Equipe italiana reage na segunda metade da prova, supera Áustria, Suíça e Estados Unidos e conquista o título mundial do Team Relay em Val di Sole. Brasil termina em 9º, melhor resultado da história. No E-MTB, Gilloux veste a camisa arco-íris pela quinta vez e Anna Spielmann conquista o bicampeonato consecutivo

A Itália conquistou o título mundial do Team Relay 2026, o revezamento por equipes do Mundial de MTB, diante de sua torcida em Val di Sole, no primeiro dia de disputas, na localidade que recebe pela terceira vez a competição. Em uma prova marcada por constantes mudanças na liderança, a equipe italiana recuperou terreno nas voltas finais para garantir a medalha de ouro.
Com a surpreendente ausência da França — pela primeira vez na história o país não largou na prova — a Áustria assumiu o protagonismo durante boa parte da disputa. Porém, uma grande quinta volta de Valentina Corvi recolocou a Itália na liderança, e Fabio Bassignana confirmou a vitória no último revezamento.
A Suíça ficou com a medalha de prata, enquanto os Estados Unidos completaram o pódio, graças a uma excelente volta final de Riley Amos. O Brasil terminou na 9ª colocação, 5min18s atrás dos campeões.
Itália busca a reação e conquista o título
A Espanha apareceu com destaque na largada com David Campos, assumindo a liderança no início da prova, seguido pelo italiano Juri Zanotti e pelo suíço Nicolas Halter.

A situação, porém, mudou rapidamente. Zanotti passou a ditar o ritmo e entregou o primeiro revezamento com a Itália na liderança. A Suíça permanecia próxima, enquanto seleções como República Tcheca, com Ondřej Cink, Áustria e Brasil já começavam a perder contato.
O Brasil terminou o primeiro revezamento na 5ª posição, com Malacarne, a pouco mais de 20 segundos da liderança.
Áustria assume a ponta e abre vantagem
A segunda volta mudou completamente o cenário. A Áustria havia reservado para esse momento o elite Mario Bair, recuperou terreno e colocou sua seleção na primeira posição.
A Itália fez o segundo revezamento com o júnior Paolo Costa, enquanto o Brasil subiu para a 3ª colocação, graças ao desempenho do júnior Leonardo Bernardes de Castro Filho.

A Áustria continuou ampliando sua vantagem na terceira volta. O júnior Michael Hettegger manteve a seleção na liderança e terminou seu revezamento com 52 segundos de vantagem sobre a Itália, que tinha colocado Martina Berta na pista, e 1min38s sobre a Suíça, representada naquele momento por Jolanda Neff.
As diferenças começavam a ficar significativas, mas ainda havia metade da prova pela frente — e o formato do Revezamento deixava aberta a possibilidade de novas mudanças na classificação.
Mitterwallner aumenta vantagem austríaca
A quarta volta parecia consolidar ainda mais o favoritismo da Áustria. Mona Mitterwallner assumiu o revezamento e aumentou a vantagem para 1min35s sobre a Itália.
A equipe italiana utilizou a júnior Giorgia Pellizotti, enquanto a Suíça colocou em ação a sub-23 Anina Hutter. As duas seleções iniciaram a quinta volta praticamente junta, disputando as posições seguintes à líder Áustria.
O Brasil, com Raiza Goulão, ocupava a 7ª posição.
Valentina Corvi muda completamente a prova
O Team Relay voltou a mostrar que uma única volta pode transformar completamente a classificação. Valentina Corvi foi a grande protagonista do quinto revezamento e realizou uma impressionante recuperação para recolocar a Itália na liderança.
A italiana aproveitou o fato de a Áustria ter escalado a júnior Johanna Piringer para esse trecho e entregou o último revezamento na primeira posição, com 41 segundos de vantagem sobre a Áustria.
A Suíça, com a júnior Anja Grossmann, permanecia em terceiro, 52 segundos atrás da Itália.
O Brasil disputou essa quinta volta com a sub-23 Luiza Cocuzzi e caiu para a 8ª posição antes do último revezamento.
Bassignana confirma a vitória italiana
De volta à liderança, Fabio Bassignana recebeu o último revezamento com a missão de defender a vantagem diante da torcida italiana em Val di Sole.
O sub-23 não decepcionou. Com uma atuação segura, Bassignana cruzou a linha de chegada na primeira posição e confirmou o título mundial para a Itália, com o tempo de 1h08min06s.

A disputa pelas posições seguintes, entretanto, ainda estava aberta.
Luca Schatti fez uma grande última volta e levou a Suíça à segunda posição, conquistando a medalha de prata, 51 segundos atrás da Itália.
A última vaga no pódio ficou com os Estados Unidos. Riley Amos protagonizou uma grande recuperação no revezamento final e levou sua seleção de fora do pódio à terceira posição, cruzando a linha de chegada 1min31s depois da equipe italiana.
A grande derrotada foi a Áustria, que liderou a maior parte da prova e chegou a abrir uma vantagem expressiva. A sub-23 Antonia Grangl, responsável pelo último revezamento, não conseguiu sustentar a posição e a equipe terminou em 4º lugar, a 2min53s da campeã.

O Brasil encerrou sua participação com o sub-23 Vinicius Howe último a entrar no revezamento e terminou o Mundial de Team Relay na 9ª posição, 5min18s atrás da Itália, com seu melhor resultado histórico desde que participa dessa disputa.
E-MTB: Jérôme Gilloux é pentacampeão e Anna Spielmann mantém o título
Antes da disputa do Revezamento, o Mundial de MTB de 2026 revelou seus dois primeiros campeões. O francês Jérôme Gilloux e a austríaca Anna Spielmann conquistaram os títulos mundiais do E-MTB Cross-country, em duas provas bastante equilibradas disputadas em Daolasa di Commezzadura. Gilloux chegou ao quinto título mundial na especialidade, enquanto Spielmann repetiu a vitória obtida no ano passado.

As provas de E-MTB Cross-country abriram nesta quarta-feira o programa competitivo do Mundial em Val di Sole. Os campeões não são nomes novos. Anna Spielmann voltou a vestir a camisa arco-íris depois da vitória em 2025, enquanto Jérôme Gilloux ampliou seu currículo com o quinto título mundial no E-MTB XC, o terceiro consecutivo.
Nenhum dos dois, porém, teve vida fácil. Tanto Spielmann quanto Gilloux precisaram esperar praticamente até os quilômetros finais para definir suas respectivas disputas pelo título.
Na prova feminina, Anna Spielmann completou as nove voltas do percurso, totalizando 21,6 quilômetros, em 48min26s, apenas 11 segundos à frente da suíça Kathrin Stirnemann. A austríaca, competindo com uma Haibike Hybe equipada com motor Bosch Performance Line CX-R, teve Stirnemann como sua principal adversária durante praticamente toda a corrida.

A medalha de bronze também ficou com a Áustria, com Tamara Wiedmann, terceira colocada, 44 segundos atrás da campeã mundial. Anna Oberparleiter terminou em quarto, a 1min47s, enquanto Tereza Kurnicka fechou o Top 5, 4min44s atrás da vencedora.
A classificação também evidencia a dificuldade da prova, apesar do reduzido número de participantes. Das nove ciclistas que largaram, apenas cinco conseguiram completar as nove voltas previstas. As demais foram classificadas com duas ou três voltas de atraso. A brasileira Roberta Stopa terminou na nona posição, sendo retirada da prova no corte da sétima volta.
Na prova masculina, a disputa foi ainda mais apertada entre Jérôme Gilloux e Joris Ryf. O suíço assumiu inicialmente a liderança com sua Specialized Turbo Levo, enquanto Gilloux foi reduzindo gradualmente a diferença, sem perder o contato com a disputa pelo título.
O equilíbrio foi praticamente absoluto. Depois da nona volta, os dois ainda permaneciam juntos. Nos quilômetros finais, porém, Gilloux conseguiu abrir uma pequena vantagem e completou primeiro as 11 voltas para conquistar seu quinto título mundial no E-MTB XC. Ryf cruzou a linha de chegada apenas oito segundos depois.
O francês conquistou o título com uma Lapierre Overvolt equipada com motor Bosch e chegou aos cinco títulos mundiais na modalidade, além de garantir pela terceira vez consecutiva a camisa arco-íris.
A disputa pelo terceiro lugar também reuniu dois nomes conhecidos do mountain bike. Stéphane Tempier garantiu a medalha de bronze com o tempo de 55min48s, 2min10s atrás do campeão. O italiano Daniele Braidot terminou em quarto, 2min41s atrás de Gilloux e apenas 31 segundos fora do pódio. O brasileiro Thiago Boaretto ficou no corte da quarta volta, quando estava a mais de 4min20s dos líderes.
Campeonatos Mundiais de Mountain Bike – Val di Sole-Trentino🇮🇹
Revezamento por Equipes Misto – Mixed Team Relay
Circuito – 3.500m x 7 voltas = 21 Km | 13 seleções
🥇 🇮🇹 – Juri ZANOTTI/EliteM, Paolo COSTA/JrM, Martina BERTA/EliteF, Giorgia PELIZZOTTI/JrF , Valentina CORVI/U23F, Fabio BASSIGNANA/U23M – 1h08m06s – vel. média
🥈 🇨🇭 – Nicolas HALTER/U23M, Men GYGAX/JrM, Jolanda NEFF/EliteF, Anina HUTTER/U23F, Anja GROSSMANN/JrF, Luca SCHATTI/Elite M +51s
🥉 🇺🇸 – Nicholas KONECNY/U23M, Noah SCHOLNICK/JrM, Haley BATTEN/EliteF, Ainda LINTON/JrF, Bailey CIOPPA/U23F, Riley AMOS/Elite Masc +1m31s
9- 🇧🇷 – Alex MALACARNE/Elite M, Leonardo CASTRO/JrM, Angelina da SILVA/JrF, Raiza GOULÃO/EliteF, Luiza COCUZZI/U23F, Vinícius HOWE/U23M +5m18s

XC E-MTB – Elite Feminina – 9 ciclistas de 8 países – 9 voltas – 21.6 km
🥇 Anna SPIELMANN🇦🇹 – 48m26s – vel. média 26.758 Km/h
🥈 Kathrin STIRNEMANN🇨🇭 +11s
🥉 Tamara WIEDMANN🇦🇹 +44s
6- Roberta STOPA🇧🇷 -2 voltas
XC E-MTB – Elite Masculina – 17 ciclistas de 9 países – 11 voltas – 26.4 km
🥇 Jerome GILLOUX 🇫🇷 – 53m38s – vel. média 29.534 Km/h
🥈 Joris RYF 🇨🇭 +8S
🥉 Stephane TEMPIER 🇫🇷 +2m10s
16- Thiago BOARETTO🇧🇷 -7voltas
Mundo Bici Mundo Bici – Por George Panara