mês de agosto duas competições, a Taça Brasil no dia 7, e nos dias 8 e 9 uma prova do calendário continental – a Track American Series – porém com o incêndio e faltando 4 meses para o evento é difícil afirmar que ele será disputado no Rio de Janeiro, afinal toda a cobertura terá de ser refeita e é preciso verificar as condições da pista – o que ainda é muito cedo para avaliar.
Mundo Bici Mundo Bici – Por George Panara