Karen Olímpio em final de semana perfeito, após a vitória no XCC da sexta-feira, repete o bom desempenho e o domínio no XCO e conquista pela terceira vez o título brasileiro. José Gabriel em uma corrida correta, indo ao ataque e sem erros, chega ao topo e vestirá a camisa de campeão nacional

O domingo no Parque Ecológico da Cachoeira, em Congonhas foi reservado para as disputas mais importantes do programa do Brasileiro de MTB com a realização das provas de XCO das categorias juvenil, junior, Sub23 e Elite para ambos os gêneros.
Pelo título de cross-country olímpico da Elite feminina, Karen Olímpio, mais uma vez mostrou que fez uma preparação muito cuidadosa para este brasileiro, e após a conquista do XCC na sexta-feira, no domingo durante a prova do XCO teve um total domínio da corrida, com uma leitura perfeita das adversárias e um ataque determinado que lhe garantiu o terceiro título (Mairiporã’2021, São José dos Campos’2023 e Congonhas’2025) nessa especialidade.
A prova desde a sua largada teve três protagonistas – a jovem Giuliana Morgen, que corre a Copa do Mundo como Sub23, mas que no brasileiro foi bater guidão na Elite, Karen Olímpio e Raiza Goulão, aos 34 anos a mais experiente e que corria em busca de seu oitavo título brasileiro e que a levaria a empatar com a recordista Adriana Nascimento (campeã em 1995/96/97/98/99/2000/01/02).

Giugiu não teve medo de pôr a cara na ponta e buscar dar ritmo à competição, desde a largada, esse movimento rompeu com o pelotão e só foi acompanhado por Raiza e Karen com as três se isolando na ponta volta após volta, com diferenças que no final superaram os 3 minutos para a 4ª colocada, Isabella Lacerda e a 5ª colocada Letícia Cândido e por aí dá para se ter noção que o trio ‘rodou’ muito forte.
A prova só foi definida na sétima e última volta, quando Karen resolveu atacar ao perceber que Giugiu acusava o desgaste da prova. A mineira colocou ritmo e passou a abrir distância, enquanto Giugiu perdia ritmo, e foi ultrapassada por Raiza que foi estratégica – fez praticamente toda a prova acompanhando e aguardando o movimento das duas e teve forças para tentar uma reação indo em busca de Karen, porém a mineira estava em seu dia e não diminuir até o final para confirmar o seu final de semana perfeito com a dobradinha XCC+XCO repetindo Mairiporã’2021.
“Esse final de semana foi incrível. Conquistar os dois títulos, do Short Track e do XCO, é muito especial para mim. A prova de hoje foi estratégica e bastante dura, com grandes adversárias. Quando vi que tinha forças na última volta, arrisquei tudo e consegui abrir. Estou muito orgulhosa do meu desempenho e do trabalho que venho fazendo com minha equipe”, comentou Karen.
José Gabriel: com determinação e sem erros
A prova da Elite masculina José Gabriel Marques desde os primeiros movimentos, mostrou que estava em busca do título, largou forte buscando a ponta, foi acompanhado por Cocuzzi e pelos mais fortes da atualidade, em uma corrida marcada pela força, velocidade, reviravoltas, uma impressionante recuperação do Galisnki e uma precipitação de Malacarne que quase o tirou da disputa.

Na primeira volta já foi feita uma primeira seleção, com um grupo de sete ciclistas – José Gabriel, Galinski, Alex Malacarne, Luiz Henrique Cocuzzi, Ulan Galisnki, Gustavo Xavier e Nicolas Machado rodando forte e disputando a ponta de forma intensa, sendo acompanhados de perto por Mario Couto, Sherman Trezza e Fernando Nunes.
Na segunda volta Malacarne testa o grupo e aumenta o ritmo, dando uma esticada no grupo, e excluindo alguns da perseguição ao chegar na subida mais dura, onde o paranaense era acompanhado por Zé Gabriel, Galinski , Cocuzzi e Nicolas que resistiu por algum tempo junto ao grupo, mas antes de abrir a terceira volta ele perdeu o contato com o quarteto.
Na terceira volta Galinski sofre um furo no pneu dianteiro, longe da área técnica, o que lhe custou mais de um minuto de atraso até chegar no apoio e fazer a troca – aparentemente poderia estar fora da disputa, pois na frente alguns ciclistas conseguiram conectar com os escapados com o grupo ponteiro rodando com 7 ciclistas: os parceiros de equipe Malacarne e Gustavo Xavier, José Gabriel, Cocuzzi, Sherman Trezza, Mario Couto e Nicolas Machado.

Correndo em parceria, Gustavo Xavier e Malacarne forçaram o ritmo e isso esticou o grupo, apenas José Gabriel mostrava consistência para acompanhá-los com a mesma força, enquanto Cocuzzi conseguia se manter na roda dos ponteiros.
Antes do final da quarta volta, mais um ataque de Malacarne que se distanciou do pequeno grupo, sendo acompanhado por Zé Gabriel, enquanto atrás Xavier e Cocuzzi mantinham-se na perseguição.
Atrás Galinski iniciava seu contrarrelógio para conectar-se com o grupo ponteiro, descontando segundos em cada trecho do circuito, e aproveitando cada competidor que estivesse à sua frente como referência para elevar o ritmo e ultrapassar.
Ao final da quinta volta, Malacarne e Zé Gabriel impunham o ritmo, ficava claro, após a metade da prova que os dois estavam com boas pernas, mas Xavier e Cocuzzi mantinham-se na marcação. Galinski encurtava a diferença e comandava um grupo onde estava Mario Couto e Sherman Trezza .
Na sexta volta a série de ataques e contra-ataques entre Malacarne e Zé Gabriel deixam para trás a Gustavo Xavier sentindo o efeito de um resfriado perdia terreno, enquanto Cocuzzi se esforçava para se manter próximo da dupla líder. Zé Gabriel atacou mais uma vez, e conseguiu abrir uns metros de vantagem sobre Malacarne.
Galinski já rodava na quarta posição e passou a fazer dupla com Cocuzzi que agora em companhia tentava mais uma vez reconectar com os ponteiros.
Na oitava volta, José Gabriel mantinha-se à frente e Malacarne sempre marcando seus movimentos, em uma ação que remetia muito à tática utilizada pelo paranaense para vencer o XCC na sexta-feira, deixando o adversário no comando, atacando vez ou outra, mas dosando energia para a última volta. Galinski chegava à terceira posição, rodando a 52 segundos dos líderes e com mais de 50 segundos de vantagem sobre o quarto colocado, Sherman Trezza, enquanto Cocuzzi acusava o desgaste perdendo muitas posições.
Macalarne, fez uma penúltima volta economizando energias, era claro que ele atacaria na última volta, porém antecipou o movimento e logo que entraram no trecho plano entre o ponto de apoio e a reta de chegada foi ao ataque, arrancando com violência metros antes de subir a ponte de madeira, porém errou o cálculo e o local da ultrapassagem. Com muita velocidade ele foi lançado para além da rampa, caindo e chocando-se violentamente contra o chão; além da pancada o seu guidão girou e ficou preso no quadro da bicicleta – estava aberto o caminho para Zé Gabriel fazer seu voo solo para a vitória.
Malacarne levou muito tempo para colocar seu guidão em posição, perdendo inclusive o segundo lugar para Galinski. Em todo esse processo o paranaense perdeu 1m39 para o líder e 47 segundos para Galinski, porém ainda no pódio com o terceiro lugar.
José Gabriel teve toda a tranquilidade para fazer uma volta final sem erros e chegar merecidamente ao título, depois de estar muito perto em edições anteriores. Galinski for premiado pela perseverança e Malacarne ficou com o gosto amargo da medalha de bronze, após uma precipitação que provavelmente lhe custou a vitória.
Novo campeão brasileiro, José Gabriel comentou: “Foi uma prova muito intensa, com muitos atletas fortes disputando a liderança. Quando consegui abrir vantagem nos quilômetros finais, sabia que precisava manter o foco e não cometer erros. Ganhar esse título representa muito pra mim. Estou muito feliz e emocionado, eu sonhei com esse momento, eu idealizei cada detalhe”.

Na categoria Sub23 Luiza Cocuzzi após vencer o XCE, mostrou seu bom momento vencendo a prova com boa vantagem sobre Gabriela Ferolla. Na prova masculina um duelo emocionante entre Vinicius Howe e Eike Leoncio, com o mineiro Howe se impondo na chegada. O terceiro lugar ficou para Henrique Bravo que nesta temporada está se dedicando ao ciclismo de estrada junto à equipe de formação da Soudal-Quick Step.
Nas categorias de base Kauã Pedro dos Santos e Hani Rodrigues Barbar foram os campeões da categoria Juvenil. Na Júnior, os vencedores foram Miguel Volpini e Anna Vitória de Oliveira Vieira, nomes da nova geração que despontam como promessas.

Campeonato Brasileiro de Mountain Bike Cross-Country
Parque Ecológico da Cachoeira- Congonhas/MG
XCO – Cross-country Olímpico – circuito de 4.19 km
Elite Feminina – 7 voltas – 13 competidoras
🥇- Karen Olímpio – 1h24m32s472
🥈- Raiza Goulão +8s225
🥉- Giuliana Morgen +34s274


Elite Masculina – 9 voltas – 24 competidores
🥇- José Gabriel – 1h32m04s209
🥈- Ulan Galinski +45s
🥉- Alex Malacarne +1m50s
Sub23 – Feminina – 6 voltas – 7 competidoras
🥇- Luiza Cocuzzi – 1h15m48s147
🥈- Gabriela Ferolla +1m55s
🥉- Lorena Ferraz +10m01s560
Sub23 Masculina – 8 voltas – 32 competidores
🥇- Vinicius Howe – 1h24m27s418
🥈- Eike Leoncio +1s034
🥉- Henrique Bravo +35s
Junior Feminina – 5 voltas – 10 competidoras
🥇- Anna Vitória Vieira – 1h10m39s191
🥈- Lauriany Neves +1m4s723
🥉- Ana Laura Bueno +3m8s585
Junior Masculina – 6 voltas – 30 competidores
🥇- Miguel Volpini – 1h05m25s722
🥈- Leonardo de Castro +1m1s870
🥉- Daniel Hoffmann +2m30s640
Juvenil Feminina – 4 voltas – 3 competidoras
🥇- Hani Barbar – 55m13s495
🥈- Lara Cardoso + 8m36s920
🥉- Gabriela Roma +12m41s550
Juvenil Masculina – 5 voltas – 40 competidores
🥇- Kauã dos Santos – 55m22s242
🥈- Gabriel Galvão +2m38s
🥉João Faria +3m38s
Mundo Bici Mundo Bici – Por George Panara