Com altas doses de emoção a etapa de Les Gets da Copa do Mundo de MTB XCC teve o retorno da sueca Jenny Rissvesd ao topo do pódio, encerrando uma seca de 26 meses, e a primeira vitória do britânico Charlie Aldridge. O melhor desempenho entre os 4 brasileiros que correram ficou com Giugiu Morgen que terminou em 10º na prova da Sub23

Uma pista curta e muito rápida, praticamente sem dificuldades técnicas, mas que exigia muito das pernas e o cuidado para não encontrar alguma armadilha no piso escorregadio, molhado pela chuva forte que caiu no dia anterior. Além disso, a Elite correu em um circuito que sofreu uma mudança técnica feita após as disputas da Sub23, algumas horas antes, o Rock Garden onde muitas quedas aconteceram, foi alterado, tirando riscos e deixando a prova ainda mais veloz.
A sueca Jenny Rissveds (Canyon CLLCTV XCO) não vencia uma etapa da Copa do Mundo em um circuito curto – XCC – onde sua explosão e ataque fazem a diferença – desde junho de 2023, e em Les Gets fez seu jogo, forçando o ritmo, indo para a ponta e dividindo o pelotão, de forma determinante, a duas voltas do fim e superar Alessandra Keller (Thӧmus Maxon) na subida brutalmente icônica de Les Gets, enquanto a segunda colocada, Keller, na disputa pela classificação geral obteve grandes ganhos sobre a líder geral Evie Richards (Trek Factory Racing- Pirelli), encurtando a diferença para 40 pontos.

Na prova da Elite Masculina, todas as atenções antes da largada, estavam voltas para a possibilidade de Christopher Blevins conquistar por antecipação a Copa do Mundo UCI XCC, mas surpresas aconteceram com o estadunidense tendo, talvez o seu pior dia da temporada de XCC e o britânico Aldridge (Cannondale Factory Racing) superando seu companheiro de equipe Luca Martin e o italiano Luca Braidot (Wilier-Vittoria Factory Team) para conquistar uma vitória histórica.
Na Sub23 tivemos vencedores contrastantes, por um lado Finn Treudler (CUBE Factory Racing) venceu sua quarta rodada consecutiva, ficando perto de conquistar o título geral, enquanto Vida Lopez de San Roman se juntou a Aldridge e conquistou sua primeira vitória e Giugiu Morgen mais uma vez terminou no top10.
Rissveds faz valer sua camisa de campeã europeia de XCC e volta ao topo
Com todos os olhos voltados para uma batalha entre Keller, Richards, Nicole Koller (Ghost Factory Racing) e Puck Pieterse (Alpecin-Decuninck), Jenny Rissveds roubou a cena estreando sua camisa de campeã europeia de XCC na Copa do Mundo em circuito curto.
Porém foi a líder da CG – em seu último final de semana com a camisa de campeã mundial de XCC, Evie Richards, quem deu o tom desde o início. Após contrair COVID-19 após a vitória de Rissved em Portugal, ela parecia disposta a tirar quaisquer dúvidas sobre sua condição física e superou Rissveds e Keller na primeira volta, chegando a abrir uma pequena vantagem, mas que logo foi neutralizada por um grupo decisivo, formado por Samara Maxwell, Alessandra Keller, Sina Frei e Jenny Rissveds.
Richards buscou insistentemente a ponta do grupo, cruzando na liderança em quatro das nove voltas, enquanto Pieterse, após um período disputando provas de estrada, incluída sua participação no Tour de France Femmes, perdeu terreno saiu do top 10 e, após fazer uma prova de recuperação, terminou em 11º.
Apesar de liderar a Copa do Mundo Olímpica de Cross-country da UCI, Samara Maxwell (Decathlon Ford Racing Team) ainda não conquistou uma vitória no XCC e parecia determinada a mudar isso quando acelerou o ritmo na quinta volta, reduzindo o pelotão para apenas Richards, Keller, Rissveds, Sina Frei (Specialized Factory Racing) e Jolanda Neff (Cannondale Factory Racing).

Richards foi consistentemente a ciclista mais forte no trecho em descida, embora não tenha sido a mais fluida. Ela atacou a descida com mais agressividade do que qualquer outra ciclista no piso escorregadio, mas esses esforços prematuros cobraram seu preço e a duas voltas do fim ficou para trás, já que Rissveds e Keller eram as únicas ciclistas que conseguiam se manter com Maxwell.
Isso significava que tudo se resumia à subida final, e foi Rissveds quem tomou a iniciativa, abrindo caminho cedo e segurando o indomável Keller até a linha de chegada.
“Eu me senti bem tranquila, calma e controlada”, disse Rissveds. “Foi uma corrida muito boa, eu estava calma e tentei jogar com inteligência. Continuo aprendendo coisas a cada corrida, o que é super legal, já que estou bem velha no esporte agora e sinto que ainda tenho muito a melhorar e muitas coisas que posso melhorar. É muito bom aprender todas as vezes e estou feliz que valeu a pena hoje.”
Embora não tenha conseguido a vitória, Keller teve o consolo de uma vantagem de 60 pontos de Richards na classificação geral, ser reduzida para 40, mas Pieterse e Koller terminando fora do top 10 significa que as duas tem mais espaço de manobra com o resto do grupo.
Dobradinha da Cannondale
Blevins chegou à França sabendo que a vitória lhe garantiria, por antecipação o título da Copa do Mundo de XCC e se impôs desde cedo ao lado do campeão alemão Luca Schwarzbauer (Canyon CLLCTV XCO), antes de seu desafio ser interrompido por uma queda de corrente.
Mas, com o histórico do americano de conquistar a vitória na última volta desta temporada, o grupo se concentrou em esticar suas pernas na subida difícil para começar a volta com Simon Andreassen (Orbea FOX Factory Racing), Filippo Colombo (Scott-SRAM MTB Racing Team) e Martin acelerando o ritmo desde o início.
Parecia que a corrida estava garantida para a dupla da Cannondale Factory Racing na sétima volta, quando Thomas Litscher (Cabtech Racing Team) calculou mal uma curva fechada na subida e atrasou o resto do pelotão, permitindo que construíssem uma vantagem de nove segundos na passagem pela meta, mas eles não conseguiram mantê-la e o grupo de ponteiros se reorganizou e manteve-se unido até a última volta.
Foi ali que Braidot fez sua jogada, ultrapassando Aldridge e Martin na subida, apenas para o britânico retribuir o favor virando para o topo da subida e a curta descida até a reta final, o que significou que o favorito da casa teve que esperar o momento certo para o sprint.

Saindo da última curva, Martin estava se aproximando de Aldridge até a linha de chegada no sprint final e conseguiu ficar ao lado de seu companheiro de equipe, mas não conseguiu colocar a roda na frente, terminando no mesmo tempo que o campeão nacional britânico, que comemorou uma vitória histórica em sua carreira.
“Estou absolutamente entusiasmado, a corrida foi tão rápida que eu estava na frente com Luca [Martin] e a última volta foi uma batalha”, disse Aldridge. “Eu não tinha certeza se Luca seria mais rápido ou eu, mas nestas corridas trabalhamos em equipe e a dobradinha é uma ótima maneira de terminar.”
“Tive uma pequena batalha nas últimas curvas, o que fez a frequência cardíaca subir ainda mais do que já estava, mas estou nas nuvens. Você está tão focado em tentar fazer (na última volta], que algo assim acontece, com o Luca (Braidot) voando por dentro e eu pensei: ‘Vou pegá-lo na próxima curva’.”
Em um raro dia ruim para Blevins, o líder geral terminou em 17º, enquanto Aldridge saltou para o segundo lugar na classificação devido à ausência de Victor Koretzky. No entanto, o americano precisa somar apenas 105 pontos (um 8º lugar são 110 pontos) na próxima corrida para garantir a vitória na Copa do Mundo UCI.
“Quando você está um pouco desanimado, a pista curta é um tipo diferente de dor”, disse Blevins. “Eu estava sofrendo, você dá tudo de si na última subida e chega ao topo e mal consegue se segurar no guidão. Mas o primeiro esforço na Europa às vezes pode ser para qualquer lado. Eu não tive um bom dia de ‘abertura’ esta semana na bike, então acho que meu corpo realmente precisava disso para se abrir depois de uma pausa tão longa nas corridas. É como me livrar das teias de aranha, do jetlag e de tudo, e espero que no domingo eu esteja mais livre agora.”

Os brasileiros Alex Malacarne e Ulan Galinski não conseguiram fazer uma boa corrida, terminando em 31º e 33º. Ulan comentou assim o seu dia: “Primeira vez fazendo realmente uma boa largada em Copas do Mundo, entrando no top10 no final da primeira subida, ainda na primeira volta escorreguei na grama e voltei pro fundo do pelotão. Admito que a frustração do momento tirou a minha presença e acabei me perdendo na prova, não conseguindo extrair o meu melhor e cometendo uma sequência de pequenos erros, no final P32 no Short track”.
SUB23: Treudler mantém a consistência e Vida Lopez é a surpresa feminina
Vida Lopez de San Roman manteve-se inabalável em sua jornada rumo à sua primeira vitória. Tendo perdido a primeira parte da temporada, a americana terminou em 13º em Val di Sole e 15º em Pal Arinsal, mas foi uma presença constante na liderança da primeira corrida do dia e superou Valentina Corvi (Canyon CLLCTV XCO), que se aproximou a 76 pontos da ausente líder geral, Katharina Sadnik (KTM Factory MTB Team), e colocando-se na disputa na CG com Ella McPhee (Wilier-Vittoria Factory Team) e Sara Cortinovis (Ghost Factory Racing).

“Estou definitivamente em choque e não acredito”, disse Lopez de San Roman. “Acho que ainda não foi totalmente processado, mas definitivamente significa muito, especialmente sendo uma novata e passando a temporada inteira adquirindo muita experiência e aprendendo com cada corrida. Estou em choque, mas muito animada e, definitivamente, um grande reforço de confiança a uma semana do Mundial.”
A brasileira Giuliana Morgen, mais uma vez esteve no grupo de destaque, terminando a prova na 10ª posição, e comentou: “ Larguei na 4ª fila sabendo que precisava fazer uma boa largada e me posicionar bem… Consegui uma ótima largada, chegando a estar em 6ª colocação. Depois senti o ritmo e me encaixei em um grupo na disputa pelo top 10, com trocas de posição o tempo todo. Foi muito divertido competir nesse nível novamente”.

Na disputa masculina da Sub23, o suíço Finn Treudler pode garantir o título geral da Copa do Mundo XCC na próxima etapa, no Bike Kingdom – em Lenzerheide (Suíça), depois de garantir sua quarta vitória consecutiva após derrotar Benjamin Krüger.
Treudler assumiu a liderança ao contraatacar uma ação de Nicolas Halter na subida e teve um desempenho controlado a partir daí, ampliando sua liderança geral para 234 pontos.

“Foi uma jogada muito inteligente (do Halter) vir de trás e nos ultrapassar com velocidade. Tive que forçar para acompanhar e manter o ritmo e logo passei, percebi a vantagem e continuei até o final”, disse Treudler.
“Tive um treino superbom dormindo em altitude elevada, e acho que percebi isso hoje. Tem sido uma temporada muito boa até agora e estou realmente ansioso pelo Campeonato Mundial em duas semanas”, destacou o líder da CG.
COPA DO MUNDO XCC – LES GETS-ALTA SABÓIA – FRANÇA #7
Elite Feminina – 40 competidoras de 18 países
Circuito 900m x 9 voltas + 8.10km
1- Jenny Rissveds 🇸🇪 – Canyon CLLCTV XCO – 22m18s – vel. média 21.782 km/h
2- Alessandra Keller 🇨🇭 – Thömus Maxon +7s
3- Samara Maxwell 🇳🇿 – Decathlon Ford Racing Team +19s
39- Karen Olímpio🇧🇷 – Soul Extreme Racing Team -4 voltas


Elite Masculina – 40 competidores de 18 países
Circuito curto 900m x 10 voltas + 9.00km
1- Charlie Aaldridge🇬🇧 – Cannondale Factory Racing – 22m04s – vel. média 24.460 km/h
2- Luca Martin 🇫🇷 Cannondale Factory Racing – m.t.
3- Luca Braidot 🇮🇹 – Wilier-Vittoria Factory Team +2s
31- Alex Malacarne🇧🇷 – Specialized Racing BR +52s
33- Ulan Galinski 🇧🇷 – – Caloi Henrique Avancini Racing +1m08s
Sub23 Feminina- 40 competidoras de 18 países
Circuito curto 900m x 8 voltas = 7.20km
1- Vida Lopez de San Roman🇺🇸 – Trinity – 22m25s – vel. média 19.268 km/h
2- Valentina CORVI🇮🇹 – CanyonCLLCTV XCO +4s
3- Olivia Onesti🇫🇷 – BH Coloma Team +11s
10- Giuliana Morgen🇧🇷 – Trek Future Racing +1m14


Sub23 Masculina – 40 competidores de 19 países
Circuito curto 900m x 10 voltas + 9.00km
1- Finn Treudler🇨🇭 – Cube Factory Racing – 23m45s – vel. média 22.721 km/h
2- Benjamin Krüger 🇩🇪 – Singer KTM Racing +4s
3- Heby Gustav Pedersen🇩🇰 – Wilier-Vittoria Factory Team +18s
Mundo Bici Mundo Bici – Por George Panara