CINQUENTÃO, MÁRCIO MAY, RETORNA À VOLTA DO URUGUAI PARA DAR EXPERIENCIA À ACRS CYCLING TEAM

A experiência de Márcio May que participou de cinco edições de uma das mais tradicionais voltas ciclísticas das Américas, a Vuelta Ciclista del Uruguay, servirá para dar ânimo e muita informação à equipe catarinense ACRS Cycling Team/Royal Ciclo/Audax, de Rio do Sul que fará, no país vizinho, sua estreia internacional; além do catarinense a equipe também tem outro ciclista experiente, Magno Prado, três vezes vencedor da classificação geral da volta uruguaia

Aos 53 anos, Márcio May tem um novo desafio: resistir aos 10 dias e completar a Volta do Uruguai 26 anos depois de sua última participação
Um dos mais respeitados ciclistas brasileiros está de volta, Márcio May, aos 53 anos disputará a Volta do Uruguai

Como é tradição no país vizinho, semana da Páscoa é semana de ciclismo com a disputa da que é considerada a volta mais antiga das Américas, a Vuelta Ciclista del Uruguay que teve sua primeira edição em 1939, e o Brasil pelo menos desde meados dos anos 1960 marca presença nas estradas uruguaias.

A equipe catarinense ACRS Cycling Team/Royal Ciclo/Audax terá seu batismo internacional no Uruguai e terá pela frente 1.700 km, divididos em 12 etapas em 10 dias de ciclismo, a largada acontece na quinta-feira 10 de abril e como manda a tradição a chegada é no domingo de Páscoa, 20 de abril.

A equipe viaja ao Uruguai na próxima terça-feira (8 de abril) com os ciclistas Alex Melo, Gabriel Metzger, Matheus Cabrini e Guilherme Wisnieski e além da experiência de Márcio May a equipe tem também Magno Prado Nazaret, de 39 anos, que é três vezes vencedor da classificação geral, trazendo para casa a ‘malla oro’ em 2012, 2017 e 2018. A coordenação técnica é de Alair Sebastião Xavier

Magno Prado Nazaret, com a camisa de líder da Volta do Uruguai em 2017 – foto: Ana Laura Antúnez-FCU

O projeto da ACRS Cycling Team/Royal Ciclo/Audax começou em 2018 com objetivo principal de disputar os Jogos Abertos e provas regionais. Gradualmente a formação sob o comando de Alair Xavier conquistou espaço entre as grandes equipes de ciclismo nacional e atualmente é a principal equipe catarinense e do Sul do País. No último mês de março, a equipe conquistou importantes resultados na Volta de Goiás.

“O Alex Melo venceu a crono e concluiu a Volta de Goiás na sexta colocação geral e terminamos em terceiro na classificação por equipes. Temos uma equipe forte e preparada. O sprinter Matheus Cabrini é um menino novo e acreditamos no potencial dele. Temos uma equipe suficiente para brigar por vitórias e camisas. Além disso, temos ciclistas ótimos em contrarrelógio, tanto equipe como individual. Eu creio que teremos grandes resultados“, resume.

RITMO INTENSO, TENSÃO E ESCALERAS

A Volta do Uruguai tem lá suas particularidades – o ritmo é sempre meio frenético, com ataques, tentativas de fugas, etapas planas e muito, muito vento que chicoteia e rompe o pelotão; uma verdadeira armadilha para os ciclistas, e basta conversar com algum ex-ciclista, que correu por lá, que nas suas lembranças o vento de alguma etapa ganhará destaque.

Acrescente a tudo isso, a realização de etapas duplas – sim os ciclistas tem dois dias em que disputam uma contrarrelógio pela manhã e pouco depois fazem a etapa em linha; neste ano será na segunda etapa com a contrarrelógio por equipes de 8 quilômetros para depois enfrentar mais 108,7 km, e no quinto dia de competição com a contrarrelógio individual de 15 km para a continuação enfrentar 138,3 km e – algo que praticamente não existe mais em lugar nenhum do mundo.

Pelotão quebrado em vários grupos, o castigo do vento faz estragos no pelotão e é uma das armadilhas diárias nessa volta

Márcio May, que completa 53 anos no dia 22 de maio, esteve em cinco edições da Volta do Uruguai, sua última participação foi em 1999 quando terminou na 4ª colocação na CG.  Em 1997, May ficou em 2º na CG , atrás do ídolo local Frederico Moreira. Em 1998 usou a camisa amarela de líder da classificação geral durante seis etapas e terminou em terceiro. Em 1999 concluiu na quarta colocação geral.

O cinquentão May, que será um dos mais experientes do pelotão comenta o seu retorno: “Para mim é um desafio pessoal correr novamente a Volta do Uruguai na categoria Elite. Da última vez eu tinha 26 anos, agora tenho 52. É uma prova difícil, com quilometragens altas, ritmo intensos, média horárias elevadas. Além disso, o típico vento do Uruguai promove a formação de ‘escalera’s, o que torna tudo mais difícil”.

PAIXÃO PELO CICLISMO MARCA O RETORNO DE MAY

Retornar ao pelotão da Volta do Uruguai 26 anos depois da última participação é um desafio diferente para May e exigiu uma preparação que começou ao final do ano passado, com treinos de até 200 km, uma quilometragem pouco superior à que encontrara nas etapas.

“Eu quero terminar a Volta. Não sei minha condição física e, por mais que esteja treinando com medidor potência, sei que estou evoluindo, mas na prova é difícil dizer o resultado. Vou fazer o melhor e, se eu andar bem, não será surpresa. A nossa equipe tem vários ciclistas com chance de brigar nas etapas”, explica May.

Em 2022, quando fez 50 anos May percorreu 1.955 km por estradas catarinenses revivendo o Tour de Santa Catarina, agora ele retorna ao Uruguai para um duríssimo teste 26 anos após sua última participação ma ‘Vuelta’

Alair Xavier entende que a edição 2025 da Volta do Uruguai será das mais competitivas e de mais elevado nível por conta do Campeonato Pan-Americano de Ciclismo de Estrada que será em Punta del Este, de 22 a 27 de abril, dois dias após a última etapa, porém vale destacar que nesta edição – e como já vem acontecendo e desde que perdeu hierarquia no calendário da UCI há alguns anos quando europeus ou norte-americanos deixaram de participar ou serem convidados, – a participação estrangeira neste ano está limitada a 4 equipes: além da catarinense ACRS Cycling a outra formação brasileira será aSwift Carbon, a argentina Mani Zabala e a Seleção da Venezuela

“Vamos com bastante humildade, mas não queremos ser mais uma equipe. Queremos ganhar o que for possível e tenho certeza que nossos ciclistas almejam isto. Vamos buscar fazer um bom trabalho para o Márcio, até porque foi ele que plantou esta semente e agora vamos colher os frutos. Queremos trazê-lo até o fim da volta. Sei que a prova será das edições de mais alto nível, pois muitos ciclistas estarão correndo de olho no Campeonato Pan-americano de Ciclismo e o pelotão terá muitos ciclistas das seleções nacionais”, diz Alair.

80ª Vuelta Ciclista del Uruguay

Etapa 1 – Montevideo > Rocha –  184,2 km 

Etapa 2 – A –  Treinta y Tres – CRE– contrarrelógio por equipes – 8 km

               B – Treinta y Tres>Melo – 108,7 km

Etapa 3 – Caraguatá>Tacuarembo – 113,8 km

Etapa 4  – Tacuarembó>Paysandu – 192,4 km

Etapa 5 –  A – Paysandu – CRI – contrarrelógio individual – 15 km

                B – Paysandu>Mercedes – 138,3 km

Etapa 6 – Mercedes>Carmelo – 196,3 km

Etapa 7 – Agraciada>Durazno – 192,7 km

Etapa 8 – Durazno>Paso de los Toros>Trinidad – 175,8 km

Etapa 9 – Santa Lucia>Maldonado – 164,7 km

Etapa 10 – Maldonado>Montevideo – 145 km

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