Britânico larga da quinta fila, recupera cerca de 30 posições e conquista seu segundo título mundial; suíça controla a prova feminina, abre mais de um minuto e garante o primeiro arco-íris no XCO

Finlay Tarling, falecido em um acidente na Volta a Portugal – foto: Michele Mondini
Tom Pidcock e Sina Frei são os novos campeões mundiais de XCO. Em Val di Sole, na Itália, o britânico protagonizou uma recuperação espetacular para conquistar seu segundo título mundial na disciplina, enquanto a suíça confirmou sua excelente fase e dominou a prova feminina, vencendo com mais de um minuto de vantagem. Dois títulos conquistados de maneiras completamente diferentes, mas que tiveram em comum a superioridade dos campeões no momento decisivo.
Pidcock transforma recuperação em espetáculo
A prova masculina começou com os grandes nomes do pelotão – e também do MTB – Tom Pidcock e Mathieu van der Poel largando da quinta fila, obrigados a superar o trânsito para não deixar os principais especialistas da Copa do Mundo abrirem vantagem. No início da primeira das oito voltas, os dois estavam por volta da 30ª posição, mas apenas 16 segundos separavam o britânico dos ponteiros.
Pidcock iniciou então uma impressionante recuperação. Com ultrapassagens constantes e forte ritmo nas subidas, avançou rapidamente pelo pelotão e, enquanto Van der Poel perdia terreno, aproximou-se do grupo que reunia Martin Vidaurre, Adrien Boichis, Luca Martin, Mathis Azzaro, Charlie Aldridge e outros protagonistas da temporada.
Os franceses começaram com muita força, colocando seu trio – Adrian Boichis, Mathis Azzaro e Luca Martin imprimindo um ritmo que tinha o claro objetivo de explodir o grupo – porém o esforço prematuro custou caro aos ‘Les Bleus’.
Na metade da prova, Charlie Aldridge acelerou e rompeu o grupo da frente. Vidaurre, Boichis e Cole Punchard conseguiram acompanhá-lo, mas Pidcock já estava logo atrás. Na quinta volta, a recuperação estava completa: o britânico havia alcançado os líderes.
A partir daí, começou outra corrida.

Pidcock aguardou alguns momentos antes de voltar a atacar. Na sexta volta, aumentou o ritmo e eliminou adversários um a um. Punchard foi o primeiro a ceder. Depois, Adrien Boichis, grande referência da temporada e recém-coroado campeão mundial de Short Track, também perdeu contato.
Na penúltima volta, Pidcock deixou Vidaurre para trás e passou a ter apenas Aldridge ao seu lado. Até que, na subida mais longa do circuito, o bicampeão olímpico voltou a acelerar e finalmente abriu vantagem sobre seu compatriota.
Pela primeira vez, Pidcock estava sozinho na liderança.
Com dez segundos sobre Aldridge na última volta, o britânico controlou a vantagem e cruzou sozinho a linha de chegada para conquistar seu segundo título mundial de XCO.

Charlie Aldridge completou a dobradinha britânica, 17 segundos atrás, enquanto o canadense Cole Punchard confirmou sua grande atuação com a medalha de bronze, a 31 segundos. Martin Vidaurre terminou em quarto, um tanto desolado pois havia se firmado na 3ª poisição porém um problema mecânico o tirou do pódio – e Adrien Boichis em quinto.

Mathieu van der Poel teve um dia difícil e terminou apenas na 30ª posição. Entre os brasileiros, Alex Malacarne terminou em 42º, depois de iniciar forte e rodar próximo aos ponteiros no start loop e na primeira volta, mas perdeu posições nas voltas seguintes. Ulan Galinski foi 35º, fazendo uma prova mais conservadora diante das exigências do circuito e recuperando algumas posições ao longo da disputa.
Domínio absoluto de Sina Frei
A suíça esteve entre as primeiras desde os quilômetros iniciais e rapidamente mostrou que seria a principal referência da prova. Martina Berta, Jenny Rissveds, Alessandra Keller, Savilia Blunk e Puck Pieterse estavam entre as favoritas, mas a corrida começou a sofrer alterações ainda no start loop, quando Keller teve um furo e perdeu contato com o grupo da frente.
Pieterse, que havia largado da quarta fila, fez uma excelente recuperação e rapidamente alcançou as primeiras colocadas. Na primeira volta, Frei, Rissveds, Batten, Blunk, Berta e Pieterse formavam o grupo dianteiro.
Na segunda volta, porém, Frei voltou a acelerar. Rissveds não conseguiu acompanhar e Martina Berta foi a única capaz de permanecer inicialmente com a suíça. Pouco depois, Frei fez novo movimento e desta vez nem Berta conseguiu responder.
A partir daquele momento, a disputa pelo título estava praticamente decidida.

Frei abriu cerca de 30 segundos na quarta volta e continuou aumentando a diferença. Atrás, Nicole Koller alcançou Berta, enquanto Pieterse lutava para se aproximar das duas e manter viva a disputa pelas medalhas.
Na passagem para a última volta, Frei já tinha mais de um minuto de vantagem. A suíça apenas administrou sua vantagem e completou a prova em 1h27min50s, conquistando o título mundial de XCO 2026.
A disputa pela prata foi decidida apenas na linha de chegada. Martina Berta e Nicole Koller chegaram juntas e fizeram um sprint emocionante. A italiana levou a melhor por poucos centímetros e ficou com a prata, enquanto Koller conquistou o bronze. Ambas receberam o mesmo tempo.

Puck Pieterse terminou em quarto, a 1min25s, depois de uma grande recuperação desde a quarta fila, e Samara Maxwell completou o Top 5, a 1min48s da campeã. Nenhuma das três brasileiras na disputa – Giuliana Morgen, Raiza Goulão e Karen Olímpio terminaram a prova na mesma volta do grupo das 30 melhores do dia, todas ficaram nos cortes técnicos.
Em Val di Sole, portanto, o Mundial de XCO terminou com dois campeões de estilos opostos: Tom Pidcock, que precisou passar por praticamente todo o pelotão antes de dominar a corrida, e Sina Frei, que impôs seu ritmo desde o início e não deu às adversárias qualquer chance de disputar o título.
Campeonatos Mundiais de Mountain Bike – Val di Sole-Trentino🇮🇹
XCO – Cross country olímpico
Elite Feminina – 53 ciclistas de 28 países – 1 volta de largada|1.600m +7 voltas x 3.5 km: 26.1 km
🥇Sina FREI🇨🇭 – 1h27m50s – vel. média 17.829 km/h
🥈Martina BERTA🇮🇹 + 1m07s
🥉Nicole KOLLER🇨🇭 +1m07s
35- Giuliana MORGEN🇧🇷 ➖1volta
42- Raiza GOULÃO🇧🇷 ➖2voltas
45- Karen OLÍMPIO🇧🇷 ➖4voltas


Elite Masculina – 85 ciclistas de 30 países – 1 volta de largada\1.600m +8 voltas x 3.5 km: 29.6 km
🥇Thomas PIDCOCK🇬🇧 – 1h25m26s
🥈Charlie ALDRIDGE🇬🇧 +17s
🥉Cole PUNCHARD🇨🇦 +31s
35- Ulan GALINSKI🇧🇷 +5m25s
42- Alex MALACARNE🇧🇷 +6m31s
55- Gustavo XAVIER🇧🇷 ➖2voltas
Mundo Bici Mundo Bici – Por George Panara