Norueguesa, Sigrid Haugset, da Uno-X Mobility protagoniza uma fuga brutal, sozinha resiste à perseguição da campeã mundial Lotte Kopecky e entra para a história do Tour de France Femmes

Sigrid Haugset transformou a 3ª etapa do Tour de France Femmes em uma demonstração de força. Sozinha por 88,5 quilômetros, a norueguesa segurou A vantagem sobre Lotte Kopecky, venceu em Poligny e tornou-se a primeira ciclista da Noruega a vestir o Maillot Jaune.
Sigrid Haugset não venceu apenas uma etapa. Ela atropelou a lógica da corrida.
A norueguesa da Uno-X Mobility passou 88,5 quilômetros completamente sozinha na liderança, resistiu à perseguição de Lotte Kopecky (SD Worx-Protime), multicampeã mundial, e conquistou neste domingo uma vitória que já entra para a história do Tour de France Femmes avec Zwift.
A recompensa foi dupla: além de levantar os braços em Poligny, Haugset assumiu a liderança da classificação geral e vestiu o Maillot Jaune pela primeira vez na carreira. Mais do que isso: ela se tornou a primeira ciclista norueguesa da história a vestir a camisa amarela do Tour de France Femmes.
Foram 156,5 quilômetros entre Genebra e Poligny, no encerramento do Grand Départ na Suíça. Mas a etapa ganhou outra dimensão quando Haugset decidiu transformar uma fuga em uma verdadeira prova de sobrevivência.
Pieterse ataca a montanha
Antes do espetáculo de Haugset, Puck Pieterse (Fenix-Premier Tech) tratou de cumprir sua própria missão.
A holandesa foi a primeira no topo do Col de la Faucille, de 1ª categoria, e também pontuou na Côte de Lajoux, de 3ª categoria. O desempenho foi suficiente para assumir a liderança da classificação de montanha e vestir a camisa de bolinhas.
O início da etapa também foi marcado por uma queda que envolveu várias ciclistas, entre elas Demi Vollering (FDJ United-Suez) e Magdeleine Vallieres (EF Education-Oatly). Apesar do susto, todas conseguiram seguir na prova.
A subida do Col de la Faucille, entretanto, começou a selecionar o pelotão. A líder com a camisa amarela, Lorena Wiebes, , ficou para trás. Elisa Balsamo, vestindo a camisa verde, também perdeu contato e não conseguiu retornar ao grupo principal.
A fuga que virou uma sentença
Era um grupo forte de dez ciclistas. Haugset, porém, não estava disposta a assistir à corrida de longe. A norueguesa saltou do pelotão, fez a ponte e levou o grupo a 11 ciclistas. A movimentação parecia ser mais uma fuga entre tantas outras.
Até que chegou o Col de la Savine. Quando a EF Education-Oatly reduziu a vantagem da fuga aos pés da subida, Haugset atacou. E não olhou mais para trás.
A norueguesa cruzou o topo do Col de la Savine com 35 segundos sobre um pelotão já reduzido a apenas 50 ciclistas. A partir daquele momento, começou outra corrida.
Kopecky parte para a caça
A 76 quilômetros da chegada, Lotte Kopecky decidiu assumir pessoalmente a perseguição. A campeã mundial saiu em busca de Haugset enquanto o pelotão ficava cada vez mais distante.

No Sprint Intermediário de Champagnole, a norueguesa já tinha 1min20s sobre Kopecky e nada menos que 5min10s sobre o pelotão. FDJ United-Suez e Visma | Lease a Bike passaram a trabalhar duro no grupo principal. Mas havia um problema: Haugset continuava pedalando como se a chegada estivesse logo à frente.
O ataque das favoritas não muda o roteiro
Na Côte de Chaux-Champagny, a última subida categorizada do dia, Haugset ainda tinha 35 segundos sobre Kopecky e 2min30s sobre o pelotão.
Kim Le Court-Pienaar acelerou no grupo das favoritas e provocou uma seleção brutal.
Pauline Ferrand-Prévot, Femke de Vries, Demi Vollering, Katarzyna Niewiadoma-Phinney, Antonia Niedermaier, Elisa Longo Borghini e Marlen Reusser conseguiram acompanhá-la.
Era o momento para as candidatas à classificação geral colocarem suas cartas na mesa. Porém, ninguém quis assumir o risco.
A desconfiança entre as favoritas permitiu que o grupo fosse novamente alcançado por cerca de 20 ciclistas. E Haugset continuava na frente.
10 quilômetros para a glória
A dez quilômetros da chegada, a diferença entre Haugset e Kopecky havia caído para apenas 15 segundos. Parecia que a campeã mundial finalmente conseguiria alcançar a norueguesa.
Mas Haugset encontrou forças onde já parecia não haver mais nenhuma. Com o vento contrário castigando a fuga, a ciclista da Uno-X Mobility continuou forçando o ritmo e voltou a abrir vantagem.
Na chegada a Poligny, a diferença era de 1min24s sobre Kopecky. Atrás delas, as principais candidatas à classificação geral chegaram 2min48s depois da vencedora.
Haugset havia conseguido.
Um recorde para a história
O número que resume a dimensão da vitória é 88,5.
Foram 88,5 quilômetros em fuga solitária — a mais longa vitória individual em uma escapada na história do Tour de France Femmes avec Zwift. Haugset superou a marca anterior de Annemiek van Vleuten, que em 2022 percorreu 62 quilômetros sozinha antes de vencer em Le Markstein.

Mas o recorde é apenas parte da história. A vitória em Poligny também colocou a Noruega no topo da Grande Boucle feminina.
Sigrid Haugset é a primeira norueguesa a vestir o Maillot Jaune.
E há uma coincidência que torna a história ainda mais especial para a Uno-X. A equipe norueguesa já havia conquistado a camisa amarela na prova masculina apenas um mês atrás, quando Torstein Træen assumiu a liderança do Tour de France após uma fuga nas primeiras etapas.
Agora, o Maillot Jaune está novamente nas mãos de um ciclista da Uno-X. Só que desta vez, é uma mulher que acaba de escrever seu nome na história.
E o Tour de France Femmes ganhou uma nova protagonista.
Tour de France Femmes 2026
3ª Etapa – Genebra>Poligny – 156,5 km 📈 2.500 m ganho de elevação
1- Sigrid HAUGSET 🇳🇴 – Uno-X Mobility – 4h 05m59s – vel. média 38.173 km/h
2- Lotte KOPECKY 🇧🇪 – SD Worx – Protime +1m24s’
3- Marianne VOS🇳🇱 – Visma | Lease a Bike +2m48s
108- Ana Vitória Tota MAGALHÃESs🇧🇷 – Movistar Team +20m19s
Mundo Bici Mundo Bici – Por George Panara