MUNDIAL DE XCC: O OURO FICOU COM OS ESPECIALISTAS DO SHORT TRACK KORETZKY E ALESSANDRA KELLER

No duelo com Blevins, Victor Koretzky se impõe no sprint e conquista o bicampeonato mundial de XCC. Na prova feminina, Alessandra Keller, uma especialista na modalidade, foi tática e atacou no momento exato para ganhar a camisa arco-íris.  Na Sub23, Isabella Holmgren vence pela segunda vez e Adrien Boichis ganhou no photo finish

Koretzky, desce à frente do grupo no rock garden – foto: UCI/SWpix

Com um percurso, mais íngreme e variado daqueles encontrados nas etapas da Copa do Mundo, com um quilômetro de extensão e 70 metros de ganho de elevação por volta, combinando subidas explosivas, um  jardim de pedras de alta velocidade onde era possível ganhar posições, somados a e trechos rápidos de concreto, fizeram da pista de Zermatt o palco ideal para as disputas do Mundial.

Nas quatro finais disputadas nesta terça-feira (9/9), a tônica foi a alta velocidade e corridas onde praticamente não tivemos uma quebra do pelotão. O grupo corria esticado ao longo do circuito, buscando aproveitar os poucos trechos de ultrapassagem para tentar ganhar posições.

Correndo em casa, Alessandra Keller conquistou sua primeira camisa arco-íris na Elite do XCC. O francês Victor Koretzky deu uma demonstração força e explosão para ganhar, no sprint, o bicampeonato.  Na sub23, a canadense Isabella Holmgren, confirmou que é um dos grandes nomes da modalidade vencendo o título pela segunda vez, no masculino a medalha de ouro ficou com o francês Adrien Boichis.

Alessandra Keller vence casa após corrida tática e emocionante

A final feminina de elite do Campeonato Mundial de Pista Curta – XCC – aconteceu , sob condições ideais: 14°C, sem vento e céu ligeiramente nublado, com o imponente Matterhorn – ou monte Cervino – testemunhando uma corrida espetacular.

Atacando desde a largada, a austríaca Laura Stigger tomou a dianteira, levando em sua roda a sueca Jenny Rissveds, a britânica Evie Richards e a canadense Jennifer Jackson.  No grupo que se mantinha compacto também estavam a neerlandesa Puck Pieterse, a estadunidense Savilia Blunk e um bloco de ataque formado pelas suíças Jolanda Neff, Linda Indergand, Sina Frei e Alessandra Keller

Keller à frente de Rissveds – foto: UCI/SWpix

Puck Pieterse tentou um ataque na segunda volta, mas sem conseguir sustentar o ritmo foi neutralizada por Alessandra Keller e a campeã do ano passado, Evie Richards que assumiram o comando da prova.

A suíças, com uma formação fortíssima, composta por seis ciclistas – Keller, Neff, Frei, Blochlinger, Koller e Indergand – trabalhava para ter o domínio do pelotão que se mantinha compacto.

Com um ritmo muito consistente, Jenny Rissveds fazia frente à esquadra suíça, rodando na frente, e em mais de uma oportunidade no comando do pelotão; quem também buscava espaço nesse grupo era a canadense Jackson Jennifer.

Na quinta volta ruptura no grupo da frente, em um trecho ainda molhado pela chuva, Sina Frei, Laura Stigger e Puck Pieterse que rodavam juntas, escorregam; a queda das três dividiu o grupo principa.

 Keller, Rissveds, Jackson e Richards que rodavam na ponta não diminuíram o ritmo e forçaram para aumentar ainda mais a vantagem – sendo seguidas de perto por Ronja Blochlinger  e a mais de 10 segundos a neozelandesa Samara Maxwell, a australiana Rebecca Henderson e a suiça Linda Indergand tentava se reconectar– a corrida começava a ser decidida.

Na sétima volta, Rissveds e Keller eram as mais fortes e passaram a se distanciar de Jackson e de Richards que acusavam certo desgaste, indo e vindo nas rodas das duas ponteiras, mas não se rendiam.

 Na volta seguinte Rissveds tentou acelerar, mas Keller, correndo em casa, respondeu com determinação e tomou a ponta; a dupla já trabalhava na definição da corrida, quando Richards dava adeus à perseguição e a disputa com um furo no pneu traseiro.

Keller estava no comando e entrou na última volta forçando o ritmo, aproveitando os trechos de subida para abrir e ‘soltou os freios’ no rock garden para testar Rissveds e ver se ela acompanhava, tecnicamente a suíça mostrava superioridade técnica e arriscando mais nas tomadas de curvas abrindo alguns metros de vantagem para conquistar seu primeiro título mundial de XCC na elite.

última arrancada de Keller para conquistar o ouro – foto: UCI/SWpix

Alessandra Keller que em Lenzerheide’2018, quando ainda era Sub23 havia conquistado o mundial, mais uma vez correndo em casa com seu estilo de muita força e tática para definição, conquistou a camisa arco-íris – esse resultado se soma a seus dois títulos de campeã geral da Copa do Mundo de XCC 2022/2024

“Sinceramente, não tem como ficar melhor! Ser campeão mundial aqui é uma loucura, incrível!”, disse Keller. “Meus únicos pensamentos eram: ‘só pedalar’. Jenny estava muito forte… Eu fui e tentei, e meu objetivo era não olhar para trás.”

Victor Koretzky, arremate perfeito para garantir o bicampeonato

A prova masculina começou sob muita tensão, com um movimento rápido o dinamarquês Simon Andreassen  se antecipou para entrar na frente do grupo na primeira curva, seguido por Sebastian Fini, Martin Vidaurre, Mathis Azzaro, Samuel Gaze, Luca Braidot, pelos ex-campeões mundiais de XCC, Christopher Blevins’2021; Sam Gaze’2022/23 e pela presença marcante Victor Koretzky, campeão no ano passado.

A trilha não dava espaço para ultrapassagens e uma longa fila se formou na primeira volta e o jardim de pedras que permitia descer com velocidade era um dos pontos de ultrapassagem.

O ritmo elevado dos ponteiros não conseguiu romper o grupo que rodava esticado, mas na ponta era possível ver à dupla francesa Azzzaro e  Koretzky, o estadunidense Blevins, o dinamarquês Andreassen e o chileno Vidaurre.

A alta velocidade e um grupo que não se desmanchava com o passar das voltas deixava a corrida ainda aberta, enquanto o chileno Vidaurre perdia contato, e o mexicano Ulloa se colocava no grupo dianteiro junto a Gaze, Andreassen, Azzaro, De Froidmont, Braidot, Forster e Filippo Colombo, além de Blevins e Koretzky que estudavam o grupo, buscando o melhor momento para atacar.

Na penúltima volta o bloco da frente era comandado por Koretzky, Azzaro, Blevins, Gaze e Andreassen – entre trocas de posições e ritmo elevado, eles dominaram a ponta e nos trechos estreitos não davam espaço para serem atacados.

Koretzky sendo perseguido por Blevins – foto: UCI/SWpix

A última volta começou com uma arrancada de Blevins que dava a impressão que conseguiria se desgarrar dos franceses Azzaro e Koretzky. Na trilha apertada, em meio das árvores o estadunidense ganha espaço, porém na subida final que levava ao jardim de pedras Koretzky se aproximou, desceu arriscando tudo entre as pedras e chegou com mais pernas para arrancar após a curva inclinada que levava para reta final, superando Blevins no sprint. Azzaro ficou com a terceira posição.

“Estar no pódio com o Chris é algo especial. Ele era o cara a ser batido este ano e não foi fácil”, disse Koretzky. “Na última volta, foi difícil alcançá-lo. Ele abriu uma vantagem enorme, mas consegui diminuí-la… Estou superfeliz!”, vibrou o bicampeão de XCC.

Em um circuito onde era muito complicado ultrapassar, tudo dependia de conseguir um bom posicionamento logo na largada, dentro dessa realidade cada um dos três brasileiros vivenciou uma prova.

Malacarne furou na segunda volta, foi para a última posição e se recuperou terminando em 29º – foto: Radek Kašík

Alex Malacarne que havia feito uma boa largada, furou na segunda volta, trocou de roda e foi parar na última posição, daí em diante fez uma corrida de recuperação, e com poucos locais para ultrapassar pedalou com muita determinação, e assim fez 4 voltas mais rápidas no circuito e com isso terminou em 29º.

Gustavo Xavier, largou no fundo do pelotão, no último bloco de ciclistas, chegou a avançar até o meio do pelotão, terminando em 36º. José Gabriel Marques ficou no corte após a sétima volta, terminando na 40ª colocação.

Isabella Holmgren, mais um ano com a camisa arco-íris

A torcida de local vibrou muito ao ver Anina Hutter liderar na segunda das oito voltas, porém a campeã de XCC de 2024, Isabella Holmgren, rapidamente assumiu a liderança.

A canadense tinha a austríaca Katharina Sadnik , de 21 anos, em sua roda, além da brasileira Giuliana Salvini Morgen que esteve muito ativa durante a prova, da alemã Carla Hahn, da sul-africana Tyler Jacobs e da canadense Ella MacPhee formando o pelotão da frente.

Isabella Holmgren – pelo segundo ano consecutivo vence o Mundial de XCC – foto: UCI/SWpix

Na metade da prova, um trio formado por Holmgren, Hahn e Jacobs abria vantagem e se distanciava do grupo. Na sexta, e penúltima, volta a canadense escapou e passou a fazer sua prova solitária, até abrir uma vantagem de 20 segundos, deixando Hahn e Jacobs para trás. Giugiu Morgen ficou na 14ª posição.

“Estou me sentindo muito bem, foi uma corrida superdivertida, me diverti muito”, disse o campeão mundial da UCI. “Eu sabia que era importante ter uma largada muito forte, por causa de todos os trechos de pista única, e descobri que gostava de estar na frente e controlar o ritmo.”

Adrien Boichis supera Treudler em cima da linha

A sub23 masculina teve um início de prova aberto com o canadense Ian Ackert, o norueguês Martin Farstadvoll, o suíço Finn Treudler e o holandês Rens Teunissen Van Manen forçando o ritmo.  Sendo seguidos pelo dinamarquês Gustav Pedersen, o canadense Cole Punchard e o francês Adrien Boichis, que se recuperaram após um início decepcionante.

Não houve uma grande seleção, o pelotão rodou esticado, até a penúltima volta, quando a tensão aumento com  Teunissen Van Manen liderando, enquanto Treudler correndo em casa atacava e Boichis neutralizava qualquer ação. Os três abriram uma pequena vantagem sobre o canadense Punchard que aproveitou o rock garden  para voltar à disputa.

Lado a lado, Boichis e Treudler decidem o Mundial da Sub23 – foto: UCI/SWpix

Treudler e Boichis foram para o guidão a guidão,  Punchard mais atrás disputando com a mesma intensidade com Pedersen. O suíço e o francês avançaram a toda velocidade na última volta, com o suíço na frente até a última curva, quando o francês arrancou para o sprint, vencendo em cima da linha, por uma diferença mínima; Punchard ficou em terceiro.

“Eu conseguia ver a roda do Finn e a minha, e estávamos realmente correndo a todo vapor, e estou muito feliz por ter vencido”, disse Adrien Boichis. “Esse é meu primeiro título mundial ,  e espero que não seja o último.”

CAMPEONATOS MUNDIAIS DE MOUNTAIN BIKE

XCC / Short Track  – Valais – Zermatt – Suíça

Circuito curto – 1 km

Elite Feminina – 9 voltas x 1 km = 9 km

🥇- Alessandra Keller 🇨🇭 – 20m43s – vel. média 26.066 Km/h

🥈- Jenny Rissveds 🇸🇪 +4s

🥉- Jennifer Jackson 🇨🇦 +14s

29- Karen Olímpio 🇧🇷  -4 voltas

34- Raiza Goulão 🇧🇷  -5 voltas

36- Hercília Najara 🇧🇷  -6 voltas

Elite Masculina –  10 voltas x 1 km = 10 km

🥇- Victor Koretzky 🇫🇷 – 21m26s – 27.994 Km/h

🥈- Christopher Blevins🇺🇸 +1s

🥉-  Mathis Azzaro 🇫🇷 +3s

29- Alex Malacarne 🇧🇷 +33s

36- Gustavo Xavier 🇧🇷 +35s

40- José Gabriel Marques 🇧🇷    -2 voltas

Sub23 Feminina – 8 voltas x 1 km = 8 km

🥇- Isabella Holmgren 🇨🇦 -19m52 – vel. Média 24.161 Km/h

🥈- Carla Hahn 🇩🇪 + 20s

🥉- Tyler Jacobs 🇿🇦 +26s

14- Giuliana Morgen 🇧🇷 +50s

35- Luiza Cocuzzi 🇧🇷   -4voltas

Sub23 Masculina – 10 voltas x 1 km = 10 km

🥇- Adrien Boichis 🇫🇷 – 20m57s – vel. média 28.640 Km/h

🥈- Finn Treudler 🇨🇭 – m.t.

🥉- Cole Punchard 🇨🇦 +2s

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