COPA DO MUNDO XCC: BLEVINS E PIETERSE AO MÁXIMO RENDIMENTO

Mantido o domínio de Christopher Blevins e Puck Pieterse nas provas no circuito curto da Copa do Mundo; agora foi em Val di Sole, na Itália. Cada um à sua maneira, atacou na última volta para assegurar a vitória e manter a alta a estatística com 100% de aproveitamento nas corridas que participaram

5ª vitória consecutiva de Blevins – Foto: WBD-S_UCI / Michal Cerveny

Não importa o lugar, se o circuito curto for em altitude, em um traçado mais técnico ou em outro mais simples, porém nesta temporada em cinco etapas da Copa do Mundo de XCC o domínio na elite masculina é do estadunidense Chris Blevins, primeiro homem a vencer na sequência cinco etapas.

Entre as mulheres, não fosse a sua ausência nas duas etapas disputadas no Brasil, é bem provável que a holandesa Puck Pieterse tivesse um desempenho similar, pois das 3 etapas que entrou no circuito curto, venceu as três e sempre procurando se impor.

Com o calor chegando forte nas montanhas do Trentino, a pista com pouco mais de 900metros ficou seca e com muita poeira, onde mais uma vez tivemos disputas intensas pelo comando do grupo. Tanto as mulheres quanto os homens fizeram uma corrida muito parecida, nesse circuito que não exige tanta técnica, mas cobra velocidade constante para se manter na ponta.

Os vencedores do dia,  Blevins e Pieterse estiveram entre os 10 melhores durante toda a prova e, na última volta atacaram com determinação para tomar a ponta e vencer. Na categoria Sub23 o suíço Finn Treudler obteve sua segunda vitória consecutiva e se mantem na liderança. Após sofrer uma queda logo na primeira volta, a canadense Nicole Bradbury fez uma corrida de recuperação, saindo do fundo do grupo para conquistar sua primeira vitória na Copa do Mundo de XCC Sub-23, com a brasileira Giuliana Morgen chegando no grupo principal, terminando na 9ª posição.

BLEVINS MANTÉM O 100% DE APROVEITAMENTO

Blevins retornou ao percurso onde em 2021 conquistou o título de Campeão Mundial de XCC para dar continuidade à sua sequência de vitórias. Quem se ausentou da prova italiana foi outro ex-campeão mundial de circuito curto, o neozelandês Samuel Gaze, que ficou em casa para acompanhar o nascimento de seu filho e do campeão mundial de XCO Alan Hatherlt.

Dominando as provas de XCC nesta temporada, Blevins não está dando margem aos adversários e desde a largada buscou a ponta do grupo. Um dos favoritos, o vice-campeão mundial de 2024, Charlie  Aldridge, teve problemas na largada, indo para o meio do pelotão.

Pelotão compacto – Schwarzbauer, Blevins, Koretzky – Foto: WBD-S_UCI / Michal Cerveny

O alemão Luca Schwarzbauer fiel à sua tática de atacar desde a largada e buscar o comando do pelotão, aumentou o ritmo na tentativa de romper o grande grupo líder, que rodava muito unido.

A luta por um melhor posicionamento era intensa e Ondrej Cink, que lutava para se manter entre os 10 ponteiros se enroscou na fita de marcação do percurso e perdeu várias posições metade da prova.

Mais uma vez, à frente, Specialized Factory Racing, com Blevins e Koretzky buscavam a ponta do grupo comandado por Schwarzbauer.

Na penúltima volta, do primeiro ao 39º colocado a diferença era inferior a 7 segundos. Schwarzbauer mantinha-se na ponta e forçava o ritmo na pequena subida para manter sua posição e ao toque do sino para a abertura da última volta.

Mas Blevins tinha energia de sobra para assumir o comando e atacar com força a ultima subida, abrindo margem para manter o ritmo elevado e cruzar em primeiro. Atrás, Koretzky precisou se esforçar para manter a segunda posição, e terminar pela quarta vez na temporada atras de seu companheiro de equipe.

O esforço de Schwarzbauer desde a largada e seus ataques para manter o comando foi recompensado com o terceiro lugar no pódio. O brasileiro Ulan Galinski, em um dia que o pelotão se manteve praticamente compacto do inicio ao fim, não conseguiu sair do fundo do grupo e ganhar posições, terminando a prova na 33ª colocação.

Na classificação geral, Blevins lidera com 1250 pontos, seguido por Koretzky com 872.

Após sua quinta vitória consecutiva no circuito curto, Blevins comentou: “Eu realmente tento começar do zero em todas as corridas. É fácil deixar que as ideias sobre o que você fez ou o medo de perder se acumulem. É isso que está funcionando para mim, voltar à estaca zero, cada corrida é uma nova corrida. Eu executei muito bem hoje e tive o impulso necessário na última volta. Sempre foi o plano. É assim que você vence nessas pistas curtas que se mantêm unidas. Tenho muita confiança nisso, contanto que eu consiga chegar lá recuperado o suficiente.”

“Eu realmente tento começar do zero em todas as corridas. É fácil deixar que as ideias sobre o que você fez ou o medo de perder se acumulem”, disse Blevins após registrar uma quinta vitória consecutiva no XCC da temporada.

“É isso que está funcionando para mim, voltar à estaca zero, cada corrida é uma nova corrida. Eu executei muito bem hoje e tive o impulso necessário na última volta. Sempre foi o plano. É assim que você vence nessas pistas curtas que se mantêm unidas. Tenho muita confiança nisso, contanto que eu consiga chegar lá recuperado o suficiente”.

“Felizmente eu estava bem posicionado, estava muito empoeirado e solto, então. Era um percurso onde você estava sujeito a erros. Eu fiz o melhor que pude. (Estar na frente) foi superimportante. É a mudança que fiz para pistas curtas este ano”.

“Foi uma corrida interessante em termos de equipamento, usamos pneus de gravel em metade das pistas curtas este ano. Desta vez, usamos pneus super largos e rápidos, que nessas ondulações foram muito bons”.

“Foi super cauteloso, é provável que você bata uma dúzia de vezes. O nível de habilidade de todos é muito alto, todos se sentem confortáveis ​​mesmo dando saltos nessas curvas soltas. Essa é a coisa mais legal sobre os títulos do short track.

PIETERSE ATACANDO PARA MAIS UMA VITÓRIA

Puck Pieterse conquistou sua sexta vitória em provas da Copa do Mundo de  XCC com mais uma exibição de força.  A lidera da classificação geral do XCC – a britânica Evie Richards após terminar em 6º na em Saalfelden Leogang – Salzburgerland, duas semanas atrás, optou por não disputar a prova de Val di Sole

A neozelandesa Samara Maxwell foi para a ponta do grupo desde o início e manteve-se à frente na subida; mas após a primeira volta passou a perder terreno na pista estreia, perdendo contato com as ponteiras.

3 vitórias de Puck Pieterse – Foto: WBD-S_UCI / Michal Cerveny

Largando na segunda fila, Pieterse teve que forçar o ritmo, para ganhar mais de dez posições até chegar à ponta do grupo comandado pela canadense Jennifer Jackson que assumiu a liderança e manteve-se em posição de controle e no comando

Na quarta das 11 voltas, Pieterse lançou um ataque fulminante na curta subida do percurso, mas não conseguiu romper o compacto grupo da frente. A campeã neerlandesa tentou romper o pelotão fechado novamente na sétima volta, mas o grupo conseguiu responder, neutralizando a ação.

O circuito rápido e sem desafios técnicos possibilitou a formação de um grande bloco – 26 ciclistas rodavam muito próximas, com diferenças mínimas e a disputa acirrada resultou em várias quedas; Loanna Lecomte caiu no asfalto e abandonou a prova.

Na abertura da última volta liderada por Jackson, uma fila de 16 ciclistas ainda disputava as posições do pódio. As curvas finais seriam decisivas, e Pieterse aproveitou a subida final para atacar, a única que conseguiu responder com força foi Jenny Rissveds, mas a neerlandesa chegou com mais força para definir o sprint.

Atrás, a austríaca Laura Stigger chegou com força para superar a Jakcson e a Nicole Koller para cruzar na 3ª posição.

“Na verdade, a corrida inteira foi bastante cautelosa.  Depois de algumas voltas, dava para ver dava ultrapassar e onde não. Na última volta, eu sabia que teria que sair cedo, porque a chegada é um pouco mais curta do que nos últimos anos”, disse Pieterse.

Sobre seu posicionamento ao longo da prova comentou:  “Achei que precisava tentar na frente, mas felizmente deu certo. Era muito importante estar na segunda ou terceira roda, minha largada não foi muito boa, dava para sentir como tudo estava apertado e como as quedas aconteciam. Eu sabia que tinha que ficar na frente.”

Pieterse que vem dividindo sua temporada entre as provas da Copa do Mundo de MTB e as provas de estrada com a equipe Alpecin-Deceuninck destacou: “Estive com minha equipe de estrada fazendo alguns reconhecimentos das etapas do Tour de France (feminino), então tive dias intensos na bicicleta. Espero estar descansada neste fim de semana. Acho que estou bem descansada.”

A liderança ainda é de Evie Richards, mas sem disputar a prova de Val di Sole sua vantagem para Nicole Koller foi reduzida para 40 pontos e 80 para Pieterse.

BRADBURY SUPREENDE E SAI DO FUNDO PARA A VITÓRIA

A canadense Nicole Bradbury conquistou uma vitória surpreendente, após cair na primeira volta, foi obrigada a fazer uma corrida de recuperação, saindo do fundo do grupo para conquistar sua primeira vitória.

Uma colisão na primeira volta com a sua compatriota Ella Macphee fez com que ambas as duas lutassem muito para se recuperar.

No meio da prova Valentina Corvi e Anina Hutter tentaram forçar o ritmo, porém o traçado e o forte ritmo do grupo não dava espaço para fugas, além disso a troca de posições era constante.

Na última volta, a dupla austríaca Katherina Sadnik e Katrin Embacher  assumiu a liderança, acompanhadas por Bradbury que na hora do sprint teve forças para arrancar e assumir a primeira posição, seguida por Sadnik e Embacher.  Nesse mesmo grupo que lutava pelo pódio, a brasileira Giuliana Morgen chegou na 9ª posição, a apenas 4 segundos da vencedora.

Surpresa com a vitória – Bradbury pensava em um top 20 – Foto: WBD-S_UCI / Michal Cerveny

Surpresa com o resultado, Bradbury falou: “Eu definitivamente não esperava por isso. Estava preocupada esta manhã, pois simplesmente não me sentia muito bem. Estava muito quente, então eu estava um pouco nervosa com todos os diferentes fatores. É minha quarta disputa no short track, eu estava muito nervosa pensando em um top 20”.

“Caí na primeira volta com Ella Macphee. Achei que as nossas duas corridas provavelmente já tinham acabado. Nas últimas três voltas, me vi na frente e fiz as manobras necessárias para entrar entre as quatro ou cinco primeiras, faltando duas voltas para o fim. Parecia que tudo se abriu e eu podia fazer o que precisava. Não consigo acreditar.”

Katharina Sadnik lidera a classificação geral do XCC – foto: Staron-photo

Na classificação geral a liderança é de Katahrina Sadnik com 386 pontos, seguida por Isabella Holmgren – que não disputou a etapa – com 350, e por Ella MacPhee com 332. Giugiu Morgen é a 16ª com 196 pontos.

SEGUNDA VITÓRIA CONSECUTIVA DE TREUDLER

Duas semanas após a vitória em Leogang, o suíço Finn Treudler vence de forma consecutiva em Val di Sole.

A prova masculina da  Sub-23 foi tão rápida e intensa quanto a feminina, com o alemão Paul Schehl e o líder da classificação geral da Copa do Mundo XCC Sub-23, Treudler, puxando o ritmo inicial.

Finn Treudler confirmou o favoritismo – Foto: WBD-S_UCI / Michal Cerveny

Como aconteceu na prova feminina e nas disputas da Elite, o pelotão se manteve compacto até praticamente a última volta quando Treudler forçou o ritmo sendo acompanhado pelo neerlandês Rens Teunissen Van Mane; o alemão Paul Schehl e o suíço Nicolas Halter não tiveram forças para acompanhar a arrancada dos dois. Treudler foi o melhor no sprint.

“Eu sabia que esta corrida curta seria muito difícil para conseguir um bom resultado. É super plano e eu sou um ciclista que precisa de algumas subidas para fazer a diferença.  Me senti superforte e tentei ficar na frente durante toda a corrida para facilitar o posicionamento. Estou superfeliz por vencer”, destacou o líder da classificação geral com 464 pontos, Finn Treudler, a segunda posição é do dinamarquês Heby Pedersen com 368.

Copa do Mundo MTB XCC – Val di Sole – Trentino – Itália #5

Elite Feminina – 40 competidoras de 17 países

Circuito 900m x 11 voltas = 9.9 km

1- Puck Pieterse 🇳🇱 – Alpecin Deceuninck – 20m53s – vel. media 28.433 km/h

2- Jenny Rissveds 🇸🇪 – Canyon CLLCTV XCO -m.t.

3-Laura Stigger 🇦🇹 – Specialized Factory Racing +1s

Elite Masculina – 40 competidores de 16 países

Circuito 900m x 12 voltas = 10.80 km

1- Christopher Blevins 🇺🇸 – Specialized Factory Racing – 20m13s – vel. media 32.037 km/h

2- Victor Koretzky 🇫🇷 – Specialized Factory Racing +1s

3- Luca Schwartzbauer 🇩🇪 – Canyon CLLCTV XCO +1s

33- Ulan Galinski 🇧🇷 – Caloi-Henrique Avancini Racing +17s

Sub23 Feminina – 40 competidoras de 18 países

Circuito 900m x 10 voltas = 9 km

1- Nicole Bradbury 🇨🇦 – 20m08s – vel. média 26.814 km/h

2- Katharina Sadnik 🇦🇹  KTM Factory MTB Team – m.t.

3- Katrin Embacher 🇦🇹 – Trek Future Racing +1s

9- Giuliana Morgen 🇧🇷 – Trek Future Racing +4s

Sub23 Masculina – 40 competidores de 19 países

Circuito 900m x 12 voltas = 10.80 km

1- Finn Treudler 🇨🇭 – Cube Factory Racing – 20m09s – vel. média 32.140 km/h

2- Rens Teunisssen Van Manen 🇳🇱 – KMC Ridley MTB Racing Team +2S

 3- Paul SCHEHL 🇩🇪 – Lexware MTB Team +7S

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