Matthew Brennan confirma seu domínio entre os sprinters; em La Rábida chega ao quarto triunfo nesta Vuelta e se torna o primeiro estreante em um Grand Tour desde Fernando Gaviria, no Giro de 2017, a conquistar quatro etapas; britânico de 21 anos supera Bryan Coquard e Vito Braet após mais um lançamento perfeito de Wout van Aert, em uma chegada marcada pela velocidade e pelo vento

A última semana da Vuelta 2026 começou com mais uma demonstração de força da Visma-Lease a Bike. Matthew Brennan conquistou sua quarta vitória na competição, desta vez em La Rábida, depois de também triunfar em Manosque, Roquetes e Lorca.
Aos 21 anos, o britânico alcança um feito que não acontecia desde 2017: ele é o primeiro estreante em uma Grande Volta a vencer quatro etapas desde Fernando Gaviria, que conseguiu a mesma marca em sua estreia no Giro d’Italia daquele ano.
Brennan voltou a contar com a experiência e a potência de Wout van Aert nos quilômetros finais. O belga comandou mais uma vez o lançamento da equipe e colocou o companheiro na posição ideal para o sprint. Bryan Coquard (Cofidis) foi o segundo, enquanto Vito Braet (Lotto Intermarché) terminou em terceiro.
Com o resultado, a Visma-Lease a Bike chega a seis vitórias nesta edição da Vuelta: quatro de Brennan e duas de Van Aert, conquistadas em Loja e Córdoba.
A etapa 17, novamente com perfil favorável aos sprinters, oferece a Brennan uma nova oportunidade antes de a prova entrar nos três últimos dias decisivos para a classificação geral.
FUGA DE CINCO CICLISTAS
A etapa teve 181,1 km entre Cortegana e La Rabida, com 2.250 metros de ganho de elevação. Apesar do desnível acumulado, não havia nenhuma subida categorizada, e a maior parte do terreno ondulado estava concentrada na primeira metade do percurso.
Cinco ciclistas conseguiram abrir a fuga após 14 km: Kevin Vermaerke (UAE Emirates XRG), Valentin Madouas (Groupama-FDJ United), Simon Dalby (Uno-X Mobility), Jasha Sütterlin (Jayco AlUla) e Roland Thalmann (Tudor).

A Visma-Lease a Bike assumiu o controle do pelotão desde cedo. Os escapados chegaram a percorrer 48 km na primeira hora, mas conseguiram abrir apenas 2min45s.
Com o avanço da prova e a presença de trechos expostos ao vento, o pelotão aumentou o ritmo e reduziu progressivamente a vantagem. A fuga entrou nos últimos 100 km com menos de dois minutos e, a 60 km da chegada, a diferença já era inferior a um minuto.
VISMA ASSUME O CONTROLE
Nos últimos 50 km, Cofidis e Red Bull-Bora-Hansgrohe passaram a dividir com a Visma-Lease a Bike o trabalho na frente do pelotão.
A aceleração da Red Bull-Bora-Hansgrohe foi suficiente para neutralizar os cinco escapados a 23,5 km da chegada. O ritmo provocou ainda uma divisão momentânea no pelotão, com Magnus Cort (Uno-X Mobility) entre os ciclistas que ficaram para trás. O grupo, porém, conseguiu se reorganizar e voltou ao pelotão a 11 km da meta.
Com várias equipes posicionando seus trens nos quilômetros finais, a tensão aumentou. Mas, mais uma vez, a combinação entre Van Aert e Brennan mostrou-se superior.
VAN AERT LANÇA, BRENNAN CONCLUI
Dentro do último quilômetro, Van Aert encontrou espaço para acelerar e fez mais um lançamento perfeito para Brennan. O britânico assumiu a ponta no momento certo e arrancou para sua quarta vitória na Vuelta.
“A emoção ainda é a mesma. É inacreditável: quatro vitórias aqui, quando o plano era conquistar uma! Como equipe, estamos agora com seis, acho… já perdi a conta, vencemos tantas!”, afirmou Brennan após a chegada.
O britânico destacou o trabalho da equipe durante toda a etapa e, especialmente, a atuação de Van Aert na chegada.
“Você viu os companheiros durante todo o dia, eles simplesmente se esforçaram muito contra o vento. Para terminar assim, com Wout me levando até a linha em uma posição perfeita em um final tão caótico, foi perfeito.”
Brennan também reconheceu que é difícil encontrar um lançamento melhor do que o de Van Aert.
“Eu realmente não acho que seja possível competir com Van Aert como lançador. Foi uma pena termos perdido Christophe (Laporte), mas ainda é incrível o que conseguimos fazer mesmo estando com um homem a menos. Confiei muito em Wout e segui sua roda até o final.”
BRENNAN JÁ PENSA NO TOUR
A marca alcançada em La Rabida também fez Brennan olhar para o futuro. O último estreante em um Grand Tour a vencer quatro etapas havia sido Fernando Gaviria, no Giro de 2017. No ano seguinte, o colombiano venceu a primeira etapa do Tour de France e vestiu a camisa amarela.
Brennan já projeta algo semelhante para 2027, quando o Tour de France terá sua largada no Reino Unido. “O Tour começa no Reino Unido no próximo ano, e eu já disse à equipe, há dois anos, quando soube que haveria uma largada no Reino Unido, que gostaria muito de estar na linha de partida e ter caras como Wout e Christophe lá também. Podemos realmente tentar repetir o que fazemos aqui e buscar a camisa amarela no primeiro dia.”
VAN AERT: “MATTHEW ESTAVA SEMPRE COMIGO”
Mais uma vez decisivo, Van Aert explicou que sua missão foi proteger Brennan durante os trechos mais expostos ao vento e garantir sua posição para a chegada.
“Durante todo o dia tentei colocar Matthew em uma boa posição, porque havia alguns trechos abertos nos quais poderíamos esperar que as equipes da classificação geral tentassem alguma coisa, como vimos no final com a Red Bull-Bora-Hansgrohe.”
“Basicamente, ele estava sempre comigo. Depois, tentamos nos posicionar muito bem para a rotatória a 1 km da chegada. Tivemos muita ajuda da equipe até aquele ponto e o plano era irmos juntos apenas na reta final.”
Van Aert reconheceu que o lançamento precisou ser antecipado, mas Brennan respondeu no momento exato.
“Procurei os espaços para lançar meu sprint quando fosse necessário. Ainda era cedo, mas acho que Matthew começou a sprintar no momento perfeito.”
O belga já mira novas oportunidades nos próximos dias. “Vamos tentar novamente amanhã e aproveitar todas as oportunidades que ainda temos na última semana. Sete vitórias em etapas é algo que acontece muito raramente. Estamos muito orgulhosos das seis que já conquistamos, mas, com as pernas e o espírito de equipe que temos, continuaremos tentando.”
ENRIC MAS: “ESPERO QUE AS PERNAS ESTEJAM MELHORES AMANHÔ
Para Enric Mas, líder da classificação geral, a etapa representou uma oportunidade de recuperação depois da intensidade da semana anterior.
“Para mim e para a equipe foi ótimo ter uma etapa plana, porque precisávamos descansar um pouco depois da última semana. Hoje e amanhã não são dias fáceis, mas são diferentes para nós. Minha equipe me ajuda em todos os momentos.”
O espanhol admitiu ter sentido as pernas pesadas após um dia de ritmo mais tranquilo. “Minhas pernas estavam um pouco bloqueadas porque ontem fomos muito tranquilos, mas acho que é normal. Espero que as pernas estejam melhores amanhã. Vamos ver.”
A Vuelta agora segue para sua etapa 17, outra oportunidade para os velocistas, antes de entrar nos três últimos dias que definirão a classificação geral.
Vuelta a España
16ª Etapa – Cortegana>La Rábida – Palos de la Frontera 181,1 km – 📈 2.256m ganho de elevação
1- Matthew Brennan🇬🇧 – Visma – Lease a Bike – 3h56m33s – vel. média 45.935 km/h
2- Bryan Coquard🇫🇷 – Cofidis – m.t.
3- Vito Braet🇧🇪 Lotto Intermarché – m.t.
Mundo Bici Mundo Bici – Por George Panara