COPA DO MUNDO DH: CHUVA E NEVE MARCAM ABERTURA DA TEMPORADA’2025 DE DOWNHILL

Tahnée Seagrave e Loïc Bruni desafiaram as condições terríveis com chuva e neve no Szczyrk Mountain Resort, em Bielsko-Biała na Polônia para vencer a etapa de abertura da Copa do Mundo de Downhill. O francês sobe ao pódio pela 44ª vez em sua carreira e se iguala ao lendário piloto que dominou os anos 1990 Nicolas Vouilloz

Tahnée enfrenta o percurso enlamaçado de Bielsko-Biała na Polônia para fazer a melhor descida das mulheres – foto: Kike Abelleira

A temporada da Copa do Mundo de Downhill neste ano começou na Polônia, e debaixo de chuva e neve, além das muitas quedas tivemos altas doses de emoção.

Na Elite masculina, o tetracampeão da Copa do Mundo de Mountain Bike Downhill, Loïc Bruni teve uma vitória apertada, superando por apenas 0,156 segundos a Oisin O’Callaghan, uma redenção para o francês que perdeu por uma margem ainda menor no ano passado em Bielsko-Biała para outro irlandês, Ronan Dunne , e venceu uma corrida para se recuperar de uma lesão na clavícula apenas para competir na Polônia.

O vencedor da classificação geral da Copa do Mundo de Downhill da UCI de 2024 foi o último ciclista a descer a rampa de largada fechando um dia tenso, marcado pelas e encerrando com a emocionante chegada, com uma corrida quase perfeita desbancando O’Callaghan, que parecia ter a vitória nas mãos.

Seagrave supera as dificuldades e começa a temporada com força

Na disputa feminina, a britânica Tahnée Seagrave acendeu o alerta das adversárias anunciando que este é o primeiro passo na disputa pelo título geral, após lutar contra seus próprios problemas com lesões nos últimos anos, nesta prova de abertura apenas Anna Newkirk esteve próxima dela.

Atual campeã estadunidense, Newkirk de 23 anos já foi medalhista de prata e bronze em mundiais Junior e é da nova geração da Elite – foto: WBDS-UCI

Newkirk, nascida em Utah, estabeleceu a referência imediatamente após Widdman, acelerando (e às vezes escorregando) para assumir a liderança impressionantes 17 segundos mais rápido que a italiana.

Apenas quatro pilotas terminaram a dez segundos de Newkirk, com a primeira vitória na Copa do Mundo UCI se tornando cada vez mais provável, com Marine Cabirou, Nina Hoffman e Gloria Scarsi com descidas mais lentas  – esta última com um sistema câmbio acionada por correia, buscando o prêmio de € 100.000 do fabricante por vencer uma etapa com esse equipamento.

Gloria Scarsi corre com um sistema de transmissão por correias – se vencer uma etapa da Copa do Mundo terá um polpudo bônus do patrocinador – foto: MSRacing

No entanto, o sonho desmontou quando Seagrave entrou na nevasca. Percorrendo o percurso como se estivesse seco, a britânica foi a mais rápida nas três primeiras intermediárias e, embora tenha perdido tempo no final da corrida e quase caindo sobre o guidão em um momento, perdendo mais de um segundo e meio no quarto setor, mas ainda foi o suficiente rápida para estabelecer um tempo impressionante de 3m34s340.

Atual campeã da Copa do Mundo de Downhill da UCI, Valentina Höll não conseguiu responder na trilha – sem a agressividade de Seagrave, terminou em quinto, sete segundos atrás da britânica de 29 anos.

Tahnée recuperada de uma sequência de lesões que se arrastaram por um longo período, mostra confiança para a temporada da Copa do Mundo – foto: Kike Abelleira

“Por causa das condições, meus freios não estavam funcionando muito bem, então acho que isso ajudou. Você só precisa aproveitar ao máximo. Continuei acionando o freio para que funcionasse. Tive um momento meio estranho no final porque esqueci de fazer isso, mas estou feliz por ter conseguido me recompor”, disse Seagrave

Não acho que seja muito cedo (para pensar na CG), me sinto mais saudável do que nunca e estou de volta de uma série de lesões horríveis. Tive alguns anos para voltar à ativa e estou pronta para dar o meu melhor novamente”, concluiu a vencedora.

Bruni por apenas uma fração de segundos

O duelo entre Bruni e O’Callaghan chegou ao limite, com o francês perdendo um segundo entre as duas últimas verificações de tempo intermediárias e se agarrando à sua vantagem de um décimo de segundo para evitar uma segunda derrota agonizante na Polônia.

Permanecer sobre a bicicleta provou ser uma grande parcela da batalha, com muitos pilotos indo para o chão enquanto ainda nas telas de cronometragem seus tempos apareciam em verde, com as condições climáticas melhorando ligeiramente na prova masculina o ritmo ficou mais intenso gerando mais riscos, por consequência aumentaram as derrapagens e quedas.

O’Callaghan é mais um dos pilotos da nova geração que está enfrentando com igualdade de força os grandes nomes do DH – foto: WBDS-UCI

O veterano Danny Hart marcou o primeiro tempo competitivo do dia, mas foi Amaury Pierron, sexto a largar entre os 30 que disputaram a final quem fez a história até os momentos finais com 3m05s675 – que o deixariam na terceira posição a 1 seguindo de Bruni – Por mais de uma hora, parecia que o francês Pierron teria o melhor tempo.

Muitos começaram mais fortes que Pierron, como Benôit Coulanges a causa da queda da corrente ou porquê perderam o controle como Ronan Dunne, Andreas Kolb, Thibaut Daprela  ou  Luca Shaw quando estavam à frente, ninguém conseguiu completar a corrida com um bom desempenho.

Lachlan Stevens-McNab também não teve sorte, e foi ejetado da bicicleta no meio do percurso – o segundo ano consecutivo em que ele perdeu a corrida enquanto estava na disputa pela liderança.

Amaury Pierron ficou com o 3º melhor tempo para a descida – foto: WBDS-UCI

Richie Rude foi talvez quem esteve o mais próximo de superar Pierron antes da descida de O’Callaghan, exibindo uma velocidade incrível nas seções mais difíceis do percurso polonês em seu retorno ao Downhill após ganhar no ano passado a Copa do Mundo de Enduro MTB.

Nesta temporada, o americano mudou seu foco para a disciplina de gravidade pura, como no feminino a vencedora da Copa do Mundo de Enduro UCI de 2024, Harriet Harnden, que se classificou em terceiro, mas caiu na última volta e terminou meio minuto atrás. Rude não teve problemas, incendiando a competição com sua corrida arrepiante terminando apenas sete décimos atrás de Pierron, mas ainda havia mais gente para descer.

Pierron foi finalmente superado por O’Callaghan que faz uma corrida mágica e comemorou alegremente ao cruzar a linha e ver que havia assumido a primeira posição – uma posição que manteve até o último piloto a enfrentar a descida, quando Bruni deu mais uma demonstração de força e habilidade.

“A temporada passada foi um pouco complicada, terminando tão perto da vitória. Não achei que teria a garra necessária, com a pré-temporada um pouco complicada e o clima tão longe das minhas condições favoritas, mas continuei pedalando”, comentou Bruni.

Mais rápido no Q1 e melhor descida na final, Loïc Bruni busca mais um título geral na Copa do Mundo e com a vitória se iguala à lenda francesa Nicolas Vouilloz com 44 pódios em Copas do Mundo – foto: WBDS-UCI

“Para mim, não foi tão perfeito, foi muito difícil, e eu estava sendo pego de surpresa com as frenagens. Eu simplesmente tive que dar tudo de mim”, concluiu o vencedor e líder da classificação geral

Com este pódio, Loïc Bruni iguala seu herói,o também francês Nicolas Vouilloz, com 44 subidas ao pódio na carreira, embora tenha sido rápido em minimizar suas próprias conquistas em comparação com a lenda francesa.

Mau tempo no sábado deixou a pista extremamente escorregadia, Roger no Q2 perdeu o traçado, saiu da pista e terminou em 36º, não avançando para a final – foto: Boris Beyer|Pivot Factory Racing

O brasileiro Roger Vieira, agora correndo pela Pivot Factory Racing, de equipamento novo, teve um bom começo, terminando a primeira qualificatória – Q1 – com o 30º tempo a 5 segundos de Bruni, porém como apenas os 20 melhores passam para a final, foi para a segunda classificatória, onde acabou saindo da pista e terminando com o 36º tempo. “Com apenas 2 dias na nova bike eu acho que essa foi uma das minhas melhores performances na copa do mundo. Uma semana a mais para me adaptar melhor com a bike e de volta a segunda etapa em Loundenviele”, comentou Roger.

COPA DO MUNDO DE MTB DH – Bielsko-Biala/Polônia

Descida de 2.000 m

Elite Masculina – 103 compeditores de 26 países na 1ª qualificação

1- Loïc Bruni 🇫🇷  – Specialized Gravity  3m04s867 – vel. média 38.947km/h

2- Oisin O’Callaghan 🇮🇪 – YT Mob + 0s156

3- Amaury Pierron 🇫🇷 – Commencal/Muc-Off by Riding Addiction +0s808

4- Richard Rude 🇺🇸 – Yeti/Fox Factory Race Team +1s596

5- Thibaut Daprela 🇫🇷 – Rogue Racing SR Sontour +2s019

36 Q2 – Roger Vieira 🇧🇷 – Pivot Factory Racing

Elite Feminina – 32 competidoras de 14 países na 1ª qualificação

1- Tahnée Seagrave 🇬🇧 – Orbea FMD Racing 3m34s340

2- Anna Newkirk 🇺🇸 – Frameworks Racing /5Dev +1s711

3- Nina Hoffmann 🇩🇪 – Santa Cruz Syndicate +4s735

4- Camille Balanche 🇨🇭 – Yeti/Fox Factory Race Team +5s495

5- Vali Höll 🇦🇹 – YT Mob +7s477

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