Em sua primeira prova na temporada 2025 da Copa do Mundo de MTB XCO, o campeão olímpico Thomas Pidcock, largou no meio do grupo na quarta fila, abriu caminho, tomou a ponta e na última volta fez sua exibição para o público comemorando a vitória. Na Elite Feminina, Samara Maxwell demonstrou superação, e além das dificuldades com a altitude, ela teve um pneu furado e sofreu duas quedas, até chegar à vitória

Andorra, é paraíso dos ciclistas, e aí não importa a modalidade, seja na estrada ou no mountain bike a altitude e a tranquilidade local, além de impostos mais baixos, são um dos grandes atrativos que levam grandes nomes do esporte para lá. E o Pal Arinsal é um dos locais icônicos do MTB, o percurso de cross country, na altitude dos Pirineus é considerado um dos mais difíceis que os ciclistas enfrentarão nesta temporada, e em seus 3.5 quilômetros outro desafio são os 160 metros de ganho de elevação a cada volta e descidas extremamente técnicas que muitas vezes resultam em tombos e furos de pneu, e mais uma vez esse ingrediente foi um complicador para muitos.
Em suas idas e vindas entre o ciclismo de estrada e o mountain bike, o campeão olímpico Thomas Pidcock fez neste domingo (13/07) a sua estreia na temporada 2025 da Copa do Mundo de XCO, e, após conquistar a liderança partindo da quarta fila, pedalou com folga rumo à glória. O francês Luca Martin (Cannondale Factory Racing), que na sexta-feira havia vencido o XCC, até tentou atrapalhar a vitória do britânico, mas um furo de pneu quando rodava a 12 segundos do líder, o obrigou a se manter na segunda posição. A terceira posição foi para Charlie Aldridge (Cannondale Factory Racing), e com seu compatriota Pidcock, esta foi a primeira vez desde 1994 que dois britânicos sobem ao no pódio da Copa do Mundo UCI XCO.

Na Elite Feminina, Samara Maxwell demonstrou determinação em um dia complicado, se recuperou de um furo de pneu e duas quedas, conquistando uma vitória dramática. A neozelandesa atacou na última volta e ultrapassou Alessandra Keller (Thömus Maxon), deixando-a em segundo e Jenny Rissveds (Canyon CLLCTV XCO) em terceiro.
Valentina Corvi (Canyon CLLCTV XCO) e Finn Treudler (Cube Factory Racing) mostraram sua força, com fizeram exibições impressionantes para vencer na Sub23.
Pidcock mostra sua força para vencer ’em casa’
Duas vezes terceiro colocado (2023/24), Pidcock finalmente venceu na cidade que adotou para morar, Pal Arinsal. O britânico fez sua estreia na Copa do Mundo 2025, correndo em casa e desta vez não deu margem aos adversários.

As vitórias de Pidcock geralmente parecem fáceis, mas hoje ele foi forçado a bater guidão e abrir caminho no meio do pelotão após sua largada na quarta fila e a dificuldade que teve para achar o melhor traçado na primeira seção técnica.
O campeão francês, e vencedor no circuito curto – XCC, na sexta-feira, Luca Martin, fez uma bela largada e tomou a dianteira abrindo caminho; mais atrás Pidcock abria caminho e ao final da primeira volta passava na 14ª posição, utilizando as subidas extenuantes a seu favor para avançar.
O britânico era forte demais para aqueles que tentavam segui-lo e, na metade da segunda volta, já estava com o
o grupo líder de seis ciclistas. Martin mantinha um forte ritmo na frente e com isso se distanciou de seu compatriota Mathis Azzaro (Origine Racing Division), abrindo uma vantagem de 9 segundos. Pidcock estava atento ao movimento e diminuiu a diferença, enquanto seu compatriota britânico Aldridge também lutava por posições para chegar ao pódio.
Martin mantinha o ritmo elevado e, agora em companhia de Pidcock, constriu construiu uma vantagem de 27 segundos sobre Azzaro e Aldridge após 30 minutos de corrida.
Na metade da prova, Pidcock aproveitou uma curta subida para lançar um ataque explosivo para ultrapassar o líder. Na sexta das oito voltas, Pidcock tinha uma pequena vantagem de 12 segundos sobre Martin quando um golpe de azar complicou a corrida.
Em uma descida técnica e com raízes que levava aos boxes Martin sofreu um furo, forçando o ciclista a trocar de roda, pouco depois ele sofreria com outros problemas mecânicos. Martin estava mais de um minuto atrás de Pidcock quando retomou a corrida, com isso, o britânico assumiu o controle da prova. Atrás, a batalha pelo terceiro lugar continuava, com Azzaro e Aldridge permanecendo juntos apenas segundos à frente de um grupo maior de perseguidores.

Na abertura da última volta, Pidcock tinha uma vantagem incontestável de 47 segundos sobre Martin, enquanto Aldridge estava 10 segundos à frente de Azzaro na disputa pelo terceiro lugar.
O campeão olímpico aproveitou a última volta e ‘corrreu para a torcida’ executando manobras pelo percurso. Vestido com seu uniforme dourado especialmente desenhado, Pidcock teve tempo de comemorar uma vitória de 21 segundos sobre Martin, e Aldridge terminou em terceiro, 52 segundos atrás do compatriota britânico.
O líder da Copa do Mundo de XCO, Christopher Blevins (Specialized Factory Racing) que havia vencido a segunda etapa em Araxá e a terceira em Nove Mesto e que mostra sua força no circuito curto, vem enfrentando dificuldades na fase europeia do XCO, e após um 17º lugar no extenuante circuito de Leogang, agora sofreu com a altitude de Pal Arinsal, terminando em 29º, a mais de 4 minutos do vencedor, apesar disso ainda se mantém com folga na liderança, com 1395 pontos, e uma vantagem de 313 pontos sobre seu companheiro de equipe Martin Vidaurre.
Em seu retorno vitorioso, Pidcock, vibrou com o resultado: “É muito bom finalmente vencer aqui, quase em casa, depois de alguns anos. Não é um lugar fácil para correr, isso é certo.”

“Meus pneus estavam um pouco duros no final, devido à falta de experiência nas corridas deste ano. Isso jogou a meu favor, pois não furei nem tive problemas. Estava nervoso em conseguir uma boa largada. Se eu tivesse perdido posições da quarta fila, teria ficado muito atrás. Minha largada foi bem tranquila; forcei um pouco no meio da corrida. É difícil para todos correrem tão alto (em altitude), não é como se você conseguisse encontrar mais oxigênio em algum lugar.”
Ao ser perguntado se disputaria mais alguma etapa da Copa do Mundo de MTB Pidcock acrescentou: “Acho que não neste ano. No ano que vem, quero fazer mais algumas corridas”.
Maxwell supera dificuldades
Em um dia bem complicado, com duas quedas e um furo no pneu, a líder da Copa do Mundo, Samara Maxwell conquistou sua segunda vitória na temporada do XCO. A neozelandesa batalhou muito para retornar ao grupo líder de quatro ciclistas, que disputavam os três lugares do pódio e que se distanciaram do pelotão.
O início difícil em subida fez com que a britânica Isla Short disparasse para à frente do pelotão, enquanto a especialista em escalada buscava um resultado melhor que a sétima posição obtida em Saalfelden Leogang – Salzburgerland. Short foi rapidamente absorvida pelo fragmentado grupo líder na trilha, onde Ronja Blöchlinger (LIV Factory Racing) passou a ditar o ritmo. A suíça, teve problemas em uma subida mais empinada e caiu , atrapalhando o avanço de Maxwell.

O difícil ‘jardim de pedras’ de Pal Arinsal, Andorra, também fez suas vítimas, com Evie Richards (Trek Factory Racing – Pirelli) e Loana Lecomte (BMC Factory Racing) sofrendo acidentes na primeira volta, com esta última abandonando a prova.
Na segunda volta, Maxwell e Blöchlinger abriram uma pequena vantagem de 10 segundos sobre a campeã mundial de XCO Puck Pieterse (Alpecin-Deceuninck). Porém a líder da CG diminui o ritmo com furo na roda traseira, entre a troca e a retomada perdeu 47 segundos, caindo para a oitava posição.
Percebendo a oportunidade, Pieterse atacou ao entrar na terceira volta, enquanto Maxwell se mantinha em um grupo que lutava pela quinta posição, 39 segundos atrás.
Após uma largada consistente, Martina Berta (Origine Racing Division) e
Rissveds encurtaram a diferença para seis segundos atrás de Pieterse, após 45 minutos de corrida. Com a pressão do grupo perseguidor aumentando, Pieterse caiu no ‘jardim de pedras’, a queda provocou problemas mecânicos sendo ultrapassada.
Logo depois foi a vez de Alessandra Keller, vencedora do XCC na sexta-feira, diminuir a diferença para a dupla líder, acelerando as subidas íngremes.
Maxwell já estava integrada no pelotão principal, e assumia o comando do grupo, e na penúltima volta, já estava na frente formando um grupo de quatro ciclistas.
Em uma das subidas mais técnicas do percurso em altitude, Maxwell caiu e foi forçada a subir a pé empurrando a bicicleta, oportunidade para Rissveds se distanciar.
A neozelandesa mais uma vez usou toda sua potência para se integrar ao grupo de 4 ciclistas, na abertura da última volta. Maxwell provou ser a mais forte e impôs o ritmo em uma longa subida, sendo seguida por Rissveds.
A líder da CG continuou a aumentar a pressão nas subidas e Rissveds pagou caro por tentar acompanhá-la. Maxwell comemorou sua segunda vitória na Copa do Mundo UCI XCO da temporada, enquanto Keller se esforçou
bastante e teve força o suficiente para ultrapassar a Rissveds no final e garantir o segundo lugar.
Maxwell, declarou: “Eu realmente não consigo acreditar que venci hoje. Ao chegar aqui, minha frase mais importante era ‘só porque você tem uma ideia não a torna realidade’. Tive um pneu furado e duas quedas, todas em um espaço que pareceu de cinco segundos. Pensei ‘vai ser um daqueles dias’ em que entro em pânico e caio no ranking. Eu disse a mim mesma ‘só porque tive a ideia não a torna realidade’. Sou uma lutadora e simplesmente me recompus e as eliminei (as rivais) uma a uma.”
Sobre o dia complicado e superar as dificuldades, a líder da Copa do Mundo disse: “Não sei onde furei, fiz a curva e parecia um pouco esquisito , olhei para baixo e meu pneu estava furado assim que passei pela zona de técnica. Foi um pouco caótico, mas tentei manter a calma. Dei tudo na última volta. Me senti forte, mas continuei cometendo erros bobos nas descidas. Só percebi que precisava de um pouco de espaço para traçar minhas próprias linhas. Esperei até a subida, mas depois de tudo meu corpo inteiro estava gritando. É difícil. As pessoas acham que o que fiz na última volta foi difícil. Não é. O difícil é ter contratempos e se sentir fora de controle.”
Maxwell dedicou a vitória à companheira de equipe Greta Seiwald, que venceu o Campeonato Italiano de Pista XCC no mês passado. “O esporte é cruel. Ela estava em alta depois de vencer o Campeonato Italiano. Ela estava voltando ao seu ritmo. No dia seguinte, ela correu, cometeu um erro estúpido e machucou o tornozelo e agora está fora da temporada.”
Duas quedas não frearam a vitória de Valentina Corvi
Valentina Corvi teve um desempenho dominante e venceu a prova da Sub-23 com mais de três minutos de vantagem sobre Monique Halter. A italiana da Canyon CLLCTV XCO fraturou a clavícula no início desta temporada, mas retornou à Copa do Mundo UCI em grande estilo ao vencer em Val di Sole –no mês passado. Corvi perdeu duas etapas da Copa do Mundo UCI
devido à lesão, enquanto Ella Macphee (Wilier-Vittoria Factory Team) lidera a classificação geral.
Macphee fez uma largada muito ruim, quando uma queda no trecho inicial fez com que a canadense ficasse bem para trás das 10 melhores posições. Corvi não teve problemas, abrindo uma vantagem de mais de um minuto após a primeira volta. A outra italiana, Sara Cortinovis (Ghost Factory Racing) que também está na disputa pelo topo da Classificação Geral chegou a liderar antes de perder terreno no meio da corrida e terminar em 17º.
A altitude em Pal Arinsal – Andorra cobrou seu preço das competidoras, e a estadunidense Vida Lopez De San Roman (Trinity Racing) sofreu com uma largada rápida e terminou em quinto.

Corvi estava fora do campo de visão das perseguidoras, com mais de quatro minutos de vantagem, porém duas quedas na última volta reduziram sua vantagem para 3:25.
A ciclista suíça Monique Halter manteve a prata após ultrapassar Sina Van Thiel (Lexware Mountain Bike Team) na metade da prova. Van Thiel reagiu e terminou apenas oito segundos atrás, em terceiro, após superar a veloz Olivia Onesti (BH Coloma Team) na última volta.
A 11ª colocação da líder geral, Macphee, reduziu sua vantagem sobre Corvi para 64 pontos.
Corvi comemorou sua segunda vitória consecutiva na Copa do Mundo Feminina Sub-23 UCI XCO: “Não tenho palavras para descrever a corrida. Tentei controlar a corrida desde o início e não cometi erros, o que foi o mais importante. Na última volta, caí duas vezes. Estou superfeliz por vencer aqui. Na semana que vem, participo do Campeonato Nacional na Itália, do Campeonato Europeu e depois uma pausa antes da preparação para o Mundial.”
Treudler em mais um final de semana perfeito
Finn Treudler chega à sua quarta vitória, mantendo o domínio da CG do XCO para a categoria. O suíço se destacou dos adversários na segunda volta e construiu uma vantagem incontestável de mais de um minuto.
Os suíços se destacaram no percurso em alta altitude, com Nicholas Halter marcando a volta mais rápida da corrida na sexta volta. O ataque final de Halter foi suficiente para garantir sua segunda colocação, enquanto seu compatriota Maxime Lhomme terminou em terceiro, fazendo um pódio totalmente suíço.
Segundo colocado na CG, o holandês Rens Teunissen Van Manen (KMC Ridley MTB Racing Team), perdeu pontos importantes na série ao terminar em oitavo lugar, e está a 275 pontos do líder Treudler.

Treudler comemorou um fim de semana perfeito em Pal Arinsal, Andorra, com a dobradinha XCC-XCO: “Me senti muito forte hoje e estou superfeliz por vencer depois de uma corrida decepcionante em Val di Sole. Estou superfeliz por conquistar a dobradinha aqui e estou muito orgulhoso por isso. Estou apenas me concentrando em mim mesmo e em ser a melhor versão de mim mesmo, no momento está indo muito bem. Quero defender meu título no Campeonato Europeu, então meu objetivo agora é essa corrida depois de uma pequena pausa. Depois, estarei totalmente focado no Campeonato Mundial em casa.”.
A Copa do Mundo de Mountain Bike XCC-XCO terá uma interrupção para as férias de verão dos europeus, serão sete semanas antes da etapa de Les Gets, na França, de 28 a 31 de agosto, onde os brasileiros Ulan Galinski e Giuliana Morgen provavelmente desembarquem, pensando já no mundial que acontecerá poucos dias depois na Suíça.
Copa do Mundo MTB XCO – Pal Arinsal – Andorra #6
Elite Feminina – 51 competidoras de 21 países
Circuito 3.5 km x 7 voltas = 24.50 km
1- Samara Maxwell 🇳🇿 – Decathlon Ford Racing Team – 1h25m31s – vel. média 17.189 km/h
2- Alessandra Keller 🇨🇭 – Thömus Maxon +9s
3- Jenny Rissveds 🇸🇪 – Canyon CLLCTV XCO +15s


Elite Masculina – 77 competidores de 21 países
Circuito 3.5 km x 8 voltas = 28.00 km
1- Thomas Pidcock 🇬🇧 – 1h20m30s – vel. média 20.867 km/h
2- Luca Martin 🇫🇷 – Cannondale Factory Racing +21s
3- Charlie Aldridge 🇬🇧 – Cannondale Factory Racing +52s
Sub23 Feminina – 39 competidoras de 13 países
Circuito 900m+6 voltasx3.82km = 20.50 km
1- Valentina Corvi 🇮🇹 – Canyon CLLCTV XCO – 1h15m43s – vel. Média 15.846 km/h
2- Monique Halter 🇨🇭 +3m25s
3- Sina Van Thiel 🇩🇪 – Lexware Mountain Bike Team +3m33s


Sub23 Masculina – 69 competidores de 20 países
Circuito 3.5 km x 7 voltas = 24.50 km
1- Finn Treudler 🇨🇭 – Cube Factory Racing – 1h11m13s – vel. media 20.640 km/h
2- Nicolas Halter 🇨🇭 +1m13s
3- Maxime Lhomme 🇨🇭 +1m47s
Mundo Bici Mundo Bici – Por George Panara