MUNDIAL XCO ELITE E SUB23 FEMININA: HATHERLY SURPREENDE E ISABELLA HOLMGREN LEVA MAIS UM OURO

O sul-africano Alan Hatherly surpreendeu, atacou de ‘bandeira’  e foi abrindo caminho sem que os adversários o colocassem à prova; em um circuito duro fez da corrida sua contrarrelógio e volta a volta ampliou a vantagem para conquistar o bicampeonato mundial de forma consecutiva. Melhor brasileiro no dia Ulan Galinski terminou em 23º.  Na Sub23 feminina a canadense Isabella Holmgren teve mais um mundial perfeito em Crans-Montana, repetindo Pal-Arinsal vencendo o XCC e o XCO. Giuliana Morgen obteve um honroso 12º lugar

De bandeira numa contrarrelógio Hatherly conquistou o Mundial em Crans-Montana – foto: Giant Factory Team/Robin Nevrala

As chuvas que caíram da noite de sábado para domingo, haviam complicado o desempenho das garotas da Sub23 deixando os trechos de raízes ainda mais desafiadores e traiçoeiros, quando os homens da Elite entraram na pista de Crans-Montana a realidade era bem diferente, um solo mais seco possibilitou opções mais arriscadas nos trechos mais difíceis e maior velocidade nas disputas.

Com a grande maioria dos meios especializados fazendo o jogo do midiático do neerlandês Mathieu Van der Poel e especulando com o seu desempenho e a sua frenética busca pelo título mundial, os grandes nomes da modalidade, os que fazem e levam a sério toda a temporada mostraram na  pista seu valor e superioridade;  e mesmo Alan Hatherly que está dividindo sua temporada entre a estrada – de forma discreta e onde sagou-se campeão sul-africano de contrarrelógio e no mountain bike, onde disputou apenas cinco das sete etapas da Copa do Mundo com um desempenho abaixo do seu potencial, correu com seriedade, mostrando toda sua força para chegar ao bi-campeonato.

Hatherly fez a sua melhor corrida da temporada

A corrida começou com uma arrancada feroz dos medalhistas de ouro e prata na terça-feira – o francês Victor Koretzky e o norte-americano Christopher Blevins procurando já de cara esticar o grupo que formou a fila com os suíços Fabio Püntener, Luca Schätti e Mathias Flückiger; o chileno Martín Vidaurre e o italiano Luca Braidot e  o francês Mathis Azzaro.

Simone Avondetto – foto: Wilier-Vittoria MTB Factory Team

Vindo de trás Van der Poel que havia largado em 33º rapidamente se colocou no grupo dos ponteiros, cruzando na primeira  das nove voltas na 7ª posição, e na volta seguinte em 6ª, porém uma ação que custou muito caro, queimando energia antes da hora para buscar a frente, acabou comprometendo seu desempenho pois pouco depois não tinha mais pernas para acompanhar o grupo que buscava o pódio.  

Na segunda volta, Koretzky cometeu um erro e  num trecho mais técnico, Hatherly vislumbrou a oportunidade e atacou, deixando para trás além do francês os italianos Braidot e Avondetto, os suíços Schätti e Flückiger, além de Blevins e Van der Poel que já davam sinais de desgaste.

Hatherly, com sua surpreendente ação, conseguia abrir vantagem, enquanto Flückiger perseguiu o líder sozinho por quase duas voltas, até ser alcançado para formar um grupo de cinco ciclistas com  Schätti, Koretzky, Braidot e Avondetto – um ritmo muito forte, que desconectou muita gente e esticou o grupo.

Samuel Gaze – foto: UCI/SWPix

Na sétima volta, Andreassen – campeão mundial júnior de XCO em 2014 e 2015 e campeão mundial de Mountain Bike Marathon (XCM) em 2024 – juntou-se aos perseguidores para formar um grupo de seis e em mais de uma ocasião tomou o controle para dar caça ao ponteiro,  mas Hatherly  já carregava uma vantagem de 90 segundos – deixando claro para quem prestasse atenção em seu desempenho que ele estava fazendo um desafio contrarrelógio para não ceder terreno.

Atrás a luta pelo pódio ficou intensa, os donos da casa tinham Flückier e o campeão suíço e europeu de XCC Luca Schätti, os italianos entravam com Avondetto que trazia na bagagem um título mundial conquistado na categoria sub23 em Les Gets’2022.

Hatherly fez a última volta com certa tranquilidade, e mostrou que fez a melhor prova do ano para garantir o bicampeonato. Mas atrás havia muita coisa para ser definida,  o italiano Avondetto apertou o ritmo na subida, mas foi trecho de descida mais técnico que ele se livrou de Flückiger e pedalou firme para garantir o segundo lugar.

Nino Schurter em seu último mundial de XCO – foto: UCI/SWPix

Enquanto Avondetto partia rumo à prata, Koretzky aproveitou para também atacar os suíços Flückiger e Schätti, uma ação devastadora lançando o sprint na reta final e passando por um Flückiger já sem forças e por Schätti que não teve pernas para segurar a potência das  pedaladas do francês que mais uma vez subiu ao pódio, agora para o bronze, repetindo o resultado de Val di Sole’2021e que se soma à prata do ano passado em Pal Arinsal, deixando um gosto amargo para os donos da casa.

Aos poucos os sobreviventes de Cras-Montana foram cruzando a linha de chegada,  o último a passar pela meta foi o dez vezes campeão mundial Nino
Schurter já em ritmo de despedida das competições sendo ovacionado pela torcida e mais tarde sendo o responsável por entregar as medalhas aos melhores do dia.

Sul-africano é bicampeão Mundial – foto: UCI/SWPix

Hatherly em seu dia fora de série, comentou sobre o bicampeonato:  “Acho que acabei de ter um daqueles dias. Seria muito difícil repetir um desempenho como este. Todos os astros se alinharam. Tem sido muito difícil conciliar (bicicleta de estrada e mountain bike), mas defender este título mundial era um grande objetivo desde o início da temporada. Foi muito difícil equilibrar os dois, mas no último mês me concentrei totalmente no mountain bike.”

Ulan Galinski – foto: Michele Mondini

Ulan Galinski foi o melhor brasileiro na prova, e confirmou no Mundial sua evolução ao longo da temporada, em uma prova dura onde acusou o esforço no início, perdendo algumas posições e evoluindo no final para terminar em  23º. Alex Malacarne foi o 38º.

Sub23: Isabella Holmgren mais um mundial perfeito

As garotas da Sub23 entraram na pista horas antes dos homens da Elite, e encontraram um circuito molhado pela chuva que caiu na noite anterior, o que tornou os já complicados trechos de raízes em algo ainda mais desafiador.

A francesa Olivia Onesti,  uma das poucas a pedalar uma hardtail  (bicicleta de traseira rígida) que se destacou na primeira subida, à frente da estadunidense Vida Lopez de San Roman , da italiana Valentina Corvi  e da canadense Isabella Holmgren defendendo seu título.   A suíça , Monique Halter, foi uma das muitas ciclistas que não conseguiu passar pelas descidas íngremes com raízes , escorregando e caindo.

Olivia Onesti e Vida San Roman em um dos trechos mais difíceis do percurso – foto: UCI/SWPix

Todas as mulheres que formavam o grupo ponteiro  já haviam conquistado sucessos na categoria sub-23: Onesti, que venceu sua primeira corrida da Copa do Mundo UCI XCO nessa mesma pista, também molhada, em 2024, estabeleceu um ritmo forte, com Holmgren – vencedora das duas primeiras etapas da Copa do Mundo UCI de 2025 – e Lopez de San Roman – segunda colocada na Copa do Mundo UCI XCO em Les Gets, França, há duas semanas – fechando o grupo que se mantinha unido na primeira das seis voltas no circuito.

A canadense Holmgren atacou no meio da segunda volta, deixando para trás a francesa Olivia Onesti , medalha de prata no ano passado, e aos poucos foi se distanciando em busca de mais um ouro, para garantir mais uma vez o mundial perfeito, com as camisas arco-íris no XCC e no XCO.

Atrás das duas que rodavam isoladas, estavam a italiana Corvi, vencedora das últimas três etapas da Copa do Mundo UCI, com Lea Huber e Anina Hutter se juntando a Monique Halter para colocar três ciclistas suíças entre as 7 melhores, enquanto uma favorita antes da corrida, a canadense Ella MacPhee, ficou para trás, terminando em 15º lugar.

Onesti que havia sido alcançada pelo grupo, rodava na terceira posição caiu, subiu novamente na bicicleta, mas não conseguiu terminar, dando adeus à disputa.

Isabella Holmgren bicampeã Mundial de XCO 2024/2025 – foto: UCI/SWPix

Volta após volta Isabella Holmgren foi ampliando a vantagem, que na última volta era superior a 2 minutos sobre a norte-americana Lopez de San Roman e de 3m20 sobre a italiana Corvi, enquanto ), enquanto as suíças conquistaram a 4ª, 5ª e 6ª posições.

“É uma sensação muito boa e estou muito animada. Minha irmã também fez uma ótima corrida  (Ava terminou em 7º) e estou muito orgulhosa dela e muito feliz. É tão especial ter a família aqui, me dá uns watts extras nas subidas.”,  disse Isabella Holmgren.

Giugiu Morgen, 12º lugar em uma corrida onde apenas 26 das 50 que largaram concluíram a prova – foto: Radek Kasík

Giugiu Morgen terminou em um destacado 12º lugar, em um dia que caiu no trecho de raízes se recuperou e se recolocou na corrida . ” A largada foi caótica, mas já era de se esperar… Eu sabia que tinha que me manter firme e esperar esse momento passar. Da segunda volta em diante, apenas entrei no meu mundo e fiz o que eu estava ali para fazer”, comentou a ciclista brasileira.

CAMPEONATOS MUNDIAIS DE MOUNTAIN BIKE VALAIS’2025

XCO Cross Country Olímpico – Crans Montana-Valais – Suíça

Circuito de 3,8 km – Largada e chegada a 1.497 m de altitude – elevação/desnível positivo +160m

Elite Masculina -74 ciclistas de 31 países – Circuito de 3,8 km x 9 voltas = 34.2 km

🥇- Alan Hatherly 🇿🇦 – 1h30m30s – vel. media 22.674 Km/h

🥈- Simone Avondetto 🇮🇹 +48s

🥉- Victor Koretzky 🇫🇷 +51s

23- Ulan Galisnki 🇧🇷 +4m53s

38- Alex Malacarne 🇧🇷 +7m15s

50- José Gabriel Marques 🇧🇷  -2voltas

55- Gustavo Xavier 🇧🇷  -3voltas

Sub23 Feminina – 50 ciclistas de 23 países – Circuito de 3,8 km x 6 voltas = 22.8 km

🥇- Isbaella Holmgren 🇨🇦 – 1h17m24s – 17.674 Km/h

🥈- Vida Lopez de San Roman 🇺🇸 +2m16s

🥉- Valentina Corvi 🇮🇹 +3m20s

12- Giuliana Morgen 🇧🇷 +6m16s

42- Luiza cocuzzi 🇧🇷  -2voltas

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