QUANDO O CICLISMO É NOTÍCIA NOS JORNALÕES É PORQUE TEM DOPING

Matéria do Estadão conteúdo assinada por Demétrio Vecchioli e distribuída para todo o país pela Agência Estado traz à tona parte dos acontecimentos que marcaram o exame surpresa realizado pela Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem e que resultou nos positivos de Uênia Fernandes e Alex Arseno. Uênia que testou positivo para EPO, curiosamente foi absolvida pelo pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) do ciclismo, Arseno em carta aberta reconheceu o positivo e antecipou sua aposentadoria sem pedir abertura de amostra B. Por trás disso e de forma sutil o ciclismo poderia estar colocando em dúvida a credibilidade da ABCD quanto ao seus procedimentos para coleta de exames, a entidade reagiu e busca invalidar o julgamento

Nos testes realizados pela ABCD - Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem foram revelados dois positivos para EPO
Nos testes realizados pela ABCD – Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem junto à seleção militar  foram revelados dois positivos para EPO

Os exames surpresa realizados em 29 de setembro enquanto a seleção militar de ciclismo esteve concentrada antes dos Jogos Mundiais Militares renderam  quilômetros de comentários no meio ciclístico,  aonde até chegou a circular uma gravação apócrifa denunciando que um grupo de ciclistas resultariam positivos nos testes realizados e no pavor provocado pelos testes realizados na última etapa da Copa América.  Em meio a todo esse ruído,  o que se tem de concreto é que o ciclismo brasileiro teve mais um caso de doping que vai gerar muita polemica, afinal  a ciclista Uênia Fernandes foi absolvida após um teste positivo para EPO efetuado pela  ABCD- Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem.

A matéria da Agência Estado, publicada no último dia 16/12 traz todo o imbróglio que se tornou o julgamento e a absolvição da ciclista. O advogado Itamar Cortês  que defendeu a ciclista aponta os argumentos que conduziram a sua defesa e que culminou com a absolvição de Uênia : “O exame teve uma série de irregularidades. Os atletas não puderam se hidratar. As pessoas que foram tentar tirar o sangue eram incapazes, chegaram a ferir os atletas. Teve atleta que teve que aguardar até 1h da manhã ou mais. O STJD entendeu que havia o risco de contaminação da amostra. O positivo do outro atleta (Alex Arseno) pode ter contaminado o dela”, fica claro que a defesa pode confundir as pessoas afinal uma coisa é um exame de urina e outra a coleta de um exame sanguíneo, e o pior nisso tudo é ainda ter a certeza de quem contaminou quem no exame, afinal seria mesmo de Arseno esse positivo contaminante?

A versão da ABCD é bem diferente, e mostra que o Código Brasileiro Antidoping não foi levado em conta pois a entidade não foi intimada a participar do julgamento da ciclista; porém o Superior Tribunal de Justiça Desportiva da CBC  credita a supostos erros de procedimento na coleta do exame para  a invalidação do resultado adverso para Eritropoetina .

Como o positivo apresentado nos exames dos ciclistas detectou EPO,  a ABCD, seguiu os procedimentos da Agência Mundial de Antidoping e  consultou um segundo perito internacional capacitado, que comprovou a existência de  EPO nas amostras, só assim pôde ser acusado o positivo. A bateria de testes surpresa esteve sob o comando de Luis Horta, médico português que já presidiu a comissão de laboratórios da AMA/WADA e a Autoridade Antidopagem de Portugal e desde 2014 é consultor internacional contratado pela Unesco para a ABCD. Não estamos falando de gente inexperiente e sem domínio das técnicas de controle

Horta, na matéria do Estadão rebate duramente as declarações da defesa:  “Nada disso aconteceu. Havia três oficiais, além da minha pessoa. O controle foi muito prolongado, realmente. Começamos às 16h e terminou um pouco antes da meia-noite, porque muitos atletas propositadamente se hiperidrataram, porque a amostra diluída é inválida. Eu mesmo comprei 20 garrafas da água a pedido deles”, ainda segundo o médico Uênia foi uma das responsáveis por tornar demorado todo o procedimento: “Ela teve uma série de urinas diluídas, que não foram aceitas. Só a ultima, colhida às 23 horas, teve uma densidade adequada, por isso foi enviada para a análise. Todas as amostras diluídas deram negativo e isso demonstra que o controle deveria mesmo ter sido prolongado.”

Ainda segundo a matéria, sabe-se que a ciclista Clemilda Fernandes não teve a amostra de sangue colhida, pois após três tentativas o profissional responsável  não conseguiu “encontrar” a veia da ciclista. Horta também explicou esse procedimento: “Eu sou médico e posso atestar que, como ela tem umas veias muito difíceis, foi mesmo impossível . E o código fala que só podem ser feitas três tentativas”.  A função dos técnicos que coletam deve obedecer esse rígido padrão, porém a mesma central de boatos que gerou e fez circular a gravação apócrifa e todos os comentários sobre os possíveis casos de doping no pelotão brasileiro também vinha carregada de insinuações de que alguns ciclistas fizeram o possível para dificultar o trabalho dos técnicos, inclusive, se diz à boca pequena que houve uma ligação telefônica para o dirigente máximo da CBC questionando o porquê de o grupo estar sendo testado fora de competição.

 

 

Abaixo os links para a documentação oficial :

Assim foi a denúncia de Uênia

Suspensão preventiva da ciclista

Decisão do Caso Uênia

 

 

 

 

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