Pela primeira vez no topo do pódio do XCC: a estadunidense Savilia Blunk e o francês Adrien Boichis vencem a quarta etapa da Copa do Mundo de Short Track, disputada em Lenzerheide, na Suiça. Entre os 5 brasileiros na etapa, o melhor desempenho ficou por conta de Alex Malcarne em 24º e Karen Olímpio em 26º
A primeira vitória de Savilia Blunk chegou em cima da linha – foto: WHOOP UCI Mountain Bike World Series / Michal Cerveny
Uma semana após a dura etapa de Leogang o mundo do mountain bike cruzou a fronteira indo para outro local icônico para a modalidade, Lenzerheide, na Suíça. Com tão pouco tempo entre uma prova e outra, a recuperação física faz toda a diferença, e Savilia Blunk (Decathlon Ford Factory Racing) e Adrien Boichis (Specialized Factory Racing), foram os que mostraram na pista seu melhor momento físico, conquistando pela primeira vez, uma vitória na elite do circuito mundial de XCC.
Na disputa feminina, a expectativa estava voltada para uma possível quinta vitória consecutiva de Jenny Rissveds (Canyon XC Racing) em Lenzerheide ou para a manutenção da liderança de Sina Frei (Specialized Factory Racing) diante da torcida suíça. No entanto, quem brilhou foi Savilia Blunk.
Com uma atuação extremamente consistente, a estadunidense administrou a corrida entre as primeiras colocadas desde o início e derrotou Ronja Blöchlinger (Liv Factory Racing) em um sprint emocionante para conquistar sua primeira vitória na Copa do Mundo de Cross-country Short Track.
O pódio ainda reservou um momento histórico para o mercado. Atual campeã mundial da modalidade, Alessandra Keller terminou em terceiro lugar utilizando uma bicicleta equipada com um protótipo de rodas de 32 polegadas, que fez sua estreia em competições de XCC categoria Elite.
Blunk vence com inteligência tática
Depois do acidente envolvendo Jenny Rissveds na etapa de Leogang, que comprometeu seu desempenho no XCO, Blunk entrou determinada a evitar qualquer situação semelhante.
A norte-americana manteve-se constantemente posicionada entre as primeiras colocadas durante toda a corrida, enquanto Puck Pieterse imprimia o ritmo inicial.
Com o passar das voltas, o grupo foi sendo reduzido. Keller assumiu a liderança e endureceu a disputa na penúltima volta, eliminando adversárias importantes como Nicole Koller e Sina Frei. Apenas Blunk e Blöchlinger conseguiram acompanhar a suíça até o início da volta decisiva.
Na subida final, Blunk respondeu ao ataque das adversárias e, na aproximação da última curva, encontrou um espaço pelo lado interno da ponte para assumir a liderança. A aceleração foi suficiente para abrir vantagem e confirmar sua primeira vitória na Copa do Mundo de XCC.
Com rodas de 32″ Alessandra Keller terminou em 3º lugar – foto: WHOOP UCI Mountain Bike World Series / Michal Cerveny
Entre as 40 qualificadas pelo ranking para disputar a etapa, estavam duas brasileiras – Karen Olímpio que teve um bom desempenho, terminando no bloco intermediário, na 26ª colocação, e Raiza Goulão que ficou em 34°- destacando que na Elite feminina apenas 27 ciclistas terminaram na mesma volta da vencedora.
“Ainda não caiu a ficha. Procurei fazer uma corrida inteligente e me senti muito bem. Essa vitória demorou para acontecer e é uma sensação incrível. Eu sabia que existia uma linha diferente para a última volta. Ela exige bastante esforço, mas encurta alguns centímetros, e foi exatamente isso que fez a diferença. O ritmo foi muito forte desde o início. Meu objetivo era permanecer entre as cinco primeiras colocadas para evitar ficar acelerando e desacelerando o tempo todo. As adversárias atacavam constantemente e eu apenas tentava aproveitar o embalo sempre que possível . Nas últimas semanas minha confiança vinha crescendo. Eu só queria fazer uma prova limpa e descobrir do que era capaz. Esse resultado aumenta ainda mais minha confiança e vou aproveitar esse momento.”, comemorou Blunk
Sina Frei mantém a liderança da Copa do Mundo com boa vantagem – 770 pontos contra os 550 de Jenny Rissveds, uma diferença de 220 pontos que possibilitam escolher com cuidado os circuitos onde pode buscar melhor desempenho ou não arriscar.
Boichis confirma grande fase, agora com vitória no XCC
Entre os homens, com todas as atenções e voltadas para Christopher Blevins (Specialized Factory Racing) como atutal campeão da classificação geral da Copa do Mundo de XCC, voltando às competições após se recuperar de uma fratura na clavícula sofrida durante a etapa de MONA YongPyong, na Coreia do Sul. Porém quem roubou a cena Adrien Boichis foi seu companheiro de equipe, que chegou embalado pela vitória conquistada no XCO de Leogang e voltou a mostrar por que vive o melhor momento da carreira, agora vencendo no circuito curto.
Bom momento de Boichis, agora finalmente com a vitória no XCC – foto: WHOOP UCI Mountain Bike World Series / Michal Cerveny
Enquanto Blevins esteve afastado, seu companheiro de equipe Adrien Boichis manteve a Specialized no caminho das vitórias. A expectativa era saber se o francês continuaria tendo liberdade para disputar a vitória com o retorno do principal nome da equipe.
Nas primeiras voltas, quem mostrou força foi Bjorn Riley, enquanto Boichis permanecia entre os primeiros colocados e Blevins enfrentava dificuldades preso no tráfego do pelotão.
Na subida da última volta, Boichis lançou o ataque decisivo. Apenas Martin conseguiu reagir inicialmente, mas não teve força para acompanhar o francês até a linha de chegada. Bjorn Riley completou o pódio, conquistando seu primeiro Top 3 em uma etapa da Copa do Mundo de XCC.
Luca Martin, terminou em 2º – apesar do esforço, não conseguiu responder à arrancada de Boichis – foto: WHOOP UCI Mountain Bike World Series / Michal Cerveny
Alex Malacarne ficou na 24ª posição, fazendo praticamente toda a prova lutando por posições no bloco intermediário e conseguindo seu melhor resultado na temporada da Copa do Mundo. Já Ulan Galisnki, terminou em 35º.
Adrien Boichis, comemorou a vitória e comentou sua transição entre a estrada e o mountain bike: “Foi uma corrida muito boa. Me senti excelente e minhas pernas responderam muito bem hoje. No fim da temporada passada comecei a voltar a me sentir competitivo no short track. Em 2023 eu estava em grande forma, depois precisei de um tempo para reencontrar meu melhor nível. A cada corrida estou evoluindo. Ainda estou aprendendo a fazer a transição entre estrada e mountain bike. Há apenas duas semanas disputei uma prova de estrada. No fim, foi uma boa decisão, porque agora estou me sentindo muito bem. Ainda estou ajustando esse processo e espero continuar evoluindo a cada semana. Gosto muito da minha equipe e estou muito feliz por fazer parte dela. É um time repleto de campeões, então você precisa apresentar resultados para sentir que pertence ao grupo. Aos poucos, sinto que estou conquistando esse espaço.”
Com o bom desempenho no XCC, Alex conquistou o direito de largar na 3ª fila no XCO – foto: Radek Kasik
Na luta pela classificação geral, após 4 etapas, o francês Mathis Azzaro lidera com 708 pontos, seguido à distancia pelo suíço Filippo Colombo, com 540 pontos e pelo chileno Martín Vidaurre com 520.
Sub23: Kalis conquista sua primeira vitória; Schehl amplia o dominio com 3ª vitória
Na prova feminina Sub-23, Bloeme Kalis conquistou sua primeira vitória na Copa do Mundo UCI de XCC ao atacar na volta final e abrir vantagem sobre um grupo de cinco atletas que incluía Valentina Corvi (Canyon XC Racing) e a líder da classificação geral, Makena Kellerman.
A holandesa teve uma corrida de recuperação. Na metade da prova, ocupava posição distante da líder Corvi, com 13 segundos de desvantagem após cinco voltas. Kalis reagiu, alcançou o grupo da frente e, na oitava das dez voltas, já disputava a vitória. Mesmo após o esforço para buscar as líderes, encontrou forças para um ataque decisivo na volta final, deixando Corvi com a segunda colocação, enquanto Rafaelle Carrier terminou em terceiro.
Bloeme Kalins à frente da líder da Copa, Valentina Corvi – foto: WHOOP UCI Mountain Bike World Series / Michal Cerveny
Entre os homens Sub-23, a disputa permaneceu equilibrada até a volta final, quando um grupo de dez atletas ainda brigava pela vitória.
Foi então que Paul Schehl (Lexware Mountainbike Team), Naël Rouffiac (Origine Racing Division) e Thibaut François Baudry (Canyon XC Racing) conseguiram abrir vantagem sobre os demais. Líder da classificação geral, Schehl mostrou-se novamente o mais forte, venceu pela terceira vez consecutiva e ampliou sua vantagem para 90 pontos na liderança do campeonato. Rouffiac terminou em segundo pela segunda vez na temporada, enquanto Baudry, terceiro colocado, manteve a vice-liderança da classificação geral.
Terceira vitória no XCC para Schehl – foto: WHOOP UCI Mountain Bike World Series / Michal Cerveny
COPA DO MUNDO XCC – LENZERHEIDE 🇨🇭 #4
Elite Feminina – 40 ciclistas de 19 países
Circuito 453m + 9 voltas x967m = 9.16 km
1. Savilia BLUNK 🇺🇸 – Decathlon Ford Racing Team – 20m27s – vel. média 26.855 km/h
2. Ronja BLÖCHLINGER 🇨🇭 -Liv Factory Racing – m.t.
3. Alessandra KELLER 🇨🇭 – Thömus Maxon +4s
26- Karen Olímpio 🇧🇷 +1m58s
34- Raiza Goulão 🇧🇷 -3voltas
Elite Masculina – 40 ciclistas de 17 países
Circuito 453m + 10 voltas x 967m = 10.12 km
1. Savilia BLUNK 🇺🇸 – Decathlon Ford Racing Team – 20m27s – vel. média 26.855 km/h
2. Ronja BLÖCHLINGER 🇨🇭 -Liv Factory Racing – m.t.
3. Alessandra KELLER 🇨🇭 – Thömus Maxon +4s
26- Karen Olímpio 🇧🇷 +1m58s
34- Raiza Goulão 🇧🇷 -3voltas
Sub23 Feminina 40 ciclistas de 20 países
Circuito 453m + 9 voltas x967m = 9.16 km
1. Bloeme KALIS 🇳🇱 – 21m37s – vel. média 25.399 km/h
2. Valentina CORVI 🇮🇹 – Canyon XC Racing +2s
3. Rafaelle CARRIER 🇨🇦 +6s
34- Gabriela Ferolla 🇧🇷 -3voltas
foto: WHOOP UCI Mountain Bike World Series / Michal Cerveny
Sub23 Masculina 40 ciclistas de 19 países
Circuito 453m + 10 voltas x 967m = 10.12 km
1. Paul SCHEHL 🇩🇪 – Lexware Mountainbike Team – 20m53s – vel. média 29.075 km/h
2. Naël ROUFFIAC 🇫🇷 – Origine Racing Division +1s
3. Thibaut FRANCOIS BAUDRY 🇪🇸 – Canyon XC Racing +2s
Três velocistas italianos decidiram a chegada da quarta etapa, na Puglia, no duelo entre o líder por pontos Davide Donate, Nicolò Pizzi e Matteo Matteo Fiorin, o último levou a melhor surpreendendo com uma arrancada fulminante a 400 metros da chegada