COPA DO MUNDO XCO: CINK ROMPE O JEJUM E PUCK PIETERSE DOMINA LEOGANG

Ondrej Cink rompe o jejum! Foram necessários 12 anos para que o tcheco de 34 anos conquistasse sua primeira vitória na Copa do Mundo de MTB e a neerlandesa Puck Pieterse teve seu final de semana perfeito em Leogang – após a vitória no XCC dominou o XCO

Cink, aos 34 anos, e depois de muitos pódios sua primeira vitória na Copa do Mundo – foto:WBD-S UCI/ Bartek Wolinski

As mudanças climáticas são algo normal em Leogang – de um dia a outro se vai de condições perfeitas ao extremo. Se na sexta-feira durante o XCC e no sábado para as provas de downhill as condições secas resultaram em corridas emocionantes corridas, a chuva que caiu no domingo transformou o Epic Bikepark em um lamaçal, e Pieterse oriunda do ciclocross e Cink souberam tirar proveito disso

Essas condições traiçoeiras fizeram com que o benefício ir ‘de roda’ no pelotão fosse superado pela vantagem de um ciclista solo de poder escolher sua trajetória.

Apesar da lama, os competidores do XCO que tem classificação para o short track, ao menos tiveram uma vantagem em Leogang – como se trata de uma etapa de calendário completo – com provas de XCC-XCO-DH e Enduro, os 40 mais bem colocados do ranking tiveram um dia folga entre as corridas de cross-country em pista curta (XCC) e o XCO.

As condições extremas do piso, e o corpo descansado contribuíram para que Pieterse tivesse o seu primeiro ‘final de semana perfeito’ de seua carreira no MTB. A neerlandesa atacou praticamente desde a largada e abriu caminho sem ser perseguida pelo grupo; Cink tentou abrir a diferença na segunda volta, mas só conseguiu abrir vantagem a partir da quarta das sete voltas, mas sem conseguir uma vantagem que lhe desse tranquilidade, precisou se manter constantemente alerta.

Nas provas da Sub23, Finn Treudler em um final de semana perfeito chegou à terceira vitória na temporada, enquanto Fiona Schibler dominou a prova feminina.

Pieterse dominou o final de semana

Puck Pieterse que deixou de disputar as duas etapas de abertura da Copa do Mundo em em Araxá, Minas Gerais, para se dedicar no início da temporada às clássicas do ciclismo de estrada (vencendo a Flèche Wallone, 2ª na Liège-Bastogne-Liège e 3ª Amstel Gold Race – entre outros resultados expressivos), está recuperando o tempo- e os pontos – perdidos desde então, já que apenas um furo na corrida XCO da semana passada a impediu de vencer todas as quatro corridas desde seu retorno.

Depois que líder da classificação geral, a neozelandesa Samara Maxwell fez uma largada ruim, despencando para a 20ª posição, apenas Leoana Lecomte conseguiu acompanhar o forte ritmo de Pieterse.

Puck Pieterse, foi para Leogang em busca da vitória, e confirmou na pista o desejo – foto: Ross Bell

Porém, a francesa também não resistiu, e pouco a pouco foi perdendo contato com a campeã mundial que abria caminho pelas trilhas enlameadas, e com mais um ataque que acabou explodindo o pelotão na segunda volta.

Maxwell que antes do final da primeira volta, já havia conseguido reconquistar algumas posições, aproveitou também a segunda volta para atacar na subida e também se distanciar, apenas a francesa Lecomte conseguiu acompanhá-la.

A lama fez suas vítimas, Jenny Rissveds escorregou e caiu em um trecho que mais parecia num percurso de ciclocross.  Evie Richards passaria pelo mesmo na última volta – e Candice Lill optou por desmontar e descer como se estivesse num tobogã a seção íngreme e cheia de raízes.

Líder da Copa do Mundo Samanta Maxwell, ficou em 2º em Leogang – foto: Ross Bell

Lecomte começou a perder terreno, quando foi ultrapassada pela suíça Ramona Forchini, mas esta não conseguia encurtar a diferença para a segunda colocada Maxwell.

A neozelandesa firme na segunda posição não esteve livre de problemas, sofreu com um salto de corrente que a obrigou a parar, e em uma descida parou em cima das barreiras de proteção.

Maxwell estava se segurando e descontando a diferença de tempo nas descidas contra Pieterse, porém nas subidas não conseguia obter o mesmo desempenho de Pieterse nas subidas.

Lecomte continuava a perder posições, sendo ultrapassada por Tamara Wiedmann e pela especialista em terrenos difíceis como o de Leogang, a suiça Jolanda Neff  e as duas aumentavam o ritmo na penúltima volta para tentar alcançar a terceira colocada Ramona Forchini.

Na última volta estavam mantidas as posições, Pieterse com 50 segundos de vantagem sobre Maxwell, que tinha uma vantagem de 36 sobre Forchini que lutava para se manter na terceira posição, e conquistar seu primeiro pódio; Wiedmann e Neff , rodando 15 segundos atrás da terceira colocada fizeram uma disputa emocionante pela 4ª posição, com a suíça levando a melhor

“Era meu objetivo ter o fim de semana perfeito e até agora não deu certo, mas estou super feliz hoje nesta pista. Talvez eu estivesse um pouco ansiosa demais para chegar à frente diretamente, não sou boa em esperar, então decidi ir em frente”, disse Pieterse.

“Ninguém teve uma corrida perfeita sem derrapagens ou pequenas quedas ou algo assim, então eu também tive alguns problemas na parte superior da pista, mas sabia que outras também cometeriam erros, então, contanto que isso acontecesse apenas uma vez, não seria um grande problema.

“É muito bom seguir meu próprio traçado. Eu não conseguia ver o que as outras estavam fazendo, mas às vezes isso também é bom. Você não sabe se elas estão super rápidas nas descidas ou estão me alcançando na subida. Mas a única vez que realmente olhei para trás foi na subida íngreme”, concluiu a vencedora da etapa da Áustria da Copa do Mundo. Apesar de ter passado por um dia difícil, a neozelandesa Samara Maxwell manteve-se na liderança, agora com 1022 pontos e uma vantagem de 290 pontos sobre a segunda colocada Nicolle Koller e de 388 sobre Evie Richards.

Cink faz história aos 34 anos

Em um terreno complicado, o tcheco Ondrej Cink fez uma das melhores provas da sua vida, ele precisou de 12 anos para chegar à sua primeira vitória na Elite, e fez uma corrida onde partiu para o ataque, conseguiu abrir uma vantagem, resistindo a possíveis ataques de Mathias Flückiger, tendo folego no final para responder e cruzar em primeiro.

O chileno Martin Vidaurre começou impondo um forte ritmo ao pelotão, chegou a liderar, porém ao passar pela área técnica caiu, em um dia que foi um verdadeiro pesadelo para a Specialized Factory Racing, uma equipe que havia vencido todas as provas da Copa do Mundo de Cross-country Masculino Elite UCI de 2025 até então.

Vidaurre não conseguiu manter o ritmo e terminou em 24º, enquanto Victor Koretzky abandonou ao final da segunda volta, tendo despencado para o fundo do grupo devido a uma doença e aos efeitos de um acidente no treino.

Cink confiou nas pernas e foi em busca do topo do pódio – foto:WBD-S UCI/ Bartek Wolinski

Christopher Blevins que havia vencido o XCC na sexta-feira também estava fora de forma, não mostrava o mesmo desempenho e de oitavo ao final da primeira volta foi parar em 20º perdendo contato com os ponteiros, cedendo mais de 56s, conseguiu se manter limitando danos e terminar em 17º.

A primeira volta foi onde se fez a diferença e marcou a jornada. Vidaurre, antes de enfrentar problemas, fazia parte de um quarteto líder que contava com Julian Schelb , Mathias Flückiger e Cink, embora apenas o suíço e o tcheco tenham conseguido ficar na frente, já que o início de prova foi massacrante e serviu para limar os adversários.

Cink assumiu o contole da corrida, e ao final da terceira volta abria 9s de vantagem para Flückiger. Graças ao seu ritmo consistente, à técnica para dominar as descidas mais complicadas e escorregadias, onde seus adversários muitas vezes caíram, o tcheco foi abrindo caminho com uma vantagem que oscilava na casa dos 20s. sobre o suíço.

Na quinta volta, o suíço Fabio Püntener, parecia adaptado ao terreno e tomou posição de destaque, rodando à frente de muita gente renomada, para chegar lado a lado de seu compatriota Flückiger e tentar, em dupla, ir à caça de Cink.

O ataque suíço ao líder veio em um momento que o tcheco dava sinais de desgaste. Cink, tinha motivos de sobra para não se entregar, a sua primeira vitória estava a pouco mais de 3 mil metros, era questão de resistir e não ceder.

O tcheco conseguiu manter os 18 segundos de vantagem para conquistar o topo do pódio, atrás Flückiger que forçou o ritmo se desgarrou de seu compatriota Püntener na última subida, firmando-se na segunda posição.

Ulan Galinski não teve um dia fácil, apesar de ter feito uma boa largada, enfrentou problemas com o tráfego na primeira subida na grama, foi obrigado a parar e colocar o pé no chão, sendo engolido pelo grupo, indo para o 52º lugar ao final da primeira volta. O brasileiro foi obrigado a fazer uma corrida de recuperação até alcançar a 27ª posição.

Galinski, após problemas com trafego na primeira volta, precisou fazer uma prova de recuperação, terminando em 27º – Foto: Michele Mondini

Cink que teve temporadas marcadas por lesões, e que em 2019 teve um problema cardíaco que colocou em dúvida sua carreira profissional, é o segundo ciclista mais velho de cross country a conquistar sua primeira vitória na Copa do Mundo UCI, atrás do lendário Ned Overend em 1994, e o primeiro ciclista tcheco a vencer na categoria em 10 anos.

Emocionado Cink não conseguia explicar, tudo o que passou e essa vitória histórica: Estou super feliz, esperava por isso há muito tempo, fiquei em segundo lugar muitas vezes e gosto muito deste lugar. Fui campeão mundial sub-23 aqui em Saalfeden (em 2012). Cheguei a pensar que minha carreira já tinha acabado, porque sou um dos mais velhos aqui, então não tenho palavras para descrever isso”.

Sobre a corrida, Cink comentou: “Este percurso me cai muito bem, mas as condições não são muito boas. Não gosto de lama, nem do terreno escorregadio, mas não sei o que aconteceu hoje, simplesmente fiz. Com duas voltas, comecei a me sentir muito mal, mas quando vi que abri um pouco a vantagem, recuperei a potência e fui ao limite na última subida”.

Apesar do dia ruim para os homens da Specialized, a Classificação Geral não sofreu alterações, com Blevins mantendo-se na liderança com 1092 pontos, e com o abandono de Koretzky que sem mantém em segundo a vantagem saltou para 341 pontos, e com o chileno Vidaurre em terceiro a 403 pontos do líder.

Sub23: Treudler e Fiona Schibler em corrida solo

Finn Treudler abriu vantagem na segunda volta e desapareceu para vencer a corrida masculina da Sub23 com 47 segundos de vantagem e se restabelecer como a força indiscutível na categoria.

Treudler foi superado em Nové Město Na Moravě , República Tcheca por Paul Schehl , mas reagiu com estilo após sua vitória, em uma corrida de gato e rato no XCC na sexta-feira, e apesar de ser sua terceira vitória na temporada, este foi seu primeiro final de semana perfeito.

Treudler em 4 etapas 3 vitórias no XCO – foto:WBD-S UCI/ Bartek Wolinski

” É incrível finalmente conseguir a dobradinha com a pista curta e XCO. Estou superfeliz, especialmente com essas condições difíceis”, disse Treudler. “A pista mudou a cada volta porque ficou mais seca, então foi uma corrida muito difícil hoje, mas estou superfeliz com a minha vitória.”

Entre as garotas as suíças dominaram o pódio, com Fiona Schibler comandando a prova de ponta a ponta. Apenas Elina Benoit conseguiu acompanhar o ritmo elevado de sua compatriota por duas voltas, depois disso Fiona seguiu sozinha até o fim, abrindo 57 segundos de vantagem para obter sua primeira vitória no circuito.

Giugiu Morgen –

Giugiu Morgen, única mulher brasileira em Leogang, fez a primeira volta passando na 34ª colocação, ganhou algumas posições terminando em 24ª, em um dia difícil com um percurso pesado.   

A líder da classificação geral Ella MacPhee fez sua pior corrida de XCO da temporada, ficando em sétimo, mas a ausência de Isabella Holmgren significa que ela mantém uma vantagem de quase 100 pontos no topo da classificação, enquanto Schibler sobe para o sexto lugar;

Fiona Schibler, em sua primeira vitória na Copa do Mundo – foto:WBD-S UCI/ Bartek Wolinski

“Foi incrível, tive uma boa largada, estava na frente com a Elina e, na terceira volta, fiquei sozinha na frente. Trocamos as rodas antes da corrida e eu apenas segui algumas linhas seguras”, disse Schibler.

Copa do Mundo MTB XCO – Saalfelden Leogang – Salzburgerland – Epic Bikepark /Áustria #4

Elite Feminina – 57 competidoras de 21 países

Circuito 3.57 km x 6 voltas = 21.42 km

1- Puck Pieterse 🇳🇱 – Alpecin Deceuninck – 1h26m39s – vel. média 14.829 km/h

2- Samara Maxwell 🇳🇿 – Decathlon Ford Racing Team +50s

3- Ramona Forchini 🇨🇭 – Bixs Performance Race Team +1m26s

Elite Masculina – 81 competidores de 26 países

Circuito 3.57 km x 6 voltas = 24.99 km

1 – Ondrej Cink 🇨🇿 – Cube Factory Racing – vel. média 17.620 km/h

2- Mathias Flückiger 🇨🇭 – Thömus Maxon +18s

3- Fabio Püntener 🇨🇭 +27s

27- Ulan Galinski 🇧🇷 +4m57s

Sub23 Feminina – 51 competidoras de 19 países

Circuito 3.57 km x 5 voltas = 17.85 km

1- Fiona Schibler 🇨🇭 – 1h12m44s – vel. média

2- Monique Halter 🇨🇭 +57s

3- Elina Benoit 🇨🇭 – Lexware Mountain Bike Team +2m23s

24- Giuliana Morgen 🇧🇷 – Trek Future Racing +7m29s

Sub23 Masculina –  79 competidores de 23 países

Circuito 3.57 km x 6 voltas = 21.42 km

1- Finn Treudler 🇨🇭 – Cube Factory Racing – 1h14m02s – vel. média 17.360 km/h

2-  Paul Schehl 🇩🇪 – Lexware MTB Team +47s

3- Nicolas Halter 🇨🇭 +52s

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