Com o sexto lugar na etapa, muito controle, tática e um trabalho impecável da equipe, Henrique Bravo confirmou a conquista da classificação geral do Giro della Vale d’Aosta, e tornou-se o primeiro ciclista do Brasil a vencer o tradicional Petit Tour, uma das mais importantes provas de ciclismo sub-23 da Europa. Última etapa com chegada a Breuil-Cervinia, fica com Ryan Gal

Henrique Bravo (Soudal Quick Step Devo Team) vem construindo, prova após prova uma linda história após migrar do mountain bike para o ciclismo de estrada, em sua segunda temporada, totalmente europeia já ganhou a confiança necessária e isso se traduz com mais um triunfo na classificação geral de uma volta – agora com a vitória no Giro della Vale d’Aosta, considerada por especialistas como a mais dura e seletiva do mundo para os ciclistas da categoria Sub23 – e por isso é apelidada de Petit Tour – o resultado se soma ao Tour de Antalya e à Oberösterreich Rundfahrt (Volta à Alta Áustria).
Bravo que assumiu a camisa amarela ao vencer a cronoescalada de abertura, e daí em diante foi o líder da competição e o homem a ser batido, na última etapa, largou com 26 segundos de vantagem sobre o segundo colocado, o equatoriano Mateo Ramírez (UAE Team Emirates Gen Z), e fez uma escolha acertada junto à direção da equipe Soudal Quick Step Devo Team que colocou todos os seus homens para defender o camisa amarela e ainda trabalhar pelo primeiro lugar na classificação por equipes.
“Hoje eu não tinha nenhuma intenção de atacar. Trabalhamos em equipe para defender a liderança”, afirmou Bravo logo após a conquista. O perigo viria do equatoriano que jogaria toda sua força, na dura etapa montanhosa, para finalmente conseguir o primeiro lugar na CG – no ano passado ele já havia terminado com o segundo lugar. “Hoje eu estava me sentindo bem e imaginava que o Ramírez tentaria atacar na última subida”, comentou ao final da prova.

Os ataques do equatoriano, até aconteceram nos quilômetros finais, mas Bravo respondeu e neutralizou essas ações, assegurando a conquista. Nas próximas semanas, o brasileiro disputará o Tour de l’Avenir e, posteriormente, o Campeonato Mundial.
A etapa final, disputada entre Valtournenche e Breuil-Cervinia, com 84,1 quilômetros, foi vencida pelo holandês Ryan Gal (Metec Solarwatt p/b Mantel), protagonista de uma longa fuga e autor de um forte ataque na subida decisiva rumo à estação alpina.
A vitória do holandês foi considerada por muitos como a surpresa do dia, Gal, bastante ativo desde a primeira etapa, marcou presença nas principais fugas da competição e que coroou uma temporada consistente, marcada por diversos bons resultados, com a vitória de etapa.
A etapa decisiva, curta mas dura, começou com constantes ataques desde os quilômetros iniciais. No sprint intermediário de Nus (km 19), o espanhol Marc Zafra (Soudal Quick-Step Devo Team) cruzou em primeiro lugar, garantindo a vitória na classificação dos sprints intermediários. O segundo sprint do dia, em Fénis (km 30,4), foi vencido pelo francês Ugo Fabries (UAE Team Emirates Gen Z).
Com pouco mais de 43 quilômetros percorridos, nas rampas da subida de Verrayes (2ª Cat. 6,6 km – 7,6% a 14,4%), um pequeno grupo assumiu a dianteira, com o húngaro Bálint Feldhoffer (Bahrain Victorious) passando na frente.
A fuga decisiva foi formada no km 51 por apenas três ciclistas: os holandeses Wout Toussaint (Lotto Groupe Wanty) e Ryan Gal (Metec Solarwatt p/b Mantel), além do francês Ugo Fabries (UAE Team Emirates Gen Z).
Na subida para Champlong, uma montanha de 1ª categoria (14,6 km – 1.599m – 6,3% a 11,9%), o trio trabalhou em perfeita sintonia e ampliou a vantagem para mais de um minuto. Atrás, a Soudal controlava o ritmo do pelotão – protegendo e mantendo Bravo em segurança, reduzindo gradualmente o grupo dos favoritos, sem que surgissem ataques significativos, cenário que também se repetiu na ascensão ao Col Saint-Pantaléon (3ª cat. 2,1 km – 1. 664m – 8,5% a 11,5%).
Wout Toussanint foi o vencedor do Prêmio de Montanha no Col Saint-Pantaléon. E mostra seu retorno consistente, após recentemente ser submetido com sucesso a uma cirurgia para retirada de um tumor na cabeça, o holandês mostrou estar recuperado ao terminar o Giro della Valle d’Aosta apenas dois pontos atrás do finlandês Kasper Borremans, vencedor da classificação de montanha.
Quem tentou mudar o panorama da corrida foi a equipe Red Bull Bora Hansgrohe Rookies, que promoveu uma ofensiva coletiva, para descontar a diferença para a Soudal Quick-Step na classificação por equipes. Noah Andersen e Anatol Friedl abriram vantagem na descida e passaram a dar suporte ao líder da classificação dos jovens, Gustave Blanc.
Enquanto isso, a 14 quilômetros da chegada, já na longa subida final para Breuil-Cervinia (1ª cat. 17,4 km – 1.988m 5,5% a 14,3%), Ryan Gal deixou para trás Fabries e Toussaint, seguindo sozinho rumo à vitória.
No grupo do camisa amarela, o equatoriano Mateo Pablo Ramírez lançou um forte ataque a 10 quilômetros da chegada, tentando quebrar a resistência de Henrique Bravo. Os dois ainda alcançaram Fabries, que por alguns metros trabalhou como gregário em favor do equatoriano, seu companheiro de equipe.
Pouco depois, porém, Bravo e Ramírez reduziram o ritmo e passaram a se observar, permitindo o retorno do belga Niels Driesen, do alemão Max Bock, do britânico Huw Buck Jones, de Kevin Biehl, do italiano Alessandro Cattani e do incansável Fabries.
Ramírez fez sua última tentativa de ataque a cerca de cinco quilômetros da chegada, no trecho mais duro da subida, mas novamente encontrou Bravo atento, neutralizando a investida e assegurando a liderança da classificação geral.
Na frente, Ryan Gal pôde comemorar com tranquilidade. O holandês de 21 anos, campeão nacional sub-23 de contrarrelógio, cruzou a linha de chegada com muita vantagem, e com os braços erguidos para conquistar a maior vitória de sua carreira.

O britânico Huw Buck Jones (Bourg en Bresse Ain) terminou na segunda colocação, a 51 segundos, enquanto o belga Niels Driesen (Lotto Groupe Wanty) venceu o sprint do grupo perseguidor para completar o pódio, à frente de Mateo Pablo Ramírez, Alessandro Cattani (Technipes InEmiliaRomagna) e Henrique Bravo.
Com o sexto lugar na etapa, Henrique Bravo, da Soudal Quick-Step Devo Team, confirmou a conquista da 62ª edição do Giro della Valle d’Aosta, encerrando a prova 26 segundos à frente do equatoriano Mateo Pablo Ramírez (UAE Team Emirates Gen Z). O alemão Max Bock (Red Bull Bora Hansgrohe Rookies) completou o pódio da classificação geral, a 1min06s do campeão.
62º Giro Ciclistico della Valle d’Aosta – Mont Blanc
4ª Etapa – Valtournenche > Breuil Cervinia – 84,1 km
1- Ryan Gal 🇳🇱 – Metec Solarwatt p/b Mantel 2h37m35s – vel. média 32.021 km/h
2- Huw Buck Jones 🇬🇧 – Bourg en Bresse Ain Cyclisme +51s
3- Niels Driesen 🇧🇪 – Lotto Groupe Wanty +58s
4- Mateo Ramirez 🇪🇨 – Uae Team Emirates Gen Z +58s
5- Alessandro Cattani – Technipes InEmiliaRomagna +58s
6- Henrique Bravo🇧🇷 – Soudal Quick-Step Devo Team +58s
Classificação Geral após 4 etapas – 397 km
🥇 Henrique Bravo🇧🇷 – Soudal Quick-Step Devo Team – 11h19’03” – vel. média 35,078 km/h km/h
🥈 Mateo Ramirez 🇪🇨 – Uae Team Emirates Gen Z +26s
🥉 Max Bock🇩🇪 – RedBull Bora-hansgrohe Rookies +1m04sx

Camisa Amarela – vencedor da Classificação Geral – Henrique Bravo🇧🇷 – Soudal Quick-Step Devo Team
Camisa Azul – vencedor da Classificação por Pontos- Mateo Ramirez 🇪🇨 – Uae Team Emirates Gen Z
Camisa de Bolinhas – vencedor da Classificação de Montanha- Kasper Borremans 🇫🇮 – Bahrain Victorious Development
Camisa Vermelha e Branca – vencedor da Classificação de Sprints Intermediários- Marc Zafra 🇪🇸 – Soudal Quick-Step Devo Team
Camisa Branca – vencedor da Classificação Sub-20- Gustave Blanc 🇫🇷 – Red Bull Bora-Hansgrohe Rookie
Classificação por Equipes- Soudal Quick-Step Devo Team
Mundo Bici Mundo Bici – Por George Panara