UCI GRAVEL WORLD SERIES BRAZIL: AVANCINI CONFIRMA FAVORITISMO E ANA PANINI MOSTRA SUA FORÇA

Com uma participação reduzida de estrangeiros na elite masculina e sem rivais à altura dentro da lista de participantes brasileiros, Avancini se apoderou da UCI Gravel Brazil disputada em um circuito duríssimo de 115 km com mais de 1.778m de ganho de elevação. No feminino, Ana Luisa Panini se preparou muito bem para vencer este desafio e ganhar sua vaga para o Mundial

Avancini tomou a dianteira na largada e despachou os adversários para fazer um desafio solitário - Foto: UCI Gravel World Series Brazil
Avancini tomou a dianteira na largada e despachou os adversários para fazer um desafio solitário – Foto: UCI Gravel World Series Brazil

Com um percurso com 5 km a menos que no ano passado e agora saindo do Campus do Instituto Federal Catarinense, porém mantendo suas características desafiadoras com montanha espalhada pelo percurso, a prova brasileira da UCI Gravel World Series, classificatória para o Mundial que acontecerá em outubro na Austrália,  reuniu cerca de 300 ciclistas.

Avancini domina de ponta a ponta

Na corrida da Elite masculina, Henrique Avancini que vinha com boa bagagem nas pernas, uma semana após terminar o Tour de Ruanda na 8ª colocação na Classificação Geral , colocando junto a experiência em percursos mais acidentados e a força de seus dois títulos mundiais de Mountain Bike Maratona da UCI (Aurunzo di Cadore’2018 e Glasgow’2023) disparou na frente do pelotão nos quilômetros iniciais e não olhou para trás, cruzando a linha de chegada em 3h27m21s.

Percurso com subidas duras é um dos diferenciais da prova brasileira – Foto: UCI Gravel World Series Brazil

Sem adversários que o desafiassem – e aqui vale apontar que no ano passado tivemos na prova de Camboriú graveleiros experientes como o italiano Daniel Oss ou suíço Simon Pellaud vencedor da prova  – Avancini fez da prova um desafio pessoal e entrou para derrubar o cronometro e abrir uma diferença de 12 minutos para o segundo colocado. Com isso ele estabeleceu um novo recorde para a maior diferença na vitória em uma corrida da elite da Gravel World Series. Superando a marca anterior de Wout van Aert na Houffa Gravel 2023 , onde o astro belga correndo em casa venceu com uma vantagem de 9 minutos sobre seu compatriota Daan Soete e o alemão Paul Voss.

Atrás de Avancini o argentino Joaquin Plomer conquistou o segundo lugar terminando a 12m13s, enquanto Vitor Eduardo dos Santos Prado Correa Pompeu terminou em terceiro  a 17m53 do vencedor. As diferenças consideráveis ​​evidenciaram a natureza seletiva do percurso e o domínio de Avancini do início ao fim.

“Foi uma prova duríssima em um percurso desafiador e fez muito calor. Fiz um tempo abaixo da minha expectativa, que era terminar pouco acima de 3h30min. Como corri oito etapas em Ruanda, eu não sabia como meu corpo responderia. Ataquei bem cedo, logo depois dos primeiros 20 km, e mantive o ritmo até o fim, mas sofri na última hora. Foi um dia solitário para mim, mas muito positivo e especial”, comentou Avancini que disputou em Camboriú a sua primeira prova de gravel da temporada 2026.

Com a vitória Avancini assegurou sua vaga no Mundial da Austrália e sinaliza que este será seu objetivo na temporada: “Eu ainda vou correr algumas etapas da UCI Gravel World Series e vou me preparar da melhor maneira possível para o Mundial. O gravel é uma modalidade muito bacana para competir, pois envolve bastante tática e resistência, e a prova tem uma atmosfera amistosa e festiva”.

Ana Luisa Panini mostrou toda sua evolução

Na prova feminina de elite, Ana Luisa Panini quarta colocada no ano passado e com resultados discretíssimos no ciclismo de estrada em 2023, aos 37 anos mostrou toda sua evolução na prova, se preparou por cerca de três meses para apresentar um desempenho forte e controlado, conquistando a vitória em 4h25m10s.

Lidando com consistência com as exigentes condições do percurso, que ela já conhecia, cresceu a partir da metade da prova, enquanto suas adversárias acusavam o desgaste. No final da prova Panini abriu mais de 3 minutos de margem sobre Ana Paula Finco e 6 minutos sobre a vencedora do ano passado, Madeleine Nutt que não repetiu o mesmo desempenho. 

Ana Luisa Panini, treinamento específico para a prova de Camboriú fez a diferença, garantindo a vaga para o Mundial da Austrália

A canadense Sarah Diekmeyer, uma das favoritas antes da largada, sofreu um rasgo no costado do pneu com apenas 5 km de prova, fez um remendo com fita e prosseguiu na corrida,  mas sem condições de disputar posições; porém sua atitude de fazer mais de 100 km em uma situação nada favorável lhe garantiram o troféu de Fair Play.

Madeleine Nutt e Ana Paula Finco – Foto: UCI Gravel World Series Brazil

“No início da prova eu sobrei. Minhas adversárias forçaram demais, mas, como eu conhecia o trajeto, mantive o meu ritmo. A partir do km 41 eu avistei o grupo delas e, em uma subida, coloquei um ritmo forte para testar. Eu estava bem e decidi atacar no km 58. Eu parei no abastecimento e fui ultrapassada por uma adversária, que infelizmente acabou caindo em uma descida no km 65”, comentou Panini.

“Estou emocionada. Eu não esperava ganhar, pois sei que o nível desta prova é muito alto e não é fácil ganhar das gringas. Dediquei três meses especialmente para esta prova. Agora já penso na minha participação no Mundial na Austrália”, destacou a vencedora.

UCI Gravel World Series Brazil – Camboriú

Percurso Longo 115 km

Elite masculina – 25 inscritos

1- Henrique Avancini🇧🇷 – Meoo Localiza-Swift – 3h27m21s648 – 33.28 km/h

2- Joaquín Plomer🇦🇷 –+12m13s

3- Vitor Prado🇧🇷 – +17m53s

4- Vinícius Howe🇧🇷 +17m53s

5- Matheus Franciscon🇧🇷 +17m54s

Elite Feminina – 7 inscritas

1- Ana Luisa Panini🇧🇷 – ACPH Komprão Team – 4h25m10s083 – vel. média 26.02 km/h

2- Ana Paula Finco🇧🇷 – Soul Extreme Racing +3m16s

3- Madeleine Nutt🇬🇧 – Lauf Q365 +6m38s

4- Sarah Diekmeyer🇨🇦 – Megamo Gravel Racing +10m04s

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