Parcerias entre incorporadoras e empresas de mobilidade indicam que bicicletas elétricas passam a fazer parte da infraestrutura oferecida em novos empreendimentos residenciais. Parceria entre incorporadora e fabricante nacional prevê disponibilizar cerca de 1.600 e-bikes em novo empreendimento no Rio de Janeiro

A bicicleta elétrica começa a ocupar um novo espaço no mercado brasileiro: o dos empreendimentos imobiliários. Incorporadoras têm incluído soluções de micromobilidade aos projetos residenciais, refletindo mudanças no perfil dos consumidores e nas estratégias voltadas à mobilidade urbana.
O movimento acompanha o crescimento do segmento de bicicletas elétricas no país. Um estudo da Aliança Bike aponta que o mercado brasileiro movimenta cerca de R$ 511 milhões por ano e já supera 212 mil bicicletas elétricas em circulação, impulsionado pela busca por alternativas de transporte para deslocamentos urbanos de curta e média distância.
A tendência também acompanha conceitos urbanísticos que defendem cidades mais conectadas e com serviços acessíveis sem a necessidade do automóvel. Nesse contexto, itens como bicicletários, estações de recarga e integração com sistemas de transporte coletivo passam a fazer parte dos diferenciais oferecidos por novos empreendimentos.
A mobilidade sustentável passou a integrar estratégias ESG de incorporadoras, ao lado de iniciativas relacionadas à eficiência energética, gestão de resíduos e uso racional da água.
Um dos exemplos dessa estratégia é a parceria entre a LEV Bicicletas Elétricas e a Construtora Cury no empreendimento Luzes do Rio, em desenvolvimento na região do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro. O empreendimento prevê a construção de 1.700 apartamentos, distribuídos em quatro torres de 18 pavimentos, assim o projeto prevê a disponibilização de aproximadamente 1.600 bicicletas elétricas aos futuros moradores.
Localizado em uma área atendida por VLT, metrô, linhas de ônibus e infraestrutura cicloviária, o empreendimento busca incentivar a integração entre diferentes meios de transporte, reduzindo a dependência do automóvel para os deslocamentos diários.
Segundo Rodrigo Affonso, cofundador do Grupo LEV, a iniciativa reflete uma mudança na forma como a mobilidade vem sendo considerada nos projetos residenciais.
“A mobilidade é um dos grandes desafios das cidades contemporâneas e precisa ser pensada de forma integrada à maneira como as pessoas vivem. Quando a bicicleta elétrica passa a fazer parte da experiência residencial, ampliamos o acesso das pessoas à cidade e contribuímos para uma rotina mais eficiente, sustentável e saudável.”
A discussão ocorre em um momento em que fatores como tempo de deslocamento, acesso ao transporte público e oferta de infraestrutura cicloviária ganham importância na escolha de um imóvel. Para especialistas em mobilidade urbana, a bicicleta elétrica pode desempenhar um papel estratégico na chamada “última milha”, facilitando o acesso a estações de metrô, VLT e corredores de ônibus.
O setor imobiliário acompanha essa mudança ao incorporar estruturas voltadas à micromobilidade, como bicicletários, pontos de recarga e espaços destinados ao estacionamento de bicicletas. A proposta vai além da oferta de áreas de lazer e passa a considerar a mobilidade como um componente da qualidade de vida dos moradores.
Além da conveniência, iniciativas desse tipo também dialogam com a agenda ESG adotada por parte do setor da construção civil, ao estimular alternativas de transporte de menor impacto ambiental e incentivar a redução das emissões associadas aos deslocamentos urbanos.
Embora ainda seja uma prática restrita a alguns empreendimentos, a aproximação entre incorporadoras e empresas de mobilidade indica uma tendência de mercado. Em vez de oferecer apenas localização privilegiada, novos projetos começam a incorporar soluções que ampliam as opções de deslocamento dos moradores e fortalecem a integração entre habitação e mobilidade urbana.
Mundo Bici Mundo Bici – Por George Panara