COPA DO MUNDO DH: COM DESCIDAS PERFEITAS, BRUNI E SEAGRAVE VENCEM EM PAL ARINSAL

O pentacampeão mundial de downhill, Loïc Bruni, corre em Pal Arinsal como ‘local’ e venceu, com isso encerrou o ciclo de 4 vitórias consecutivas de Jackson Goldstone que ficou em 2º. Na decisão feminina, Tahnée Seagrave venceu uma final dramática após a líder da CG e mais rápida na classificação, Gracey Hemstreet, sofrer um acidente antes da chegada

Loïc Bruni, em Andorra , correu em casa para mais uma vitória, tirando de Goldstone a chance da 5ª vitória consecutiva – foto: WBDS-UCI/Innes Graham

O percurso de alta altitude em Pal Arinsal, Andorra, proporcionou um desafio extenuante de alta velocidade para os pilotos, essa mesma pista nos Pireneus, sediou o Campeonato Mundial de Mountain Bike de 2024 e muitos estavam ansiosos para deixar para trás os erros do ano passado. A descida rápida e frenética de apenas 1,9 quilômetros de extensão e um desnível de 458 metros do  Pic del Cubil até Fontanals, não dá espaço para erros.

O percurso rápido e fluido permitiu que os ciclistas ganhassem velocidade na parte superior antes de chegarem ao jardim de pedras. Uma seção aberta permitiu que eles mantivessem o ritmo antes de entrarem na parte técnica arborizada e descerem até a chegada. As condições de tempestade previstas para a tarde, levaram os organizadores a anteciparem as largadas da Elite Feminina e Masculina.

As previsões de mau tempo, levaram ao cancelamento das finais da categoria Júnior, e o resultado da classificação determinou o resultado final, com isso Max Alran  (Commencal/Muc-Off da Riding Addiction) e Aletha Ostgaard (Canyon CLLCTV Factory Racing) ficaram com as primeiras posições em Pal Arinsal – Andorra.

O canadense Jackson Goldstone chegou a Pal Arinsal sonhando com a quinta vitória consecutiva na Copa do Mundo de Downhill da temporada e na final, antes da entrada de Löic Bruni havia estabelecido o melhor tempo do fim de semana. Porém, o francês tinha uma questão a resolver com o traçado de Pal Arinsal, onde nesse mesmo circuito caiu no ano passado, perdendo a oportunidade de conquistar seu sexto título. No sábado, sem cometer erros, buscando sempre o melhor traçado foi o mais rápido e superou o tempo de Goldstone, conquistando sua segunda vitória nesta temporada.

Tahnée Seagrave, em Pal Arinsal, obteve a sua 11ª vitória em etapas da Copa do Mundo de DH – foto: Pal Arinsal / WBDS-UCI

Na disputa feminina, a britânica Tahnée Seagrave (Orbea/FMD Racing) voltou ao degrau mais alto do pódio, após ter vencido na etapa de abertura em Bielsko-Biała, na Polônia. A jovem canadense Gracey Hemstreet (Norco Race Division) fazia uma descida que parecia levá-la à sua terceira vitória na temporada, mas viu sua vantagem de dois segundos desaparecer em um acidente no final da prova. A campeã mundial de downhill, Valentina Höll (YT Mob), com problemas de saúde manteve vivas suas esperanças na classificação geral com um segundo lugar, enquanto Mille Johnset (Axess Intense Factory Racing) ficou em terceiro.

Bruni freia sequência de 4 vitórias de Goldstone

Loïc Bruni conquistou seu primeiro dos cinco títulos Mundias de Downhill em Andorra há quase 10 anos e conquistou sua 12ª vitória na Copa do Mundo da UCI perto de casa. No entanto, nesta temporada o francês não vencia desde a etapa da Polonia, em Bielsko-Biała .

O colombiano Fernando Juan Muñoz  (Axess Intense Factory Racing), de apenas 21 anos, conquistou o melhor resultado de sua carreira na qualificação, sendo o mais rápido do Q1 com um tempo de 2:40.275, pegando muita gente de surpresa.

Esperança colombiana no DH – aos 21 anos, Fernando Muñoz foi o mais rápido no Q1 e caiu na final – foto: WBDS-UCI

No Q2 última chance para aqueles que não conseguiram entrar entre os 20 melhores do    Q1 foi a vez do campeão nacional francês e vencedor da Copa do Mundo de Downhill em Pal Arinsal de 2023, Thibaut Daprela (Rogue Racing – SR Suntour), conquistar sua vaga na final, com o sexto tempo.

Entre os brasileiros na disputa, Roger Vieira não fez um bom Q1, ficando longe do seu bom desempenho em 82º; já Matheus Neitzke que está intercalando sua participação no DH com algumas provas de Enduro MTB não completou a descida. No Q2 Neitzke foi o 49ª, já o campeão brasileiro esteve muito perto de passar para a final, apenas 103 décimos de segundo o separaram do 10º lugar que garantiria a vaga a Roger.

Roger Vieira, por 0,1s ficou de fora da final – foto: Boris Beyer

Eu estava me sentindo incrível aqui em Andorra. A Q1 estava indo bem, 16º no terceiro setor, e aí saí fora da pista. A Q2 acabei cometendo alguns erros e tive que ultrapassar um piloto e terminei em P14, a 0,1 de entrar na final. 2.7 segs do primeiro colocado é absolutamente ridículo de rápido e não conseguir passar pra final com um tempo desse só mostra que o nível está altíssimo“, comentou Roger em suas mídias sociais.

Na final, Draprela foi o quinto a encarar a descida, e foi o francês que estabeleceu a primeira marca a ser superada, com 2m37s401, era até o momento o melhor tempo do final de semana, e que ao término da competição lhe garantiu a 6ª colocação.

O campeão mundial de downhill, Loris Vergier (Commencal/Muc-Off, por Riding Addiction), conquistou sua camisa arco-íris nesse mesmo percurso no ano passado. O francês foi o mais veloz durante as seções iniciais e, em seguida, mostrou sua velocidade na metade inferior, diminuindo em oito décimos o de seu compatriota Dapresa e estabelecendo um novo recorde de 2m36s534.

Andreas Kolb (YT Mob), atual campeão europeu usou sua estatura física a seu favor para ganhar tempo na metade superior do percurso. No entanto, na seção técnica, o austríaco perdeu tempo, ficou a três décimos de Vergier e terminou a nove décimos do melhor do dia, ficando em quarto.

O campeão italiano Davide Palazzari (Rogue Racing – SR Suntour) estava baixando o tempo em mais segundo e parecia pronto para registrar o tempo mais rápido até que uma queda no jardim de pedras final lhe custou caro, e o pior, ao final da competição ele foi desclassificado.

Outro francês morador de Andorra, Amaury Pierron (Commencal/Muc-Off By Riding Addiction) estava mais de um segundo à frente do companheiro de equipe Vergier , porém, errou uma curva e saiu da pista.  

Goldstone, tentou a 5ª vitória consecutiva, mas foi barrado por Bruni – foto: WBDS-UCI

Buscando sua quinta vitória consecutiva, e fazer história, Goldstone teve uma tarefa árdua para ganhar velocidade no percurso rápido e fluido. Apesar de seu físico menor, o canadense tinha uma vantagem de cinco décimos no segundo split e descia com uma velocidade incrível. Dominando todas as linhas e saídas, o líder da Copa do Mundo de Downhill foi o mais rápido, superando o tempo de Vergier, por 8 décimos de segundo, registrando um novo tempo recorde de 2m35s646.

No entanto, o penúltimo na descida, Bruni superou o tempo do canadense em mais de um segundo no setor de abertura. O pentacampeão mundial manteve sua vantagem e velocidade na seção intermediária e destronou Goldstone ao ser 1,2 segundo mais rápido, registrando um tempo de 2m34s367.

O colombiano Muñoz, chegou à final como o mais rápido da classificação, vencendo o Q1 e buscava fazer história e se tornar o primeiro colombiano a vencer uma etapa da Copa do Mundo de Downhill. O sul-americano estava seis décimos atrás no setor de abertura, porém se deixou levar pela emoção e foi além com um ritmo além dos limites caindo e fechando a descida em 24º;

Goldstone mantém a liderança da CG com 1406 pontos, e uma vantagem de 137 pontos sobre Bruni e 480 sobre Loris Vergier.

Após conquistar sua 12ª vitória em etapas da Copa do Mundo, Bruni declarou: “Significa muito. Disputar com Jackson (Goldstone) nesta temporada e vê-lo melhorar me impulsionou a vir para cá com muita motivação. Me redimi das grandes emoções do ano passado, quando caí no Mundial “;

A volta por cima: no ano passado caiu nessa mesma pista, durante o Mundial, agora a 12ª vitória em etapas da Copa do Mundo – foto: WBDS-UCI

“Estava com muita vontade de ganhar. A pista estava difícil e a toda velocidade, não havia muito o que fazer além de acelerar. Muitos caras estavam incrivelmente rápidos hoje, e estou muito feliz por ter conseguido ser um pouco mais solto e louco do que todos. O Jackson estava mandando brasa de novo, então é muito legal vencê-lo de forma justa. Foi uma temporada tranquila e estou feliz por estar de volta ao topo. Um dia e tanto”.“Olhei para o tempo do Loris (Vergier) e foi insano — 2:36 foi, de longe, o tempo mais rápido de todo o fim de semana. Não tinha certeza se conseguiria superar isso, mas dei tudo de mim e, na minha cabeça, pensei: ‘Chega de hora, chega de enrolação’. Estou muito feliz por ter evitado erros e arriscado em uma seção, o que valeu a pena.”, concluiu o vencedor da etapa, e vice-líder da CG.

Seagrave vence após queda de Gracey Hemstreet

Depois de vivenciar a experiência de subir ao pódio em Andorra quando em 2023 ficou com o em terceiro lugar, desta vez Seagrave foi ao topo do pódio e conquistou a 11ª vitória da sua carreira na Copa do Mundo de Downhill.

A jovem canadense Gracey Hemstreet buscava seu terceiro triunfo na nesta temporada da Copa do Mundo e se classificou como a mais rápida, com o tempo de 3m00s955. No entanto, Seagrave pressionou sua adversária e foi apenas um décimo mais lenta na classificação.

A campeã colombiana Valentina Roa Sanchez (MS-Racing), de 20 anos de idade, foi a segunda a largar e fez uma descida agressiva para estabelecer a marca inicial de 3m02s389, o que ao final da competição resultou em um 6º lugar.

A neozelandesa Jess Blewitt (Cube Factory Racing) fez um primeiro trecho a mais de um segundo atrás do tempo da colombiana, mas forcou o ritmo no trecho inferior inferior de sua corrida e parando o relógio em 3m01s106 – liderança momentânea e rápido o suficiente para garantir a quarta posição final.

A vencedora do último fim de semana em La Thuile – e ganhadora em Pal Arinsal em 2023 – Nina Hoffmann (Santa Cruz Syndicate) foi a primeira das cinco últimas finalistas a largar, mas sofreu uma queda na curva superior, acabando com suas esperanças.

Valentina Höll, fez o 2º tempo na final – foto: WBDS-UCI

A campeã mundial de downhill, Valentina Höll, já venceu duas vezes na nova pista de Pal Arinsal, e aproveitou dessa confiança para fazer uma largada explosiva e no trecho inicial baixou três décimos. A austríaca manteve sua velocidade no jardim de pedras, construiu sua vantagem no setor inferior e se tornou a primeira mulher da elite a quebrar a barreira dos três minutos, parando o relógio em 2m58s651.

Após se classificar em terceiro lugar, Johnset desafiava o tempo de Höll antes de um pequeno erro resultar na perda de um tempo crucial no segundo setor. A norueguesa se esforçou ao máximo no restante da descida e terminou apenas um décimo atrás de Höll, e ao final em terceiro.

Penúltima a entrar no pórtico de largada, Seagrave fez valer sua experiência e acelerou nas duas primeiras seções e chegou 2,3 segundos à frente de Höll na entrada da última seção rochosa. A britânica manteve a vantagem durante uma corrida impecável e estabeleceu um novo recorde de 2m56s835.

Uma queda no final, tirou a líder da CG, Gracey Hemstreet do pódio – foto: WBDS-UCI

A mais rápida na classificação, Hemstreet, teve dificuldades para igualar a velocidade de Seagrave na seção superior e precisou de seis décimos de segundo para encontrar a vantagem. Reconhecida por sua habilidade técnica, a jovem canadense encontrou uma velocidade incrível e reverteu a desvantagem para assumir a liderança por quatro décimos de segundo. Com uma vantagem de dois segundos na chegada, e voando baixo, Hemstreet sofreu uma queda ao sair da seção final, resultando em um quinto lugar, mais de cinco segundos atrás da vencedora do dia. 

Apesar de estar doente no evento, o segundo lugar de Höll a mantém como líder geral da Copa do Mundo de Downhill, com 1344 pontos, seguida pela canadense Gracey Hemstreet com 1225, e pela vencedora em Andorra, Seagrave com 1152.

Em entrevista ao final da prova, Seagrave disse: “Eu sabia que Gracey (Hemstreet) ia vencer. Ela estava tão rápida que fiquei meio chateada por ela ter caído tão perto do final. Estou feliz com meu desempenho hoje. Não estava tão comprometida quanto algumas das outras meninas (no jardim de pedras), então sabia que precisava causar o máximo de dano possível onde eu me sentia bem. Gracey (Hemstreet) estava um pouco mais atrás de mim ontem (na seção superior), então quando vi que ela estava a um segundo de distância, soube que ela faria algo especial”.

Tahnée Seagrave, vitória em Andorra e 3ª na CG – foto: WBDS-UCI

Esta temporada tem sido um pouco frustrante, mas sinto que em uma temporada tão longa você tem que sacrificar algumas corridas aqui e ali. Espero que as minhas já tenham terminado”, finalizou Seagrave

COPA DO MUNDO DE MTB DH – Pal Arinsal – Andorra #6

Descida de 1.900 m

Elite Feminina – Q1 30 competidoras de 16 países – final 15 melhores de 10 países

1- Tahnée Seagrave 🇬🇧 – Orbea/FMD Racing – 2m56s835 – vel. média 38.680km/h

2- Valentina Höll 🇦🇹 – YT Mob +1s816

3- Mile Johnset 🇳🇴 – Axes Intense Factory Racing +1s990

4- Jess Blewitt 🇳🇿 – Cube Factory Racing +4s271

5- Gracey Hemstreet* 🇨🇦 – Norco Race Division +5s248

*Sub23

Elite Masculina Q1 – 96 competidores de 25 países | final – 30 melhores de 13 países

1- Loïc Bruni 🇫🇷 – Specialized Gravity  – 2m34s367 – vel. média 44.310km/h

2- Jackson Goldstone* 🇨🇦 – Santa Cruz Syndicate +1s279

3- Loris Vergier 🇫🇷 – Commencal-MucOff by Riding +2s167

4- Martin Maes 🇧🇪 – Orbea/FMD Racing +2s478

5- Oisin O’Callaghan 🇮🇪 – YT Mob +2s508

82 – Q1 -Roger Vieira – 🇧🇷 – Pivot Factory Racing

14- Q2

DNF  – Q1 – Matheus Neitzke 🇧🇷

49- Q2

*Sub23

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