LA VUELTA: BRENNAN E A VISMA-LEASE A BIKE VOLTAM A ACERTAR O ALVO

Aos 21 anos, Matthew Brennan chega à sua terceira vitória na Vuelta, em sua primeira participação em uma Grande Volta — feito alcançado pela última vez por Tadej Pogacar, em 2019. Depois da frustração em Elche de la Sierra, o britânico e a Visma-Lease a Bike reagiram em Lorca e venceram a 11ª etapa

Três vitórias de Brennann nesta Vuelta – foto: Cxcling Creative Agency /Toni Baixauli

Após a frustração em Elche de la Sierra, a Visma-Lease a Bike e Matthew Brennan encontraram uma nova oportunidade em Lorca e não desperdiçaram a chance de conquistar a 11ª etapa da Vuelta 26. Aos 21 anos, o britânico chegou à terceira vitória na sua estreia em uma Grande Volta — feito que não era alcançado desde Tadej Pogačar na Vuelta de 2019. Entre os velocistas, o último a conquistar três etapas em sua primeira Grande Volta havia sido Fernando Gaviria, no Giro de 2017.

Brennan levou a melhor sobre Bryan Coquard (Cofidis), vencedor da oitava etapa, em Xeraco, e Jordi Meeus (Red Bull-Bora-Hansgrohe), que voltou a terminar entre os três primeiros pela terceira vez nesta Vuelta. Na quinta-feira, porém, o cenário será completamente diferente: a estrada sobe e o pelotão terá pela frente um duro confronto nas montanhas, com chegada em Calar Alto.

MAIS UMA CHANCE PARA OS VELOCISTAS?

A etapa entre Cartagena e Lorca, de 153,8 km, tinha um perfil predominantemente plano, com 1.350 metros de altimetria acumulada. O Alto de Aledo, uma subida de 9,5 km a 4,2%, aparecia como o principal obstáculo e poderia mudar o roteiro da prova a menos de 30 km da chegada.

Além da subida, os ciclistas estavam atentos ao vento nas estradas da região de Múrcia, território de forte tradição no ciclismo espanhol e ligado à carreira do emblemático Alejandro Valverde.

FUGA COM QUATRO CICLISTAS

Alessandro Covi (Jayco AlUla), vencedor da Vuelta a Murcia de 2022, foi um dos primeiros a atacar em Cartagena, ao lado de Domen Novak (UAE Emirates XRG) e Ethan Hayter (Soudal Quick-Step). Pouco depois, Sinuhé Fernández (Burgos Burpellet BH) conseguiu fazer a ponte e integrou a fuga, sua quarta participação em um grupo de escapados nesta Vuelta 26.

Com pouco mais de 30 km percorridos a fuga chegou a ter 1m30 de vantagem sobre o pelotão – foto: Cxcling Creative Agency

No pelotão, Cofidis e Visma-Lease a Bike assumiram o controle, repetindo a estratégia do dia anterior. Depois das dificuldades enfrentadas no terreno ondulado da etapa que terminou em Elche de la Sierra, as duas equipes estavam determinadas a não dar espaço aos primeiros atacantes. A vantagem máxima da fuga foi de apenas 1min45s, alcançada no km 30.

VENTO, ATAQUES E SPRINT EM ALTA VELOCIDADE

O ritmo do pelotão permaneceu elevado e Tudor, EF Education-EasyPost, Bahrain Victorious e XDS Astana aumentaram ainda mais a velocidade ao entrar em um trecho exposto ao vento. O grupo chegou a se dividir momentaneamente, enquanto os quatro escapados foram neutralizados a 93 km da chegada.

Com a situação novamente controlada, Ethan Hayter voltou ao ataque a 75 km do final, desta vez acompanhado por Larry Warbasse (Tudor). A dupla abriu 30 segundos e Hayter passou em primeiro pelo sprint intermediário antes de ser alcançada na subida do Alto de Aledo, terceira categoria, cujo topo estava no km 121,8.

Na ascensão, a Q36.5 impôs um ritmo forte. Wout van Aert (Visma-Lease a Bike), terceiro no sprint intermediário, passou em primeiro pelo topo e, na sequência, seus companheiros assumiram o comando de um pelotão reduzido, junto com Q36.5 e Uno-X Mobility. A INEOS Grenadiers também entrou na disputa pelo posicionamento.

Van Aert explicou depois que a estratégia da equipe incluía usar sua força nos metros finais para lançar Brennan. “Pude acelerar e dar velocidade ao Matthew”, contou o belga. Segundo ele, a equipe pretendia entrar na última curva em primeiro e segundo, com Christophe Laporte conduzindo os dois até o ponto decisivo. “Da minha posição, parecia que ninguém conseguia passar por ele, então foi um ótimo trabalho.”

Nos últimos quilômetros, o trem da Visma-Lease a Bike tomou definitivamente a frente. Brennan completou o trabalho e conquistou sua terceira vitória na Vuelta 26, à frente de Bryan Coquard e Jordi Meeus.

“É algo enorme ter vencido três etapas”, afirmou Brennan. O britânico fez questão de destacar o trabalho dos companheiros, muitos deles vencedores ou integrantes do pódio de Grandes Voltas e de grandes clássicas. “O fato de todos eles trabalharem para mim é uma oportunidade incrível. Sou muito grato por eles darem tudo para me ajudar.”

MAS MAIS UM DIA VESTIDO DE VERMELHO

Enquanto Brennan comemorava mais uma vitória, Enric Mas encerrava o dia sem alterações na classificação geral e manteve a liderança da Vuelta. O espanhol, que assumiu a camisa vermelha após o abandono de Tadej Pogačar, admitiu que a organização esperava provocar cortes com o vento.

“Acho que a organização desenhou esta etapa pensando em provocar cortes com o vento. O clima é o que é, e o vento não estava forte o suficiente. Chegamos à meta na mesma situação em que começamos, então estou feliz”, avaliou.

Mas agora concentra toda a atenção na etapa de quinta-feira, com chegada em Calar Alto. O espanhol guarda lembranças pouco agradáveis da subida. “Tenho péssimas lembranças de Calar Alto, em 2017, porque estava doente naquele dia”, revelou.

A história virou motivo de brincadeira recorrente com Juan José Lobato, seu massagista e ex-velocista. “Normalmente, eu deveria subir melhor do que ele. Mas naquele dia estávamos juntos, e ele está sempre rindo disso.” Desta vez, Mas espera escrever uma história diferente. “Amanhã espero aproveitar as últimas subidas e continuar vestindo a camisa de líder lá em cima.”

Vuelta a España

11ª Etapa  – Cartagena>Lorca –  153,8 km – 📈 1.351m ganho de elevação

1- Matthew Brennan🇬🇧 – Team Visma – Lease a Bike – 3h17m18s – vel. média 46.771 km/h

2- Bryan Coquard🇫🇷  – Cofidis – m.t.

3- Jordi Meeus🇧🇪 – Red Bull – Bora – Hansgrohe – m.t.

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