Pouco a pouco o setor começa a reconquistar espaço e os números apresentados pela Abraciclo mostram essa recuperação ao final de 2025 e projetam crescimento para 2026; grande parte desse movimento positivo vem impulsionado pelas e-bikes que ganham, a cada ano, maior participação no volume produzido

As associadas da ABRACICLO – Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares – que representa 4 grandes marcas nacionais (Audax – Houston Bikes-Grupo Claudino; Caloi – Pon Bicycle Holding B.V.; Oggi Bikes – Ox da Amazônia; Sense – S2 Indústria da Bicicleta) instaladas no PIM (Polo Industrial de Manaus) fecharam 2025 com o alento do crescimento da produção em relação àquilo que fora projetado em janeiro do ano passado – com uma previsão de 320 mil bicicletas – encerrado o ciclo de 12 meses com um acréscimo nos números de 15.560 bikes ou 4.9% a mais.
A retomada do crescimento, gradual – dentro deste sistema de readequação ao mercado onde essas 4 grandes macas deixam de disputar o mercado de entrada e de modelos mais populares – e uma estimativa para este 2026 para produção de 350 mil bicicletas ou um crescimento de 4,3% em relação às 335.560 bicicletas produzidas em 2025.
O último trimestre de 2025 deu força aos números – e foi-se além da revisão de outubro de 330 mil unidades/ano, para 335.560 em um período que é preciso levar em consideração mais curto.
No último mês de dezembro, 10.339 bicicletas saíram das linhas de montagem, o que corresponde a um crescimento de 3,9% na comparação com o mesmo mês de 2024. Em relação a novembro, houve retração de 61,3%, consequência da parada industrial anualmente planejada para o período.

Fernando Rocha, vice-presidente do Segmento de Bicicletas da Abraciclo, destaca: ‘O resultado foi importante, pois superou a projeção de 320 mil unidades prevista no início do ano, trazendo perspectivas melhores para 2026”.
Como tendências de mercado em 2025 o setor passou por um aumento da produção dos modelos de entrada (no mercado atualmente com preços acima dos R$ 1.300 para as urbanas/lazer e por cima dos R$ 1.700 para as MTB recreacionais) e no lado mais esportivo, o nicho das bicicletas de estrada e gravel.
Porém, a grande ascensão continuou com as e-bikes, onde as quatro associadas já produziram 46,9 mil bicicletas, um crescimento de 144% em relação a 2024, quando foram produzidas 19,2 mil e-bikes.
Com esse crescimento as e-bikes passaram a representar 14% da produção, com as 4 associadas oferecendo 44 modelos e buscando, para o futuro próximo soluções mais acessíveis ao consumidor; disputando com bicicletas ou autopropelidos na maioria das vezes, sem o mesmo padrão de qualidade e garantia – em alguns casos sem marca ou representatividade – mas com preços vorazes e tentadores para o consumidor incauto.

Em um ano com eleições majoritárias, Copa do Mundo de Futebol, a ABRACICLO acredita que o mercado manterá um crescimento gradativo, os modelos de estrada e a gravel devem manter uma demanda contínua, com as e-bikes com ‘ritmo’ próprio e atraindo consumidores de outros modais para as versões urbanas (trocando o transporte público pela e-bike) e, em mais um nicho, também com o crescimento do segmento esportivo, em particular as e-MTB.
“Para 2026, a expectativa é de um cenário favorável, com lançamentos que ampliam as opções para o consumidor e acompanham a evolução do mercado. Os modelos elétricos devem ganhar espaço de forma consistente, refletindo o interesse crescente do consumidor por soluções de mobilidade mais eficientes e sustentáveis”, avalia Fernando Rocha.
Por outro lado, apesar das boas expectativas, o desafio da indústria é contínuo e se soma a uma realidade estrutural, que com o passar do anos pouco muda, onde o crescimento da malha cicloviária e de políticas municipais para a segurança para o ciclista não são efetivas ou pífias, muitas vezes desestimulando um maior uso da bicicleta.
Mundo Bici Mundo Bici – Por George Panara