Jackson Goldstone é o mais veloz na ‘Black Snake’ de Val di Sole e conquista sua terceira vitória consecutiva na temporada assumindo a liderança da competição; Roger Vieira termina em 22º e marca pontos para o ranking. Marine Cabirou vence; e com o segundo lugar Valentina Höll assume a camisa de líder da Copa do Mundo de DH

Após um 2024 marcado por lesões, o jovem canadense mostra sua recuperação e a confiança, e após as vitórias em Loudenvielle-Peyragudes e Leogang deixa sua marca também em Val di Sole, e após ser o mais rápido na primeira qualificatória, foi o mais rápido na final, superando por 2s42 ao australiano Troy Broensas e por mais de 3 segundos ao campeão francês Thibaut Daprela que conseguiu o pódio apesar de ter feito boa parte da descida apenas na gravidade – percorrendo o traçado com a bicicleta sem a corrente.
Na Elite feminina, a francesa Marine Cabirou conquistou sua nona vitória na Copa do Mundo Feminina Elite UCI Downhill, fazendo uma descida mais rápida que a campeã mundial Valentina Höll e a mais rápida da classificatória, a eslovena Monika Hrastnik que terminou em terceiro.

A Black Snake é uma das mais emblemáticas pistas de downhill do circuito da Copa do Mundo, com um percurso de 2,240 quilômetros é um duro teste para a velocidade e técnica com uma inclinação média de 24% e um desnível total de 550 metros, com as condições secas deste final de semana, os pilotos tiveram um percurso empoeirado.
GOLDSTONE: TERCEIRA VITÓRIA CONSECUTIVA E A LIDERANÇA
Com 21 anos, Jackson Goldstone que corre pelo Santa Cruz Syndicate mostrou-se muito tranquilo, e isso ajudou a colocá-lo mais uma vez no topo do pódio pela terceira vez nesta temporada da Copa do Mundo de Downhil; o resultado também lhe garantiu a liderança geral da competição, superando ao ídolo francês Loïc Bruni (Specialized Gravity).
Amaury Pierron que ocupava a terceira posição na classificação e havia feito o 5º tempo no treino cronometrado, não teve sorte e na sexta-feira numa descida antes do Q1 caiu e quebrou a clavícula.
A pista fez suas vítimas, buscar o limite levou ao chão os britânicos Matt Walker (Trek Factory Racing DH) e Joe Breeden (Axess Intense Factory Racing), além dos locais Christian Hauser (Trek Factory Racing DH) e Davide Palazzari (Rogue Racing – SR Suntour).
O mais rápido no Q2 do dia anterior, Antoine Pierron (Commencal Schwalbe por Les Orres), manteve a calma no percurso difícil e em alguns trechos superou os 60 quilômetros por hora. No entanto, quando liderava, Pierron sofreu um furo no último trecho, o que lhe custou uma disputa pelo pódio.

O campeão francês Thibaut Daprela (Rogue Racing-SR Suntour), vigésimo primeiro a descer, perdeu a corrente ainda na primeira intermediária, não se abalou e foi o mais veloz na segunda seção, e na metade da descida melhorava o tempo em 3 segundos. Apesar de cometer alguns
erros e de não ter corrente para pedalar nos momentos finais, o francês foi o mais rápido, com 3m42s22 — naquele momento garantiu a liderança e que o final garantiu o terceiro lugar.
O estadunidense Dylan Maples (Commencal/Muc-Off by Riding) de 21 anos, chegou a ficar próximo de superar o tempo de Daprela, foi rápido mas não conseguiu superá-lo, ao final do dia ficou como 4º tempo. .

O campeão mundial de Downhill, Loris Vergier (Commencal/Muc-Off by Riding) foi o próximo a testar o percurso empoeirado e estava na disputa na parte superior. No entanto, o francês perdeu tempo na mata e, apesar de terminar com força, estava a 1s30 de Daprela, e ao final terminou com o 5º lugar.
O líder da classificação geral, Loïc Bruni, também perdeu tempo na seção intermediária e acabou fora do pódio, terminando em 6º lugar e perdendo a camisa de líder da competição.
O penúltimo a largar, o australiano Troy Brosnan (Canyon CLLCTV Factory Team), foi o segundo mais rápido na parte superior e manteve a velocidade nas descidas íngremes. Brosnan ainda estava atrás do tempo de Daprela antes de se lançar com tudo nas descidas mais baixas destronando o francês com 3m41s28.
O australiano não teve tempo nem de comemorar, pois logo depois foi a descida do canadense Goldstone que começou rápido e na terceira seção já estava com o melhor tempo, mantendo a velocidade até o final, para conquistar a sua terceira vitória consecutiva na temporada, terminando 2s42 à frente de Brosnan.

O brasileiro Roger Vieira que chegou à final ao se classificar com o 18º melhor tempo no Q1 – neste novo sistema de classificação com os 20 melhores tempos do Q1 avançando diretamente para a final e as outras 10 vagas sendo definidas no Q2- um sistema que afunila e torna ainda mais difícil a possibilidade de se disputar a final. Teve um dos melhores finais de semanas de sua carreira terminando com o 22º tempo. Em suas mídias sociais comentou: “Meu melhor resultado em uma copa do mundo P22, acabei cometendo muitos erros na minha descida, mas muito feliz de ter passado para as finais e ter conseguido botar o Brasil no p22!”.
“Foi uma corrida muito boa hoje. Senti que estava acertando bem todas as minhas linhas, por três vezes precisei dar um leve toque com o pé”, destacou Goldstone que vem demonstrando muita confiança na temporada. “Isso veio da grande motivação das minhas duas últimas vitórias e da confiança adquirida nos treinos. Pareciaque ia acontecer. Eu estava confiante na minha corrida durante todo o percurso. Senti que não deixei nada de fora. Foi uma boa corrida.”

Em nove anos, Goldstone é o primeiro piloto a vencer três etapas consecutivas da Copa do Mundo de Downhill, o último a conseguir isso foi o britânico Danny Hart na temporada de 2016, sobre esse dado histórico ele acrescentou: “É uma estatística incrível de se fazer parte. Senti como se todos estivessem falando sobre as vitórias. Estou tão orgulhoso de poder fazer isso. O objetivo é fazer o melhor que posso em cada corrida, não importa onde eu termine. Contanto que eu esteja feliz com a minha corrida e com as últimas três corridas, e elas têm sido corridas vencedoras. Preciso manter esse ritmo e continuar me esforçando. Tenho um bom bloco de treinos na próxima semana”, concluiu o canadense que assumiu a liderança geral com 874 pontos, 100 à frente do francês Loïc Bruni.
CABIROU: CORRIGE OS ERROS E VENCE COM EXPERIÊNCIA
Após um começo de temporada irregular, a francesa de 28 anos, Marine Cabirou (Canyon CLLCTV Factory Team) que no ano passado havia vencido as etapas de Bielsko-Biala e Mont-Sainte Anne, conquistou em Val di Sole a nona vitória de sua carreira em etapas da Copa do Mundo de Downhill.

A competição começou com a ausência de Anna Newkirk (Frameworks Racing/5Dev), mais uma vítima do percurso técnico Black Snake, que caiu durante o treino e nem conseguiu disputar a fase classificatória com uma fratura na mão.
Vencedora no ano passado em Val di Sole e uma das favoritas, Tahnée Seagrave, teve um fim de semana para esquecer ao errar o tempo de uma curva na mata, deu adeus à disputa.
Com uma descida muito rápida, Cabirou foi a primeira a superar o tempo da neozelandesa Jess Blewitt (Cube Factory Racing) quarta a descer, assumindo a liderança momentânea.
Após conquistar duas vitórias consecutivas em Loudenvielle-Peyragudes e Leogang, Gracey Hemstreet (Norco Race Division) perdeu tempo nas seções superiores do percurso e, apesar de forçar as seções técnicas, a canadense teve que se contentar com a quarta posição – dois segundos atrás de Cabirou.

A campeã mundial de downhill, Valentina Höll (YT Mob), percorreu uma seção superior dominante com os melhores tempos na segunda e na terceira intermediária. A diferença entre Höll e Cabirou era mínima, mas a forte seção final da francesa fez a diferença, com Höll terminando 1s27 segundos atrás.
Com o melhor tempo no Q1, a eslovena, Monika Hrastnik (AON Racing – Tourne Campervans), fez uma descida consistente, porém mostrou dificuldades para encontrar o ritmo do dia anterior e terminou em terceiro.

“Meu início de temporada não foi muito bom. Estava lutando um pouco para subir no pódio e voltar ao topo. Estou muito feliz por vencer hoje. Foi um fim de semana realmente desafiador. A pista estava realmente destruída, dei o meu melhor e finalmente isso valeu a pena”, destacou Cabirou sobre o resultado.
Acrescentando sobre as mudanças que fez após terminar em quinto na classificação da sexta-feira, ela acrescentou: “Eu apenas tentei forçar ainda mais e encontrar o melhor ritmo. Cometi muitos erros ontem (na classificação) e simplesmente não me senti bem na minha corrida. Só tentei relaxar, aproveitar e pegar um bom impulso na minha bike. Gostei muito da última parte da pista, então tentei forçar ainda mais naquele trecho porque perdimuito tempo com um erro grave no topo. Não achei que seria a corrida para a vitória, mas finalmente é.”
Com o segundo lugar em Val di Sole, a austríaca Höll ultrapassa a canadense Hemstreet por apenas 45 pontos e assume a liderança geral da série após cinco rodadas.
COPA DO MUNDO DE MTB DH – Val di Sole – Trentino – Itália #4
Pista Black Snake – Descida de 2.240 m
Elite Feminina – Q1 36 competidoras de 14 países – final 15 melhores de 9 países
1- Marine Cabirou 🇫🇷 – Canyon CLLCTV Factory Team – 4m10s310
2- Valentina Höll 🇦🇹 – YT Mob +1s271
3- Monika Hrastnik 🇸🇮– AON Racing-Tourne Campervans +1s881
4- Gracey Hemstreet* 🇨🇦 – Norco Race Division +2s092
5- Jess Blewitt 🇳🇿 – Cube Factory Racing +2s223
*Sub23


Elite Masculina Q1 – 98 competidores de 23 países | final – 30 melhores de 13 países
1- Jackson Goldstone* 🇨🇦 – Santa Cruz Syndicate – 3m38s862 – vel. média 36.845 km/h
2- Troy Brosnan 🇦🇺 – Canyon CLLCTV Factory Team +2s422
3- Thibaut Daprela 🇫🇷 – Rogue Racing – SR Suntour +3s361
4- Dylan Maples* 🇺🇸 – Commencal-MucOff by Riding +4s728
5- Loris Vergier 🇫🇷 – Commencal-MucOff by Riding +5s069
22- Roger Vieira – 🇧🇷 – Pivot Factory Racing +11s783
*Sub23
Mundo Bici Mundo Bici – Por George Panara