MUNDIAL XCO FEMININO E SUB23 MASCULINO: JENNY RISSVEDS E FINN TREUDLER VENCEM DE FORMA INCONSTETÁVEL

A sueca Jenny Rissveds ganhou seu primeiro título mundial na Elite do XCO; uma conquista que chegou 9 anos após o ouro na Olimpíada Rio’2016 em um percurso duro, seco e cheio de raízes onde pedalou liderando de ponta a ponta. Antes aconteceu a disputa da Sub23 masculina, e as previsões se confirmaram, o ciclista local Finn Treudler assumiu o controle da corrida na metade da prova e foi sozinho até o final, em mais uma demonstração de força

De ponta a ponta, com absoluto domínio Jenny Rissveds conquistou o Mundial de XCO em Crans-Montana – foto: UCI/SWPix

Uma vitória de ponta a ponta. A campeã europeia de XCO, Jenny Rissveds seguiu praticamente o mesmo roteiro de sua última vitória na Copa do Mundo duas semanas atrás em Les Gets, na França, quando atacou desde a largada, tomou a dianteira e não mais largou a ponta até o final da corrida. Um domínio que começou na primeira volta quando passou com 13 segundos de vantagem sobre um grupo onde estavam as fortíssimas Martina Berta, Alessandra Keller, Samara Maxwell,  Puck Pieterse e Evie Richards.

A arrancada de Rissveds e o circuito duro serviram para desmontar o grupo desde os primeiros movimentos, e tudo passava por tentar acompanhar, sobreviver e resistir ao ritmo das que rodavam na frente e tentavam dar combate à sueca.

Jolanda Neff na rápida descida pelo ‘jardim de pedras’ – foto: UCI/SWPix

Correndo em casa, empurrada pela torcida e ainda motivada com o título em pista curta – XCC – conquistado na terça feira, Alessandra Keller e Samara Maxwell que vem de uma campanha fantástica na Copa do Mundo, subindo ao pódio nas sete etapas disputadas até agora, não se entregaram e forçaram o ritmo e chegaram em Rissveds, mais atrás a certa distância Richards, Pieterse e Berta tentavam se aproximar das ponteiras.

Era desse grupo de seis ciclistas que sairiam as três que subiriam ao pódio – a diferença de ritmo era muito clara, não conseguir acompanhar ou um infortúnio tiraram da disputa uma delas.  Na terceira volta, em uma descida íngreme, a suíça Alessandra Keller passou por um susto com uma queda leve, perdeu terreno e foi alcançada por Evie Richards, campeã mundial em Val di Sole’2021, que rodava no fundo do grupo das ponteiras, mas não foi suficiente para tirá-la da disputa, e em pouco tempo ela estava novamente dando combate à líder – porém o efeito sanfona estava ficando claro, nem todas resistiriam às acelerações e quebras de ritmo que Rissveds vinha executando.

Campeã no ano passado em Pal-Arinsal, a neerlandesa Puck Pieterse dava sinais de que não estava conseguindo acompanhar o ritmo do trio – Rissveds/Keller/Maxwell e passou a rodar com Richards que também demonstrava queda de rendimento; a italiana Berta, se afastava definitivamente da disputa, perdendo terreno para a suíça Nicole Koller e para a estadunidense Savilla Blunk.

Rissves que havia perdido um pouco da cadência nas voltas anteriores, recuperou o fôlego e na quinta volta atacou mais uma vez e abriu novamente 10 segundos de vantagem para Keller e Maxwell que se mantinham juntas.  A dupla Richards/Pieterse perdia ainda mais tempo, e para complicar ainda mais a perseguição, a neerlandesa sofreu um furo no pneu traseiro, até chegar à área técnica e fazer a troca da roda, perdeu contato com a britânica e foi ultrapassada por Savilia Blunk.

Puck Piterse foi obrigada a parar na área técnica para trocar a roda traseira – foto: UCI/SWPix

Pedalando sozinha na frente, Rissveds conseguia manter o ritmo elevado na penúltima volta, atrás o efeito ‘elástico’ de ir para frente, chegar e perder terreno novamente de Keller e Maxwell, cobrou um preço elevado da suíça que acusava o desgaste e deixava a neozelandesa ir em busca da líder.

Ao abrir  a sétima e última volta, Rissveds mantinha a tranquilidade, Keller perdia definitivamente o contato com  Maxwell que se não conseguia chegar na ponteira, mantinha-se com vitalidade na segunda posição; por outro lado, a queda de rendimento da suíça foi motivadora para Evie Richards, que vinha de um desgosto na disputa do XCC quando furou quando ocupava a terceira posição, porém na subida mais dura, a britânica ficou sem forças e praticamente parou no circuito, deixando espaço para Keller seguir rumo ao terceiro lugar no pódio.

Alessandra Keller não conseguiu revalidar o título do XCO, mas lutou muito e se manteve no pódio com o 3º lugar foto: UCI/SWPix

Rissveds que em 2016 havia conquistado o Mundial Sub23 de 2016 em Nove Mesto, no mesmo ano de seu ouro olímpico finalmente chegava ao topo do Mundo na Elite do XCO, conquistando a camisa arco-íris, cruzando a meta com tranquilidade e uma vantagem de 18 segundos sobre Maxwell. Keller chegaria 56 segundos depois garantindo a medalha de bronze e aclamada pela torcida local.

“Todas dizemos que queremos nos tornar campeãs mundiais, é algo que dizemos desde muito cedo… mas acho que este ano foi o primeiro em que eu realmente quis isso. É uma sensação incrível conseguir isso. Eu sabia que estava em boa forma e que conseguiria, mas a luta hoje foi acirrada e eu realmente tive que continuar acreditando.”, disse Jenny Rissveds.

Candice Lill ‘destruiu’ sua roda no trecho de raízes na segunda volta quando ainda rodava no grupo da ponta, passou pela área técnica e terminou em 35ª – foto: UCI/SWPix

Karen Olímpio teve o melhor desempenho entre as brasileiras que disputaram o mundial, terminou na 39ª posição, a mais de 9 minutos da vencedora.  Por outro lado, Raiza Goulão e Hercilia Najara ficaram entre as 11 ciclistas que foram alcançadas pelo grupo principal, terminando em 47ª e 49ª.

SUB23: Treudler ataque, fuga e pedalada solo para o ouro

A disputa do título da Sub23 Masculina aconteceu algumas horas antes da prova feminina, reunindo 83 ciclistas. antes da largada era fácil fazer uma previsão, onde além do ciclista local Finn Treudler que na atual temporada tem 5 vitórias em 7 etapas disputadas da copa do Mundo, teríamos como candidatos ao pódio, o canadense Cole Punchard e o dinamarquês Gustav Pedersen, juntamente com o holandês Rens Teunissen van Manen, o alemão Paul Schehl e o francês Adrien Boichis vencedor do XCC na terça-feira.

Com leitura perfeita dos adversários Finn Treudler atacou na 3ª volta e fez a prova ‘solo’ em busca do ouro – foto: UCI/SWPix

Boichis fez uma boa largada, forçou o ritmo até perceber que estava ainda no começo da primeira volta e teria pela frente oito voltas, preferindo se colocar na roda de Pedersen e de Treudler que assumiram o comando e impondo um ritmo elevado rompendo o pelotão.

Na segunda volta, foi a vez do canadense Punchard se revezar no comando com Treudler, seguidos por Boichis e Pedersen. Na volta seguinte Treudler testou o grupo, elevou o ritmo, rompeu ainda mais o pelotão, sendo acompanhado por Punchard e começando a abrir espaço para os demais competidores.  

O suíço sinalizava ser o mais forte, e rodava diante de sua torcida com confiança e garra para vencer em casa, daí a atacar e assumir definitivamente o controle da corrida era questão de tempo. Na quarta volta, exatamente na metade da competição a sua vantagem era de 20 segundos sobre Punchard (medalhista de bronze no XCC).

Em sua escapada solitária, e quase fazendo um contrarrelógio, Treudler aumentava a vantagem, no início da sexta volta a diferença mais que dobrou passando a 46 segundos  e saltou para 1 minuto após uma hora de corrida, na penúltima volta.

Cole Punchard conquistou a medalha de prara no XCO e a de bronze no XCC – foto: Cannondale/Michele Mondini

Punchard seguia firme na segunda posição, seguir o ritmo de fuga de Treudler nas voltas iniciais e manter-se firme lhe asseguraram mais de 1m20s de vantagem sobre Pedersen, em terceiro que também tinha boa vantagem sobre seu compatriota Mikkel Lose, um pouco mais atrás o alemão Schehl, o neerlandês Teunissen van Manen e o norueguês Sivert Ekroll, tentavam chegar à disputa pela última posição no pódio. Mas os lugares no pódio estavam definidos, ouro para Treudler, prata para Punchard e bronze para Pedersen.

Em uma prova rápida em um circuito técnico e de muita exigência física, onde apenas 42 chegaram na mesma volta que o vencedor, os brasileiros Eike Leoncio e Vinicius Howe ficaram entre os 39 ciclistas que foram alcançados pelos líderes e retirados da corrida, terminando em 54º e 64º.

Finn Treudler, emocionado com o título da Sub23
foto: UCI/SWPix

“Não há sensação melhor do que correr em casa, na frente, e lutar por um título mundial. Meu plano era atacar depois de três voltas e pedalar no meu próprio ritmo, porque sei que posso ir super-rápido nas subidas. Foi tão barulhento, nunca tinha experimentado algo assim, e foi realmente especial hoje.”, declarou radiante, o novo campeão mundial Finn Treudler.

CAMPEONATOS MUNDIAIS DE MOUNTAIN BIKE VALAIS’2025

XCO Cross Country Olímpico – Crans Montana-Valais-Suíça

Circuito de 3,8 km – Largada e chegada a 1.497 m de altitude – elevação/desnível positivo +160m

Elite Feminina – 53 ciclistas de 24 países – Circuito de 3,8 km x 7 voltas = 26.6 km

🥇 Jenny Rissveds 🇸🇪- 1h21m35s

🥈- Samara Maxwell🇳🇿 +18s

🥉- Alessandra Keller 🇨🇭+56s

39- Karen Olímpio 🇧🇷  +9m43s

47- Raiza Goulão 🇧🇷  -2 voltas

49- Hercília Najara 🇧🇷  -3 voltas

Sub23 Masculina – 83 ciclistas de 32 países – Circuito de 3,8 km x 8 voltas = 30.4 km

🥇- Finn Treudler 🇨🇭 – 1h20m25s – vel. média 22.682 Km/h

🥈- Cole Punchard 🇨🇦 +54s

🥉- Gustav Pedersen 🇩🇰 +2m14s

54- Eiki Leoncio 🇧🇷  -2voltas

64- Vinicius Howe 🇧🇷  -2voltas

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