CAPE EPIC: NO SPRINT, SCHWARZBAUER E GAZE VENCEM A 2ª ETAPA, VANTAGEM DOS LÍDERES CAI PARA 2 SEGUNDOS

Uma etapa longa, muito rápida e definida nos quilômetros finais com um ataque duro da dupla da Canyon – Luca Schwarzbauer e Sam Gaze – que sustentou o forte ritmo para a vitória. A liderança ainda está com os sul-africanos Beers e Nortje , mas a diferença para os italianos Braidott e Avondetto cai para 2.2 segundos.  Candice Lill e Alessandra Keller mantém o domínio, chegaram à terceira vitória  mas hoje foram testadas por Kate Courtney e Greta Seiwald

Gaze e Schwarzbauer como num XCC arrancaram para a vitória – foto: ©Nick Muzik/Cape Epic

A segunda etapa da Cape Epic foi marcada pela intensidade das disputas entre as duplas, onde ninguém queria ceder terreno. Após o prólogo escaldante em Meerendal e uma primeira etapa marcada por furos e problemas mecânicos e tensão, a etapa de Montagu foi extenuante, onde nenhuma dupla deu margem para ser surpreendida.

O neozelandês Gaze   e o alemão Schwarzbauer venceram a etapa empoeirada e rochosa em 3 horas, 54 minutos e 55 segundos, cruzando à frente da dupla italiana Wilier-Vittoria, Luca Braidot e Simone Avondetto. Os líderes da classificação geral, Matt Beers e Tristan Nortje (Toyota Specialized Imbuko), terminaram em terceiro.

Com a vitória, a dupla da Canyon subiu à sexta posição na classificação geral, enquanto a vantagem de Beers e Nortje sobre a dupla italiana caiu para apenas dois segundos.

Na prova feminina – com mais de 80 km e 1750 m de altimetria acumulada – a campeã sul-africana Candice Lill e sua parceira, a suíça Alessandra Keller (Thömus Maxon Sabi Sabi) ampliaram sua vantagem sobre Kate Courtney e Greta Seiwald (She Sends Foundation) após vencerem a etapa em 3 horas e 30 minutos. Courtney e Seiwald, apertaram as líderes em vários momentos, porém terminaram a 37 segundos e consolidando-se na segunda posição na CG.

Quilômetros finais como num XCC

Numa etapa com a maior parte das subidas concentradas na primeira metade do percurso, era de se esperar que a chegada seria rápida para todos aqueles que tivessem sobrevivido às subidas.

A etapa confirmou mais uma característica desta Cape Epic: os furos de pneu não são um incidente isolado, mas sim um fator constante na corrida. Primeiro, foi a vez do campeão sul-africano Marc Pritzen, que, juntamente com Felix Stehli, estava entre os quinze melhores quando teve de parar devido a um problema. Depois, foi a vez dos vencedores da 1ª etapa, Wout Alleman e Martin Stosek (Buff-BH), que também foram obrigados a parar para consertar um furo. O mesmo aconteceu com Fabian Rabensteiner e Casey South (Torpado Kenda FSA). Apesar disso,  o ritmo na frente foi tão forte que nem mesmo esses contratempos desmantelaram completamente a corrida, pois ninguém na frente conseguiu abrir uma vantagem significativa..

Wout Allemann troca os pneus em uma zona técnica de abastecimento de água – oto: ©Nick Muzik/Cape Epic

Quanto o grupo chegou à primeira grande subida do dia, o Passo de Ouberg, a corrida já havia se reduzido a um grupo líder com muitas das duplas mais fortes desta edição: Braidot e Avondetto, Valero e Stutzmann, Rabensteiner e South, Schwarzbauer e Gaze, De Cosmo e Dorigoni, Alleman e Stosek, Stiebjahn e Frey, além de Botha e Van Zyl e no comando ou controlando a situação estavam os líderes Beers e Nortje,

Mas, a 25 km da chegada, os especialistas em cross-country começaram a mostrar a sua força. Primeiro, foi a figura imponente do ex-medalhista de bronze olímpico no cross-country, David Valero, que ditou o ritmo na frente, antes de Schwarzbauer e Gaze iniciarem os seus ataques. Os primeiros ataques dividiram o grupo da frente, antes de um grupo final de sete equipes chegar aos últimos 10 km.

Tristan Nortje à frente do grupo principal – foto: ©Nick Muzik/Cape Epic

Gaze e Schwarzbauer davam ritmo, e era evidente que as suas acelerações poderosas seriam difíceis de controlar à medida que se aproximavam da linha de chegada. Como previsto, os dois contornaram a última curva juntos, com apenas a Wilier-Vittoria e a Toyota Specialized Imbuko na perseguição.

A diversão foi intensa, mas o sofrimento foi ainda maior. Quando você parte para um ataque total e não dá certo, é a pior coisa do mundo. Atacamos assim duas vezes e, felizmente, a segunda vez funcionou. A chegada hoje foi como uma corrida de short track, porque tudo se resumia ao posicionamento e pudemos usar nossas habilidades.”, disse Schwarzbauer, visivelmente satisfeito.

Na Etapa 1, os dois ciclistas da Canyon sofreram com problemas na corrente e nos pneus, perdendo tempo na classificação geral, mas ainda acreditam ter chances de conquistar o título, já que estão em sexto lugar, a 4 minutos e 58 segundos da liderança.

“Ainda faltam cinco dias e esta é a Cape Epic. Tivemos um pouco de azar ontem, mas talvez nos beneficiemos em outro momento.”, disse Gaze.

Luca Schwartzbauer com Gaze lideram o pelotão – foto: ©Nick Muzik/Cape Epic

Após a vitória  no prólogo e terminar em terceiro lugar duas vezes, a equipe Toyota Specialized Imbuko ditou o ritmo inicial na maior parte do percurso, antes que os ataques finais fragmentassem o pelotão.

“Hoje foi um dia estranho. Foi bem monótono, mas ainda assim acidentado e com muitas pedras. Eu e o Matt pedalamos na frente só para garantir a segurança, porque havia pedras voando por todos os lados. Mas os caras do XCO deram uns arranques fortes nos últimos 5 km, então fiquei bem surpreso que ainda conseguimos acompanhá-los.” comentou Nortje.

Courtney e Seiwald testam as líderes, mas ainda não foi suficiente para superá-las

Assim como na Etapa 1, a Etapa 2 o percurso da Elite Feminina começava com  com uma subida curta e íngreme logo na largada, seguida pela longa subida do Passo de Ouberg.

Kate Courtney decidiu atacar desde os primeiros quilômetros, imprimindo um ritmo forte durante boa parte da etapa e impedindo que ela se desenrolasse de forma conservadora.

Greta Seiwald e Cate Courtney testaram as líderes por praticamente toda a etapa – foto: ©Michael Chiaretta/Cape Epic

Ao chegarem à segunda subida, Courtney e Seiwald, segundas colocadas na classificação geral, já haviam se separado do grupo, com apenas Lill e Keller conseguindo acompanhá-las.

Essa abordagem rapidamente transformou a corrida em uma batalha mano a mano entre as duas principais equipes: Thömus Maxon Sabi Sabi e She Sends Foundation. Ambas as duplas pedalaram juntas praticamente durante toda a etapa, sem conseguir abrir uma vantagem significativa, apesar do cansaço acumulado.

Atrás delas, a dupla Rosa Van Doorn e Vera Looser (Buff-Bh Efficient Infiniti), terceiras colocadas, enfrentou um momento dramático quando Van Doorn furou o pneu logo após a primeira subida e não conseguiu consertá-lo. A holandesa foi obrigada a usar o pneu reserva até a próxima zona técnica, mas, para piorar a situação, a equipe masculina havia levado a roda sobressalente de Van Doorn. A dupla conseguiu, no fim, terminar em nono lugar, mas perdeu 23 minutos para as líderes da classificação geral e agora ocupa a quinta posição.

Enquanto isso, na frente, Seiwald e Courtney continuavam pressionando as detentoras da camisa laranja, ditando o ritmo durante a maior parte da etapa. Mas elas pagaram o preço quando Lill e Keller aceleraram em uma pequena subida a 9 km da chegada e não conseguiram acompanhá-las.

“Assim que abrimos vantagem, forçamos bastante até o final. Queríamos ganhar o máximo de tempo possível.”, destacou Keller

Margot Moschetti e Claudia Peretti (Symbtech.Net) subiram para a terceira posição na CG  após terminarem em sétimo lugar na etapa. Agora, elas estão 25 minutos atrás das líderes da classificação geral.

Disputa acirrada pela 3ª posição na etapa – foto: ©Michael Chiaretta/Cape Epic

A disputa pelo título geral parece estar entre duas equipes, mas com diferenças que agora ultrapassam três minutos, enquanto mais atrás, a luta pelo pódio se abre entre várias duplas separadas por margens maiores.

Na quarta-feira, os ciclistas enfrentarão a etapa mais longa da edição de 2026, com 140 km e 1750 m de altimetria acumulada. , as mulheres da elite terão pela frente 108 km e 1450 m de altimetria acumulada

ABSA CAPE EPIC

Elite Masculina – Montagu>Montagu102 km – 2250 m de altimetria acumulada

1- Canyon – Luca Schwartzbauer🇩🇪 e Sam Gaze🇳🇿 -3h54m55s0 – vel. média 26,0 km/h

2- Willier-Vittoria – Luca Braidot 🇮🇹 e Simone Avondetto🇮🇹 +1s8

3- Toyota Specialized Imbuko – Matt Beers🇿🇦 e Tristan Norje🇿🇦 +4s

4- Torpado Kenda FSA – Fabian Rabensteiner🇮🇹 e Casey South🇨🇭 +11s1

5- Origine- Willier – Mathis Azzaro🇫🇷 e Juri Zanotti🇮🇹 +11s7

Elite Feminina: Stemmet, Montagu>Montagu – 80km 1.750m de altimetria acumulada

1- Thömus Maxon Sabi Sabi – Candice Lill🇿🇦 e Alessandra Keller🇨🇭 – 3h30m00s6 – vel. média 23.7 km/h

2- She Sends Foundation – Kate Courtney🇺🇸 e Greta Seiwald🇮🇹 +37s8

3- Torpado FSA Kenda – Katazina Sosna-Pinele🇱🇹 e Giorgia Marchet🇮🇹 +10m42s6

4- Chempchamp Honeycomb – Hayley Preen🇿🇦 e Haley Smith🇨🇦 +10m43s2

5- Sanic2 Eficient Infinitti -Samantha Sanders🇿🇦 e Bianca Haw🇿🇦 +12m48s9

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