Remco Evenepoel parecia ter colocado em risco sua quarta vitória na Clássica San Sebastián quando foi obrigado a trocar de bicicleta e perdeu 40 segundos para o grupo dos favoritos. O belga, transformou o drama em uma recuperação espetacular: voltou à frente da corrida, atacou na subida decisiva de Murgil, superou Richard Carapaz no sprint e entrou para a história como o maior vencedor da clássica basca, com quatro títulos, deixando para trás o recorde que dividia com Marino Lejarreta

Remco Evenepoel escreveu mais um capítulo histórico em sua carreira. O belga da Red Bull-Bora-Hansgrohe conquistou neste sábado sua quarta Clássica San Sebastián (2019. 2022, 2023, 2026) , tornando-se o maior vencedor da tradicional prova espanhola, disputada no País Basco. Depois de uma corrida marcada por uma recuperação espetacular após uma troca de bicicleta, Evenepoel superou o equatoriano Richard Carapaz no sprint final e deixou para trás o recorde de três vitórias que dividia com o espanhol Marino Lejarreta – vencedor em 1981, 1982,1987.
Carapaz terminou na segunda colocação, enquanto Ben Tullet completou o pódio.
A 45ª edição da Donostiako Klasikoak – Clássica San Sebastián reuniu um pelotão de alto nível, com Evenepoel como principal favorito ao lado de nomes como Giulio Ciccone, Richard Carapaz e Jonathan Narváez. A prova também marcou a despedida de Pello Bilbao, Ion Izagirre, Nairo Quintana e Bauke Mollema da clássica basca.
Fuga e primeiros ataques
A corrida ganhou movimento desde os primeiros quilômetros, com uma fuga formada por Tim Rex, Iñigo Elosegui, Ådne Holter, Valentin Ferron, Lorenzo Quartucci, Nicolas Alustiza, Nickolas Zukowsky e Joan Bou.
A vantagem dos escapados chegou a 3min05s, enquanto Joan Bou aproveitava a fuga para somar pontos importantes na classificação de montanha. O ciclista da Caja Rural-Seguros RGA repetia, assim, a estratégia adotada na Itzulia 2026, voltando a lutar pelo título de melhor escalador.
O pelotão aumentou o ritmo antes do Jaizkibel, e a vantagem da fuga caiu rapidamente. Ataques de Bart Lemmen, Sean Quinn e Michael Leonard fragmentaram o grupo, enquanto Tim Rex se isolava na frente. Na passagem pelo topo do Jaizkibel, a diferença já era de apenas 20 segundos
O drama de Evenepoel
A grande reviravolta da corrida aconteceu a 49 quilômetros da chegada. Na saída de Hondarribia, Evenepoel foi obrigado a trocar de bicicleta.
O problema deixou o belga isolado e provocou uma situação inesperada para o principal favorito. Sem o apoio imediato dos companheiros, Evenepoel precisou perseguir sozinho o pelotão e chegou a perder 40 segundos.
Para conquistar sua quarta Clássica San Sebastián, o belga teria agora de protagonizar uma recuperação de alto nível.
A situação ficou ainda mais complicada na subida de Erlaitz. Enquanto UAE Team Emirates XRG, Lidl-Trek e Visma | Lease a Bike movimentavam a corrida na frente, Evenepoel lutava para reduzir a diferença. Aos poucos, porém, seus companheiros conseguiram se aproximar e ajudá-lo na perseguição.
Na frente, dez ciclistas formaram o grupo de liderança: Giulio Ciccone, Matteo Jorgenson, Louis Barré, Maxim Van Gils, Richard Carapaz, Paul Double, Felix Gall, Léo Bisiaux, Mathys Rondel e Enric Mas.
A 42 quilômetros da meta, Evenepoel ainda estava 35 segundos atrás.
Uma recuperação impressionante
A 33 quilômetros da chegada, o belga finalmente conseguiu fazer a ligação com o grupo da frente. A recuperação foi impressionante. Mas Evenepoel não se limitou a alcançar os líderes. Assim que chegou ao grupo, colocou Maxim Van Gils para assumir o ritmo e passou a preparar o ataque decisivo.
Depois da tensão provocada pela subida de Erlaitz, a corrida entrou em um breve momento de relativa calmaria. Van Gils continuava trabalhando na frente, enquanto os favoritos guardavam forças para os quilômetros finais.
A apenas 13 quilômetros da chegada, o ritmo voltou a aumentar. Arrieta acelerou antes da última ascensão do dia, preparando o terreno para as duras rampas de Murgil.
Evenepoel e Carapaz no ‘mano a mano’
Foi na dura rampa de Murgil (254m – 2.1 km a 10,1%) que a corrida finalmente se decidiu. Evenepoel foi o primeiro dos favoritos a atacar. Carapaz respondeu imediatamente e conseguiu permanecer na roda do belga.
Os dois se distanciaram dos demais na parte mais dura da subida e passaram a disputar a vitória mano a mano. Evenepoel chegou a olhar para trás, recuperou o fôlego e voltou a acelerar, mas Carapaz continuava firme.

Os dois chegaram juntos ao topo e iniciaram um verdadeiro contrarrelógio de oito quilômetros até San Sebastián. Logo atrás, Giulio Ciccone tentava reduzir a diferença e ainda mantinha alguma esperança de alcançar os líderes. No entanto, a decisão ficaria mesmo entre Evenepoel e Carapaz
4 vitórias e recorde histórico
No boulevard de San Sebastián, Evenepoel confirmou sua superioridade.
O belga venceu o sprint contra Carapaz e conquistou pela quarta vez a Clássica San Sebastián, tornando-se isoladamente o maior vencedor da história da prova.
A vitória também teve um significado especial pela forma como foi construída. Evenepoel precisou superar a troca de bicicleta, uma desvantagem de 40 segundos e uma longa perseguição antes de voltar ao grupo dos favoritos e, posteriormente, atacar na subida decisiva.
Com o quarto triunfo, o belga deixou para trás o recorde que dividia com Marino Lejarreta, que também havia vencido a Clássica San Sebastián três vezes.
Richard Carapaz terminou em segundo, enquanto Ben Tullet completou o pódio na terceira posição.
A Clássica San Sebastián, mais uma vez, confirmou sua tradição de decidir a vitória nos quilômetros finais e proporcionou a Evenepoel uma conquista histórica — justamente em uma edição na qual o campeão parecia ter perdido a corrida muito antes de chegar à linha de chegada.
45ª Donostiako Klasikoak – Clássica San Sebastián – 221.2 km – 📈 4.284m ganho de elevação
1- Remco Evenepoel 🇧🇪 – Red Bull – Bora – Hansgrohe – 5h23m10s
2- Richard Carapaz 🇪🇨– EF Education | Easypost – m.t.
3- Bem Tulet 🇬🇧– Visma | Lease a Bike +29s
4- Christian Scaroni 🇮🇹 – XDS Astana +29s 5- Pello Bilbao 🇪🇸 – Bahrain Victorious +29s
Mundo Bici Mundo Bici – Por George Panara