Modelo criado pela Caloi em 1972 atravessa gerações, passou por várias mudanças e adequações, porém o nome icônico se manteve e é um dos mais longevos da indústria nacional. Recentemente foi atingida a marca de 800 mil bicicletas produzidas sob o nome Ceci

Para a indústria não é fácil manter em seu catálogo um modelo por anos e anos conservando suas características, a sua identidade principal ou até mesmo seu público alvo, a Caloi Ceci que recentemente chegou à marca de 800 mil unidades produzidas pode ser o melhor exemplo disso.
Um ícone entre as bicicletas, a Caloi Ceci, chegou às lojas em 1972, porém um ano antes alguns lotes desse modelo foram exportados para a Inglaterra, junto com outro ícone da marca brasileira, a Caloi 10. O modelo chegou em um período de transformações sociais importantes no Brasil, a Ceci surgiu como uma bicicleta pensada especialmente para o público feminino, porém as primeiras versões estavam montadas com rodas de aro 27”, as mesmas da Caloi 10 e que atendiam bem as inglesas, mas que se comprovaram um tanto grandes para a estatura média das brasileiras, assim no ano seguinte já estavam disponíveis com pneus 26 1 3/8″.

A Ceci chegou com quadro pensado para a mulher com sua facilidade para montar e desmontar, com seu tubo superior rebaixado rapidamente conquistou espaço nas ruas e, principalmente, na memória afetiva de milhares de mulheres.
Se para os garotos a Caloi 10 era o sonho de velocidade pelas ruas e estradas, para muitas brasileiras, a Ceci foi a primeira bicicleta. Foi com ela que aprenderam a pedalar, foram à escola, passearam com amigas ou viveram momentos marcantes da juventude. Décadas depois, o modelo continua presente na vida de mães, filhas e até netas, reforçando um legado que vai além do produto.
Parte dessa memória afetiva, está ligada ao seu aparecimento nas novelas. Em 1977, Bruna Lombardi, interpretando Carla, na novela “Sem lenço, Sem documento’, pedalava uma Ceci, porém a ação de marketing foi ainda maior, no enredo Heleno Reis (Jaime Barcellos), em sua agência de propaganda, onde trabalhavam Marco (Ney Latorraca), Bilé (Ivan Setta) e Jacques (Jonas Bloch) criaram um comercial para a Ceci, a grande sacada estava em que anúncio foi ao ar, logo após o capitulo, no intervalo do ‘Jornal Nacional’.

Anos mais tarde, em 1989, o modelo reapareceria na tela da TV Globo, na novela Rainha da Sucata, com Regina Duarte. Além da versão feminina, a Ceci nos anos 1980 ganhou versões voltadas para o público infantil, a Cecizinha 14 e 20 – assim a filha teria a mesma bicicleta que sua mãe.
Entre atualizações de componentes e grafismos a Ceci ainda tinha seu público fiel, mas com o passar dos anos, e a chegada do mountain bike, o modelo perdeu um pouco de sua essência, deixando o seu lado urbano de lado para adotar aros 26, perder o bagageiro traseiro e paralamas; em meio à toda essa evolução, crises econômicas, coloquem-se nesse pacote as transformações atravessadas pela própria Caloi com a mudança de donos passando da família para a Dorel e agora com o grupo Pon.Bike a Ceci está aí.

Atualmente a Ceci, um case em da indústria de bicicletas no Brasil com seus 54 anos, guarda apenas o nome dos primeiros modelos, o que era a bicicleta da mulher para o seu deslocamento com bagageiro atrás e cestinha – a bike do empoderamento e da memoria afetiva, agora é a bicicleta da ‘menina mulher’, com um modelo de aro 24” estilo mountain bike e uma cestinha na frente e outro de aro 16” com rodinhas. Para as mulheres, fãs da marca, resta torcer para que lá no desenvolvimento da Caloi deem uma olhadinha no catálogo das primas europeias do grupo e quem sabe se inspirem em algum modelo, para fazer trazer uma Ceci feminina, em uma versão atualizada e elétrica.
“A marca de 800 mil unidades produzidas da Caloi Ceci representa mais do que um número: simboliza 800 mil histórias, conquistas pessoais e momentos inesquecíveis vividos sobre duas rodas. A Ceci não é apenas uma bicicleta, é parte da trajetória da Caloi e da memória afetiva de diferentes gerações de brasileiras. Um produto que atravessa décadas mantendo sua relevância e que segue inspirando novas histórias”, comenta Renata Campos, Diretora de Marketing da Caloi.
Mundo Bici Mundo Bici – Por George Panara